Resenha de Show

Destruction faz grande show em São Paulo, apesar dos problemas técnicos

'São Paulo nunca desaponta', disse Schmier

Carlos Pupo/Headbangers News


'São Paulo nunca desaponta', disse Schmier

A lendária banda alemã de thrash metal, Destruction, se apresentou na capital paulista no último domingo, 23 de setembro. A banda veio ao Brasil promover seu último trabalho “Thrash Anthems II”. Os músicos Schmier (vocal e baixo), Mike (guitarra) e Randy black (bateria), passaram por Limeira, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Manaus e São Paulo. Eles estiveram muito bem acompanhados pela banda Nervosa.
O show em São Paulo poderia ter sido um desastre ou até mesmo sido cancelado, uma vez que, graças à problemas com a companhia aérea LATAM, o vôo de Manaus para São Paulo foi cancelado e, segundo palavras do próprio Schmier na página oficial do Destruction no Facebook, e, também durante o show, “Chegamos à tempo, e sem dormir”. Este incidente não só deixou os músicos irritados e sem dormir, como também comprometeu o horário do evento. Houve atraso na passagem de som e a parte técnica ficou comprometida.
Apesar de todos os inconveniente e atrasos, Destruction, ao vivo, não decepcionou. Este foi sem dúvida alguma, um dos shows mais potentes do ano. As portas dos Espaço 555 se abriram às 20h e o público encheu a casa. Entre os fãs, vários músicos estavam presentes prestigiando as bandas. Max e Moyses do Krisiun e João Gordo do Ratos de Porão, para citar alguns.

Às 20h30, Fernanda Lira (vocal e baixo), Prika Amaral (vocal e guitarra) e Fernanda Dametto (bateria) subiram ao palco, e, apesar de estarem sofrendo o mesmo que os músicos alemães, não se deixaram abalar e levantaram o público com um setlist coeso e direto. “Sem tempo para trocar ideia por que cancelaram nossos vôos”, disse a vocalista.
Logo na primeira música, “Horror Dome”, o público correspondeu, bem animado, dando início à noite de thrash metal. Elas cumprimentaram à todos e mandaram, em seguida “Death”, “Enslave”e “Hostages”. Aplaudidíssima, a banda levantou o público. E, segurando esse clima contagiante, elas mandaram “Masked Betrayer” e “Never Forget, Never Repeat”.
O ápice do show foi a sequência destruidora de “Vultures”, Kill The Silence” e “Fear, Violence and Massacre”. Fernanda Lira, mantendo seu bom humor característico, falou sobre comprar as “muambas” para ajudar a banda, agradeceu aos fãs e anunciou o final do show, além disso, disse em alto e bom som: “Na Nervosa não tem espaço para intolerância”. Elas fecharam o show com ‘Intolerance Means War” e a já clássica “Into Moshpit”.
E, assim, pela segunda vez este ano, a banda Nervosa levou seu repertório ao Espaço 555. Na primeira, abrindo para “Havoc” e agora, para “Destruction”.

Às 22h, Destruction subiu ao palco com um setlist old school para headbanger nenhum botar defeito. Eles abriram com “Curse The Gods” e deram início à um espetáculo destruidor. Schmier cumprimentou a todos com um “Boa noite” bem pronunciado e, aparentando estar bem irritado pelos acontecimentos, mandou logo “Armageddonizer” e “Tormentor”. Nesse momento, o lugar ferveu e uma energia incrível tomou conta do do lugar. O vocalista reclamou da companhia aérea, mas disse estar gostando muito de estar de volta à São Paulo. A banda trouxe uma sequência fenomenal com “Nail To The Cross”, “The Mad Butcher” e “Dethroned”.
Schmier mais uma vez, muito sincero, disse: “São Paulo, tive um dia ruim e uma noite terrível. Me acordem!” E emendou com “Life Without Sense” que graças à disposição e interação insana dos fãs, com certeza, o acordou. E, para mantê-lo acordado, seguiram com “Release From Agony”, “The Ritual” e “Eternal Ban”.
O humor do vocalista estava muito melhor após este pico de energia emanando da pista. Uma pausa para a água e Randy Black entrou em ação com seu solo contagiante. Antes de continuar a destruição sonora, Schmier perguntou aos fãs se eles se lembravam dos álbuns old school lançados nos anos 80. E os fãs foram presenteados com a potente sequência de “Total Disaster”, “Antichrist” e “Black Mass”, esta última, nunca antes tocada em um show em São Paulo.
Antes de mandar “The Butcher Strikes Back”, o vocalista, disse: “Eu quase não vim aqui hoje, mas vocês são maravilhosos”. E, logo em seguida,a banda tocou “Thrash Till Death”. “Vocês são maravilhosos, São Paulo. Vocês estão destruindo!”, disse Schmier. Além disso, pediu para os fãs escolherem uma música. A decisão ficou entre: “Invincible Force” e “Fuck The U.S.A”. A disputa foi ganha no grito e o público ganhou “Invincible Force” de presente.
“São Paulo nunca desaponta.” Foi a última coisa que Schmier falou antes de fechar este show histórico com “Bestial Invasion” às 23h30 do domingo.
Respeito, admiração, energia, resiliência, profissionalismo e amor pela música são algumas das palavras que resumem este espetáculo que tinha tudo para dar errado, mas foi um show destruidor e que teve tudo que nós, fãs de thrash metal old school, queremos quando saímos de casa em um domingo à noite para ver uma lenda alemã tocar.
Que privilégio!


Espaço 555

Data: 23/09/18

Horário: 18h30

Av. São João, 555 - Centro