Resenha de Show

Bandas do Heavy Day enlouquecem público do Guaru Metal Fest no último dia do evento

WitchHammer na  7ª edição do Guaru Metal Fest

Vagner Ferreira


WitchHammer na 7ª edição do Guaru Metal Fest

Na continuidade da 7ª edição do Guaru Metal Fest, que aconteceu no dia 8 de setembro, no Clube Recreativo, em Guarulhos, as bandas do Heavy Day deram um show de destreza e peso a cada apresentação. Com uma parte do público cansada da pancadaria do dia anterior e outra galera renovada, que colou no evento para prestigiar algumas das bandas mais expressivas do cenário underground, o segundo e último dia da edição 2018 ficou marcado como outra data inesquecível, sobretudo por trazer ao palco nomes como Centurias (São Paulo/SP), Warage (São Paulo/SP), ThunderSpell (Belém/PA), Golpe Devastador (Indaiatuba/SP), Antroforce (Carapicuíba/SP), Biter (Indaiatuba/SP), Selvageria (Alphaville/SP), Hellish War (Itapevi/SP), Attomica (São José dos Campos/SP), WitchHammer (Belo Horizonte/BH) e Battalion (Itajaí/ SC). Com o iminente cancelamento da banda Rising, de Itaí, interior de São Paulo, a chilena Undertaker of the Damned ganhou tempo extra, considerando que encerrou o Extreme Day no dia anterior e não teve a oportunidade de mostrar seu trabalho para um número maior de pessoas.

WarAge faz o show de abertura

Dani Moreira


WarAge faz o show de abertura

A banda paulistana de Heavy Metal WarAge arregaçou a abertura do Heavy Day em gradíssimo estilo, deixando quem estava logo cedo no local muito satisfeito com a performance dos caras. Com um repertório que priorizou as músicas do álbum Behind my Mask, de 2015, o WarAge fez uma apresentação estrondosa, plena dos riffs da guitarra de Filippe Tonini e das levadas saborosas do baixo de Fernando Lopes e da bateria de Sandy Hirahata, campo fértil para que o vocalista Daniel Monfil  pudesse soltar sua voz incrivelmente melódica, perfeitamente alinhada ao som da banda.

Sobre a estrutura do evento, o guitarrista Filippe Tonini comenta que a banda recebeu toda a atenção e respeito da equipe, em sua opinião, um dos eventos mais bem organizados do qual já teve a oportunidade de participar: “Observamos que as bandas convidadas para o Guaru Metal Fest são parte importante do Festival, e não apenas um meio para justificá-lo. Para nós do WarAge, foi um prazer muito grande fazer parte do casting do evento, encerrou com chave de ouro os shows de apresentação do último álbum e isso faz uma diferença absurda para a trajetória da banda”, celebra Tonini.

Golpe Devastador:  engajamento e ativismo pelo metal nacional

Dani Moreira


Golpe Devastador: engajamento e ativismo pelo metal nacional

Outra banda que faz a diferença na cena underground pelo nível de engajamento e ativismo pelo metal nacional é o Golpe Devastador. Formada em 2014, a banda oferece ao público cativo um Thrash Metal com influências que vão do Heavy ao Death Metal. Com letras cantadas em português e um discurso contundente, o Golpe Devastador consegue seduzir o público, conciliando peso e leveza, uma habilidade que poucas bandas possuem de mostrar que seu trabalho vai muito além da reunião de músicos e instrumentos num palco.

Banda chilena de black metal Undertaker of the Damned, uma das atrações internacionais

Carla Maio/Headbangers News


Banda chilena de black metal Undertaker of the Damned, uma das atrações internacionais

Undertaker of the Damned, uma das atrações gringas do Extreme Day, foi uma das surpresas para o público amante de Heavy Metal, uma galera não muito habituada a sons extremos, mas que curtiu bastante o Black Metal dos chilenos. Formada em La Serena, Chile, em 1991, o Undertaker of the Damned conta com a intrigante presença de palco de Juan Helldrez, que exibe um vocal estrondoso, pesado e igualmente assustador, principalmente ao manipular um crânio enquanto evoca músicas do álbum Satan Potesta Est, o 6º da banda, recém lançado no Chile e que em breve deve chegar em terra brasilis.

Pouco antes de subir ao palco, a banda declarou que tinha grande expectativa em relação à receptividade dos fãs brasileiros, de que eles pudessem curtir os sons do novo álbum. Numa mistura desenfreada de sonoridades, o Undertaker of the Damned apresentou um Black Metal melodicamente marcado pelas guitarras de Edie Ayala e Eduardo Andres e pleno da levada ríspida e agressiva da bateria de Claudio Guerrero, resultado de um trabalho que, ao longo dos últimos 25 anos, soa mais maduro, mais palatável e muito prazeroso para os ouvidos.

O power trio de trash metal Antroforce

Dani Moreira


O power trio de trash metal Antroforce

Influenciada por bandas brasileiras dos anos 80, como Dorsal Atlântica, Taurus, Anthares, Mutilator, Vulcano e Sepultura, o Antroforce é um power trio que apresenta um Trash Metal cheio de energia, com riffs poderosos. Para o público do Guaru Metal Fest, eles mostraram faixas da demo Sentença de Morte, músicas cantadas em português, que além de criar uma latente identificação com os bangers, presta saudosa homenagem às bandas que cunharam sua sonoridade.

Biter traz o heavy metal tradicional ao festival

Dani Moreira


Biter traz o heavy metal tradicional ao festival

Diego Alcon (guitarra evocal), Brian Adriano (baixo e vocal), Jimmy Walker (guitarra) e Anderson Bregantin (bateria) formam a Biter, banda de Heavy Metal tradicional com composições enérgicas, épicas e cantadas em inglês. A perfeita harmonia construída a partir de ambas as guitarras e dos vocais que ora se complementam ora se alternam, permite que as músicas tenham um corpo melódico perfeito, sem perder peso e a marcação dos refrãos fortes, que quando menos esperamos, já ficou gravado na memória.

Tal como a grande maioria das bandas de peso do norte e nordeste do país, que representam como ninguém a força do metal nacional, os paraenses do Thunderspell fizeram no palco do Guaru Metal Fest aquilo que haviam prometido: um show extremamente cheio de energia. No Speed Metal que apresentaram, a banda mostrou alguns elementos do Heavy Metal tradicional em meio a uma dinâmica interessante, uma sonoridade completa, com uma marcação bastante forte da bateria e um vocal impressionante, com um agudo sonoro bem profundo. Formada em 2010, a Thunderspell conta com os músicos Leonardo Rodrigues no vocal, Bruno Gibson no baixo, Paulo Wallace na bateria, Hugowar e Bruno Tavares nas guitarras.

A viagem de mais de 2800 quilômetros de Belém do Pará a Guarulhos fez aumentar ainda mais a ansiedade e desejo da banda em mostrar ao público algumas de suas composições marcantes, sobretudo as do álbum Batlle Scream, como “Black Flames”, “Lady In Black”, “Let Me Live The Metal”, entre outras. Aclamados com carinho pelo público, os músicos deixaram evidente a satisfação e alegria em fazer uma apresentação plena para os fãs no GMF: “Estar em Guarulhos e ter essa receptividade do público é maravilhoso, ficamos impressionados com o tamanho da cena e com o calor das pessoas, que agitaram o show e nos deram retornos bastante positivos. Amamos o que fazemos, amamos o Heavy Metal dos anos 80, e estamos na estrada trabalhando de forma independente, com raça, apoiando outras bandas, fazendo com que o metal nacional alcance outros países”, comemora Leonardo, o vocalista da banda. Em outubro do ano passado, a banda Thunderspell ajudou na organização de um dos shows da guarulhense Gestos Grosseiros, durante a turnê que passou pelo Pará.

Selvageria: com letras letras cantadas em português

Dani Moreira


Selvageria: com letras letras cantadas em português

Selvageria é uma banda de Speed/Thrash Metal formada em São Paulo, com o ideal de resgatar o espírito dos anos 80. Sendo assim, suas composições são marcadas por letras cantadas em português, com um vocal e sonoridades extremamente autênticos, que ressaltam e potencializam suas composições.

Hellish War no palco do Guaru Metal Fest

Dani Moreira


Hellish War no palco do Guaru Metal Fest

A banda Hellish War sobe ao palco do Guaru Metal Fest trazendo muita diversidade na bagagem de seus 20 anos de estrada e muito que comemorar. Recentemente, o projeto de gravação do novo álbum da banda foi contemplado com um programa de investimento direto da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo, o Proac Editais. No palco, o público do Heavy Day pôde conferir a força que faz do Hellish War uma das mais conceituadas e relevantes da cena, principalmente por sua sonoridade, técnica e passos assertivos, que fazem dela uma das referências do metal nacional junto ao mercado europeu.

Attomica anima o público com técnica e destreza

Dani Moreira


Attomica anima o público com técnica e destreza

Com um Heavy Metal old school que causa prazer e faz muito sentido, a banda Attomica anima o público do GMF com um show pleno em técnica e destreza. Formada em 1985, em São José dos Campos, o power trio composto por músicos experientes apresentou um repertório com letras cantadas em português em meio a músicas que alternam seu ritmo e surpreendem a cada acorde.

Outra brava remanescente dos gloriosos anos 80, a banda WitchHammer é uma das principais representantes do Metal made in Minas Gerais. Ao público do GMF, a banda apresentou um espetáculo aterrorizante, com riffs de guitarra ensandecidos e um toque especial do contrabaixo. A apresentação do WitchHammer  também marca do relançamento do álbum The First and the Last, de 1988, e conta com músicas como “Misery’s Genocide”, “Harmony of Violence”, “Dartherium”, entre outras, além da belíssima e envolvente “Liberty/Mirror my Mirror”, música que contou com a participação da belíssima Paula Nogueira, vocalista da banda Synthesis.

Com um Heavy/Speed Metal com musicalidade única e cheio de energia, o power trio Battalion ganha o palco do Heavy Day trazendo para o público um espetáculo divertido e animado, que espantou o cansaço e renovou os ânimos dos fãs. Acolhimento, carisma e a deliciosa receptividade do público marcou o show dos catarinenses, preparando a galera para o show do Centurias.

Centurias encerrando o Guaru Metal Fest

Vagner Ferreira


Centurias encerrando o Guaru Metal Fest

As melhores surpresas sempre ficam para o final e, no palco do Guaru Metal Fest, o Centurias cumpriu aquilo que professou nas redes sociais: invadiu o Festival trazendo sua sonoridade repleta do bom e tradicional Heavy Metal, saudoso aos ouvidos, efervescente para os corações. Depois de uma breve pausa nas atividades, Nilton Zanelli, o Cachorrão, volta a se reunir com o guitarrista Roger Vilaplana para uma apresentação incrível, marcada por músicas como “Sobreviver”, “Guerra e Paz”, “Animal”, “Fortes Olhos”, “Não Pense, Não Fale”, “Ninja”, “Senhores da Razão”, “Arde Como Fogo / To Hell”, “Duas Rodas / Portas Negras” e “Metal Comando”. A falta do baixista Ricardo Ravache, contudo, foi sentida pelo público fiel do Heavy Day, principalmente por aqueles que aguardaram ansiosos pelo encerramento para curtir o som da banda. Vida que segue, a banda encerrou o evento em grandíssimo estilo, exaltando o precioso legado que as bandas oitentistas deixaram para o metal nacional.

Despedidas são sempre dolorosas: em quem fica, deixa a sensação de que era possível ter aproveitado mais; para quem parte, desperta uma vontade absurda de ficar, de fazer tudo de novo. Nesse emaranhado de sentimentos e emoções, o Guaru Metal Fest vai se reinventando, projetando novos sonhos para um futuro não muito distante, tempo o suficiente para os headbangers se prepararem para a força e o peso do metal nacional. Até lá, existe toda uma cena com bandas incríveis que precisa ser apoiada e valorizada. Então é isso, nos encontramos nos shows, há muito ainda o que fazer pela cena underground.


Clube Recreativo de Guarulhos

Data: 08/09/18

Horário: 14h

Rua Dr. Nilo Peçanha, 111