Resenha de Show

Carioca Club e Bar da Montanha estremecem com a força dos ingleses do Paradise Lost

Paradise Lost se apresenta no Carioca Club em São Paulo

Carlos Pupo/Headbangers News


Paradise Lost se apresenta no Carioca Club em São Paulo

Uma noite repleta de riffs precisos, levadas densas e um gutural característico dos mais enérgicos espetáculos extremos. No último sábado e domingo, dias 1 e 2 de setembro, os headbangers paulistas tiveram a honra de receber os britânicos do Paradise Lost em turnê pela América do Sul para divulgação do último álbum, Medusa, o 15º trabalho de estúdio da banda. Depois de passar pelo Rio de Janeiro e dos shows no Carioca Club, em São Paulo, e no Bar da Montanha, em Limeira, a banda segue com a turnê para a Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México, onde prometem concertos igualmente inesquecíveis.

Nos shows em São Paulo e Limeira, o Paradise Lost apresentou um repertório bastante diversificado, com músicas do novo álbum, além de outras pérolas da banda, que arrancaram gritos dos fãs, uma interação simpática feita com urros e berros diante do recorte exato de um trabalho cheio de vigor, feito por mãos competentes.

Nick Holmes (vocais), Gregor Mackintosh, Aaron Aedy (guitarras) e Stephen Edmondson (baixo), Waltteri Wäyrynen (bateria) abrem as apresentações com a música “From the Gallows”, do novo álbum. Bem humorado e pedindo palmas incessantes do público, Holmes anuncia “Gothic”, música que dá nome ao 2º álbum do Paradise Lost, de 1991, uma dose fervorosa de Death e Doom Metal, estilo que caracterizou os primeiros trabalhos da banda.

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E a coleção de gentilezas não parou por ai. Com agradecimentos em português e brincadeiras calorosas que mencionavam a última vez em que a banda esteve no Brasil, Holmes anuncia a belíssima “One Second” (One Second, 1997), música cuja sonoridade é repleta de profundidade e ritmos até então não explorados em seus trabalhos. Em “Erased” (Symbol of Life, de 2002), o Paradise Lost abusa ainda mais desses elementos eletrônicos para revelar temas controversos como fé, religião, devoção.

De volta aos anos 90, “Enchantment” (Draconian Times, 1995) consegue captar o momento em que o Paradise Lost incorpora uma sonoridade igualmente cheia de melodias, com forte e impecável vocal gutural e que denotaram mudanças estruturais em suas canções. Como esses detalhes pouco importam no momento em que a banda está ali, no palco, a presentear os fãs, as reações do público foram de rendição e êxtase a um som tecnicamente perfeito.

Longos riffs com uma pegada obscura e marcante do baixo e bateria denunciam toda a profusão de emoções de “Requiem” (In Requiem, de 2007), que invadiram nosso entendimento e nos fez crer, ainda mais, na qualidade sonora do Paradise Lost, um trabalho que, ao longo dos anos, conseguir alcançar um tipo de público diversificado, igualmente exigente.

 

Paradise Lost se apresenta no Carioca Club em São Paulo

Carlos Pupo/Headbangers News


Paradise Lost se apresenta no Carioca Club em São Paulo

Tanto “Medusa” quanto “Blood and Chaos”, ambas do trabalho mais recente, são exemplos que músicas que cunham as escolhas sonoras da banda, sons que caíram perfeitamente no exigente gosto dos fãs. Contudo, a satisfação não foi suficiente para animar o público a se embrenhar num circle pit ou stage diving e o convite do vocalista passou apenas como mais uma de suas investidas divertidas da noite. Fiquem tranquilos, ele não ficou magoado de verdade, mas certamente nos achou um tanto preguiçosos.

Do começo ao fim do show, o poderoso setlist do Paradise Lost evidenciou sua trajetória sonora surpreendente, marcada ainda pelas músicas “Faith Divides Us – Death Unites Us”, de 2009, “As I Die”, de 1991, e “Embers Fire”, do álbum Icon, de 1993, realmente difícil dizer em qual delas a banda se entregou mais, qual delas os fãs curtiram mais. Outro álbum incrível, bastante explorado nos shows em São Paulo e Limeira foi o estrondoso e sombrio The Plague Within, de 2015, com as músicas “An Eternity Of Lies”, “Beneath Broken Earth” e “No Hope in Sight”, está última marcando a volta da banda ao palco para o encore.

O show chega ao fim, mas não antes do Paradise Lost anunciar mais uma música do novo álbum “The Longest Winter”. “Say Just Words” (One Second, de 1997) marca definitivamente o fim dos shows em São Paulo e Limeira, com uma rápida, pontual e ao mesmo tempo carinhosa despedida, deixando a certeza, para nós e para a banda, de mais uma vinda cheia de magnetismo. Ontem, hoje e sempre, o Paradise Lost será sempre bem vindo por aqui.



Carioca Club

Data: 01/09/18

Horário: 19h

Rua Cardeal Arcoverde, 2899 - Pinheiros