Resenha de Show

Venom Inc. em noite inspirada em São Paulo

Tony “Demolition Man” Dolan, que depois do show ainda demonstrou disposição para dar autógrafos e posar com fãs

Gil Oliveira/Headbangers News


Tony “Demolition Man” Dolan, que depois do show ainda demonstrou disposição para dar autógrafos e posar com fãs

Podemos ficar horas discutindo sobre todas as bandas que iniciaram o heavy metal enquanto estilo musical, mas acredito ser inquestionável que o Venom é um dos principais precursores, ou pelo menos uma grande influência quando falamos dos subgêneros mais pesados e obscuros da música extrema. Em toda sua trajetória, iniciada em 1979, houve diversas mudanças na formação, até que em 2015 criaram um segundo Venom com o Inc. no final, sendo composto pelos membros originais Mantas (Guitarras) e Abaddon (Bateria), além do grande Tony “Demolition Man” Dolan (Voz e Baixo) que fez parte do Venom entre 1989 e 92. Processos legais e brigas a parte, acredito que para nós, como público, só temos a ganhar, pois há, desde então, duas bandas na ativa! Compondo material próprio, com músicos competentes em ambos os lados. Em 2017, o Venom Inc. lança pesadíssimo “Avé” e em 2018 Abaddon deixa o time, dando lugar ao habilidoso Kling na bateria.

Em 2019 a banda dá início uma turnê mundial e o primeiro show é aqui na nossa terra! Primeiro de fevereiro, numa sexta-feira marcada pelo calor atípico até para os padrões de verão paulistano, foram suficientes para tirar a galera de casa e levar à “The House”, novo nome para a tradicionalíssima casa “Hangar 110”, que passou por uma tímida reforma, já tudo parece estar praticamente igual.

 

Às 21h38 ouvimos a intro do disco Avé, e a primeira paulada foi Metal We Bleed, do mesmo disco, levando o público todo para perto do palco. Logo em seguida Die Hard  deixou a pista em chamas, nos dando a dica de que a noite seria dos clássicos. Welcome to Hell, do disco homônimo, numa levada mais acelerada, novamente levou a galera a loucura que cantou o refrão todo em uníssono. Fechando essa seqüência de sons antigos, tocam Live like an Angel (Die like a Devil), também do Welcome to Hell.

Era gratificante ver a alegria dos músicos no palco, Mantas domina a guitarra e ainda é um guitar hero. Com Blackened are the Priests, do álbum Prime Evil, chegou a hora da banda explorar sons da era em que Tony foi vocalista do Venom original. Ainda deste disco tocaram Carnivorous e Parasite.

Apesar do público estar animado, a banda teve alguns problemas no baixo de Tony, e a equipe de palco pareceu perdida até resolverem o problema. Enquanto isso Mantas contou ao público que no ano passado ficou morto por 5 minutos, mas acabou sendo salvo por uma habilidosa equipe de socorristas, e ganhou além de um novo coração, uma enorme cicatriz no peito, que exibiu ao público enquanto eles gritavam. Problemas sanados, a banda volta com mais clássicos inebriantes.

Warhead causou traumatismos cranianos, numa versão crua e acelerada, novamente acompanhada no refrão pela galera já rouca. Don’t Burn the Witch agitou demais, e fez todos que ainda tem cabelo, a terem um pouco menos, ou seja, o “headbanging” rolou com vontade! Voltando ao presente, o setlist passa novamente pelo disco Avé, e atacam agora com a agressiva War, sendo infelizmente a última deste disco a fazer parte do espetáculo.

Mais uma vez aos anos 80, a banda toca agora a aceleradíssima Lady Lust, que leva a galera a loucura. Em seguida Leave me in Hell, do disco Black Metal, nos entrega toda a energia do Venom que estamos acostumados. É impressionante como a banda está afiada para esta turnê! Tony aproveitou para mostrar sua nova tatuagem, o mapa do estado de São Paulo cheio de caveiras! Disse que ama nosso país e agradeceu a todos que ali estavam.

De 1991, vem uma faixa inusitada para o setlist, Temples of Ice, do disco homônimo, som que alterna trechos acelerados com partes mais lentas e pesadas, com ótimos vocais de Tony, animou aos fãs mais lado B, apesar de ser uma ótima música.

Terminando a primeira parte do set vem uma trinca matadora de clássicos. Quando Mantas puxou o riff inicial de Black Metal, quem ainda tinha voz gritou o que podia e a pancadaria rolou solta. Entregamos ali nossas almas aos deuses do rock ‘n’ roll com certeza. Depois de um clássico como esses, Sons of Satan, do Welcome to Hell, chega atropelando tudo e todos novamente e Witching Hour, também de Welcome to Hell, fecha com chave de ouro essa bela e empolgante apresentação enquanto o público clamava por mais.

Para o bis, a clássica e poderosa Bloodlust traz de volta a animação aos presentes que correspondeu muito bem. In League with Satan, também de Welcome to Hell, foi inteiramente cantada por todos como o hino que é. E para fechar essa noite mais do que especial, Countess Bathory, do disco Black Metal, arrancou as últimas energias do público que, mais uma vez, cantou a música de ponta a ponta. A banda saiu ovacionada, que agradeceu demais ao público. Tony e Kling ainda ficaram um bom tempo tirando fotos e dando autógrafos, enquanto Mantas precisava descansar devido seu recente transplante.

Que noite, meus amigos! Que noite…

Kling, baterista que demonstrou suas habilidades ao público

Gil Oliveira/Headbangers News


Kling, baterista que demonstrou suas habilidades ao público

Setlist:

  • Metal We Bleed
  • Die Hard
  • Welcome To Hell
  • Live like an Angel (Die like a Devil)
  • Blackened Are The Priests
  • Carnivorous
  • Parasite
  • Warhead
  • Don’t Burn the Witch
  • War
  • Lady Lust
  • Leave me in Hell
  • Temples of Ice
  • Black Metal
  • Sons of Satan
  • Witching Hour
    >>> Encore
  • Bloodlust
  • In League with Satan
  • Countess Bathory

The House

Data: 01/02/19

Horário: 19h

Rua Rodolfo Miranda, 110