Entrevistas

Mattilha fala de seu segundo álbum e da mudança na formação

Davi Valente/Divulgação


O quarteto de hard rock/heavy metal Mattilha, que lançou recentemente de “Crônicas do Underground”, o segundo disco da carreira, em uma parceria com o selo e produtora Loud Factory. O grupo concedeu uma entrevista ao site Headbangers News para falar do novo trabalho, da receptividade dos fãs e sobre a mudança de formação.

A arte da capa foi feita pelo ilustrador Maurício Leone

Loud Factory


A arte da capa foi feita pelo ilustrador Maurício Leone

Fazer rock no Brasil não é fácil, cantado em português é mais ainda, como têm sido para vocês a receptividade do trabalho até agora?

Ian Martini (baterista):

Desde o começo da banda a gente já sabia das dificuldades que teríamos pela frente, é um trabalho de longo prazo e estamos construindo uma base de fãs de maneira independente e natural. Trabalhamos duro há 8 anos nisso e hoje conseguimos notar alguns frutos que são relevantes dentro da realidade do rock no Brasil: Números consideráveis nas plataformas digitais, uma boa frequência de shows, fãs extremamente fieis em todos os cantos do pais que fazem tatuagens, cantam todas as músicas e que realmente se identificam e vibram com a nossas letras e energia.

Ian, compositor, baterista e membro fundador da banda deixará o país à trabalho, como têm sido a adaptação do Roger Katt como substituto? Como foi a decisão da saída e o convite para o Roger?

Ian Martini (baterista):

Esse foi um assunto muito delicado que eu mesmo botei em pauta pra banda na nossa primeira reunião do ano, em Janeiro. Já era algo que eu estava pra contar desde o final de 2017 mas ainda não sabia como tratar. Estou desde os 18 anos vivendo intensamente essa correria de banda undeground (hoje tenho 25) mas nunca deixei de estudar e trabalhar. Felizmente consegui encontrar um caminho que pudesse me envolver com o mercado da música além dos palcos e as oportunidades começaram a acontecer de maneira natural. Quando apareceu essa oportunidade de ir pra fora do país para me especializar e ter uma experiência profissional local, eu não tive como não abraçar.
Era um fato que a banda precisava continuar na estrada e que deveríamos terminar o projeto do segundo álbum. Com isso, desde Janeiro já estávamos alinhados que teríamos 6 meses para terminar o restante das músicas, lançar o álbum e preparar a nova tour com um baterista no meu lugar.
O Roger é um conhecido de longa data. Ele tocava na banda LF Angels, onde eu conheci o Andy (baixista) e desde o ano passado estava tocando junto com ele novamente e com o Victor (guitarra) em um tributo ao Motley Crüe pelas noites de São Paulo. Com isso acabou sendo uma escolha natural e desde o primeiro convite ele já começou a frequentar os roles com a banda e tirar os sons. Foi tudo muito bem pensado e articulado pra banda seguir na estrada com força total nesse tempo que eu estiver fora.

A arte de capa de “Crônicas do Underground” é muito legal, quem desenhou?

Gabriel Martins (vocalista):

A arte do CDU foi feita pelo ilustrador Maurício Leone. Ele está com a gente desde o single de ‘Cachorro Louco’, de 2017. Desde o nosso 1º álbum (Ninguém é Santo – 2014), onde a capa é inspirada no filme ‘Cães de Aluguel’, do Tarantino, sempre trabalhamos as capas, tanto de singles quanto de álbum, baseadas em algum filme ou em alguma série.

No segundo álbum da carreira de vocês há diversas participações especiais, como foi o convite para este pessoal?

Gabriel Martins (vocalista):

Todos os convidados do álbum são amigos de trajetória. O JP Corsini, que compôs comigo a introdução, já havíamos trabalhado juntos em algumas bandas no interior de SP há 10 anos, o Fábio Laguna (Hangar/Angra), é da minha cidade natal (Mococa). Nos conhecemos há muitos anos e fazia tempo que estávamos projetando alguma coisa juntos. Rolou da melhor forma, na faixa ‘Cachorro Louco’. Na balada acústica (Pronto pra Rodar Parte II) tivemos a participação do percussionista Marcos Marques. Ele morou comigo durante 2 anos e trabalhamos por quase 4 anos juntos numa escola de música de São Paulo. Então, quando, em conjunto com nosso produtor Wagner Meirinho, decidimos que esse som precisava de uma percussão brazuca engajada, não pensamos duas vezes em chamá-lo. E também tem a Cyz Mendes, que cantou comigo nessa faixa. Ela está trabalhando num projeto do Titãs e também participando do programa ‘Canta Comigo’, da Record. A gente se conheceu na noite e daí veio a parceria. Todas de uma forma bem natural, respeitando os processos de cada som. Vieram pra somar e muito.

Atualmente vocês estão em turnê pelo interior paulista, como é tocar para este público?

Victor Firmino (guitarra)

A vibe é muito boa! Tocamos para pessoas de diversas faixas etárias. Nem todas possuem condições, tempo e disponibilidade para viajar à capital (onde tocamos com mais frequência) e acompanhar alguma data nossa ou de nossos festivais autorais. Ver a galera que realmente curte nosso som e nosso show é do caralho. Cada show é único. A gente tem uma troca muito forte com público. A galera vibra de uma forma muito positiva, onde realmente recarrega nossas energias, que é o nosso combustível. Sempre nos sentimos muito queridos e envolvidos pela galera. O legal é que além dessa experiência toda, tem um lance interno muito forte. A estrada amadurece e fortalece muito uma banda. Esse é o momento em que estamos mais unidos ainda. Sempre passamos por alguma situação onde aprendemos algo. Há sempre uma evolução espiritual muito grande, sabe? Para a Mattilha, é sempre uma honra abrirmos novas portas em novos lugares e, mais ainda, sabermos que as deixamos abertas, pois com certeza voltaremos.