Entrevistas

Moonspell: Fernando Ribeiro fala sobre o álbum 1755 e os shows no Brasil

Dramaturgia conceitual criada para “1755” retrata o grande terremoto que devastou Lisboa

Paulo Mendes


Dramaturgia conceitual criada para “1755” retrata o grande terremoto que devastou Lisboa

Fernando Ribeiro, vocalista da banda Moonspell, respondeu diversas perguntas enviadas por e-mail pelo site Headbangers News e pôde dar mais informações sobre o novo e elogiado trabalho 1755, assim como sobre os quatro shows marcados para o final do mês de abril.

Os comentários têm sido muito positivos no novo álbum. Como é chegar ao 12º trabalho com tanto fôlego?

Bom sinal. Moonspell está na cena há tanto tempo que o público está um pouco no tudo ou nada com a gente, e essa é uma fasquia elevada. Na verdade, nós nem ligamos muito a essa pressão, estamos mais concentrados em sermos criativos e ter algo que (ainda) fascine as pessoas. 1755 parece ser um dum desses momentos, por isso estamos a aproveitar este disco também, tanto quanto os fãs.

Desde a concepção e a temática do álbum, assim como ele é cantado, como é voltar às raízes portuguesas?

As raízes portuguesas são indissociáveis da banda. Estão presentes desde o primeiro disco, manifestaram-se em diferentes ocasiões , mas agora sim chegaram ao sue ponto alto ao envolver a língua Portuguesa como totalidade da expressão do disco e algo que adiciona à história do Terramoto de Lisboa. Um dos eventos mais importantes mas mais esquecidos do nosso longo percurso quanto nação que quase nos destruiu, mas que possibilitou um Portugal mais justo e mais à sua imagem.

Toda esta tragédia, ocorrida há tanto tempo, ainda ecoa na cultura e memória de Portugal?

Nem por isso. Claro que é matéria nas escolas, nas Universidades e varias gerações sabe desse acontecimento. Mas o Português odeia falar da “desgraça” e o Portugal que se canta hoje é outro, mais a imitar o Brasil “luminoso” mas deixando de fora a referência ao dark side que existe em ambos os países: perigo sísmico, corrupção, capitalismo desenfreado.

O terror e o gótico são temas bem recorrentes na obra do grupo, podem citar trabalhos ou referências para sua inspiração?

Muita coisa, em especial Literatura. Para além de todas as bandas de Metal e de Gótico que são influencias para nós sempre encontrámos um universo mais extenso que só a música. Os livros de poesia decadentista como Baudelaire, peças de Teatro como o Fausto de Goethe, o universo visual de Edward Gorey ou do actor Bela Lugosi. Acho que a nossa musica é como uma encontro sonoro desses universos.

Quando surgiu a ideia de fazer uma versão de “Lanterna dos Afogados”, dos Paralamas do Sucesso?

Há algum tempo. Sempre achei esse tema de Paralamas um sério candidato a uma versão dos Moonspell. Sempre acharam que esta brincando mas quando surgiu o 1755 consegui encaixar essa peça finalmente. A letra sobre o mar, o regresso incerto, as lanternas que alumiam, era o final perfeito, bem Doom, para este disco e acho que acertámos em cheio. Ficámos super contentes com a versão e com o inesperado momento.

Após a turnê mundial do álbum 1755, já existem novos planos?

Sim. Muito tempo na estrada. Já percorremos Europa, Rússia, aproxima-se América Latina e depois EUA e Canadá. Em 2019 haver~es, haverá ainda algumas tours e estamos entretendo a ideia de um novo disco, em inglês, na continuidade de Extinct. Entretanto, no Verão sai o nosso DVD Lisboa Under the Spell.

Querem deixar uma mensagem aos fãs brasileiros?

Não deixarem pedra sobre pedra. Este é o nosso momento do agora ou nunca com o Brasil queremos ver casa lotadas, sem desculpas, e sentir que tudo esse amor pelo 1755 que está vindo do país irmão é verdadeiro, e do coração.