Entrevistas

Sinaya: novo disco, nova formação e novo clipe

Tive a oportunidade de conversar com a banda Sinaya, grupo de death metal fundado em 2010 exclusivamente por mulheres, que tem despontado como excelente representante do cenário nacional.

A arte da capa de "Maze of Madness", concebida pelo designer João Duarte, autor de capas para bandas como Metal Church e Torture Squad

A arte da capa de "Maze of Madness", concebida pelo designer João Duarte, autor de capas para bandas como Metal Church e Torture Squad

Na véspera da gravação do segundo clipe da carreira, “Abyss to Death”, sob a direção de Júlio Bueno, elas me receberam depois de um ensaio no estúdio Dual Noise. Revelaram diversas novidades: o grupo tem uma nova baixista, Bruna Melo, um novo álbum a caminho, Maze of Madness, e novos rumos depois do novo clipe que estreia dia 08 de Março.

Atualmente o Sinaya é composto por Mylena Monaco (vocais), Renata Petrelli (guitarra), Bruna Melo (baixo) e Cynthia Tsai (bateria).

(e/d) Bruna, Renata, Cynthia e Mylena, com nova formação, a banda prepara o novo álbum

Carlos Pupo/Headbangers News


(e/d) Bruna, Renata, Cynthia e Mylena, com nova formação, a banda prepara o novo álbum

Vocês têm uma retrospectiva muito boa, abrindo shows para bandas renomadas(Suffocation, Amon Amarth, Vader, Exodus, Rhapsody, Primal Fear), vocês atingiram o patamar que queriam?

Renata: Eu acho que nos últimos dois anos nós conseguimos conquistar umas coisas bem legais, realmente a gente começou a sair do amadorismo e estamos tentando melhorar outras coisas para sermos profissionais. Não está no ideal, mas a gente está no caminho para que isso em breve aconteça.

Mylena: Eu acho que sempre dá para melhorar, dá para evoluir e conseguir coisas melhores, mas o patamar mesmo não uma fórmula. Patamar é o que cada um quer para si e chegar (nele).

Vocês tinham até então um EP (Obscure Raids) e agora vocês vão lançar este álbum. Qual é a expectativa e o conceito para este novo álbum?

Mylena: Eu acho que a galera está mais ansiosa que a gente. Nós lançamos o EP em 2013 e desde então a gente só lançou um single, o “Buried by Terror”. Todo mundo agora está na expectativa para o álbum. O álbum retrata vários tipos de loucura, então cada letra aborda um tipo de loucura, desde sua loucura interior quanto à loucura em massa, em que temos uma música que fala da guerra. Sua loucura interior (a ponto de cometer um suicídio), que vamos retratar no nosso clipe, que será lançado em Março. Enfim, vários tipos de loucura da sociedade e que o ser humano pode ter.

Este é o segundo clipe da carreira da banda?

Mylena: Este é o segundo clipe da banda.

Renata: A “Buried by Terror” já estará neste CD, na verdade não era pra termos um espaço tão grande entre um clipe e outro, mas coisas acontecem. No primeiro álbum a gente aprende muita coisa. Este clipe retrata basicamente o que a Mylena falou. A questão do limite do ser humano, quando ele começa a perceber ou achar que não dá mais e a vida talvez não importe tanto. Perde o sentido. O álbum acaba querendo mostrar todos os tipos de medo, frustrações, e problemas que pessoalmente ou em sociedade a gente passa. Por isso o nome Labirinto de Loucura (Maze of Madness, previsto ainda para este ano).

Além do clipe, em Março (dia 10) a banda participa do Guaru Extreme Fest, vocês vão tocar as músicas do novo álbum no festival?

Mylena: A gente vai tocar algumas músicas do álbum, não todas. O álbum completo só a partir do nosso show de lançamento, que ainda não tem data marcada. É bem legal este festival, sempre rola em Guarulhos, o organizador é muito amigo nosso. Estamos muito ansiosas, será nossa estreia com a nova baixista, a Bruna.

Eu descobri que a Cynthia Tsai, baterista, faz um trabalho beneficente. Explica um pouco deste trabalho.

Cynthia: Eu faço parte do grupo Hi Hat Girls, nosso objetivo é ensinar as meninas e mulheres a tocarem bateria. Fazemos todo o mês, no mínimo, uma turma com 15 a 30 meninas (crianças e mulheres) em que a gente dá uma oficina de bateria. A gente ensina as peças da bateria, uma coisa bem básica e faz um exercício com cada uma delas para incentivar e ensinar que elas são capazes de tocar bateria também. É totalmente gratuito, é só se inscrever pelo Facebook, a gente faz um sorteio. São 20 vagas e 500 pessoas inscritas por vez ou até mais. Estamos crescendo, antes era só no Rio de Janeiro, e agora começou em São Paulo, Brasília, Bahia, Minas Gerais. A gente está crescendo bastante, no final das contas é tudo do coração, é chegar naquela menina que fala ‘poxa, sempre quis tocar bateria, mas meus pais acham que é instrumento de homem’.

Tem muito disso? Você enfrentou isso?

Cynthia: Só tem, com certeza! Meus pais apoiaram naquele “esquema”, não queria mas… Antes de tocar bateria, eu tocava teclado, todo “bonitinho”, “lindo”, e aí (disse) vou tocar bateria. Eles nunca proibiram, mas deram um incentivo meio “tímido”. Né?

O Hi Hat Girls é exatamente pra isso, pra mostrar para as meninas que existem sim muitas mulheres bateristas e que elas podem ser bateristas também. É meio psicologia, meio aula, bem legal.

Bruna (nova baixista), como é este seu processo de adaptação à banda?

Bruna: Está sendo bem bacana. As meninas me receberam muito bem, são super atenciosas comigo desde o começo.

Quando houve este convite?

Bruna: Este convite veio em Dezembro, assim que conversei com a Renata, que me chamou para contar sobre a necessidade de uma nova baixista, no dia seguinte eu já havia concordado. Eu fazia parte de outra banda (Artaxe), mas era outro foco.

Logo após ter topado fazer o teste, eu sofri um acidente do moto e meu braço ficou um mês enfaixado. Elas me esperaram. A gente fez o ensaio e no mesmo dia e a química rolou legal.

Nada de passeios radicais agora?

Bruna: Olha, eu preciso da moto. Uso a moto todo dia, mas agora estou mais cuidadosa.

Renata: Inclusive eu já conhecia a Bruna há alguns anos, acho que há uns 2 ou 3 anos mais ou menos. Eu e a Mylena nos conhecemos há muito tempo (10 anos) e precisa ter aquele entrosamento de ‘vibe’, sabe? Quando você toca, consegue sentir se tem uma química com a pessoa com a qual você está tocando. Depois de alguns anos de estrada, não é simplesmente pegar e vir uma pessoa e tocar. Precisa ter aquela química, aquela química de ideia.

É um time, não é?

Mylena: É uma família.

Renata: É uma questão de valores, de muitas coisas. Até porque somos uma banda independente, precisa ser um time, uma família, todo mundo focado no mesmo objetivo. É pelo prazer. O dinheiro e o sucesso são conseqüências do que você está fazendo com prazer.

Sobre o projeto beneficente para incentivar meninas a tocarem bateria, confira no link abaixo:

https://www.facebook.com/HiHatGirlsMagazine/

Novidades sobre a banda no site oficial:

http://sinayaofficial.com