Entrevistas

Symptomen: Iago Pedroso fala sobre a produção do 3º álbum do grupo

Iago Pedroso, vocalista e guitarrista, da banda Symptomen concedeu entrevista ao site Headbangers News. Conheci a banda durante um show em Votorantim, interior de São Paulo, em que abriram o show do Noturnall uma edição especial do Palco Livre, que celebrava o Dia Mundial do Rock em julho de 2017. A performance do grupo me deixou bem impressionado e resolvi pesquisar mais e descobri alguns vídeos no YouTube.
A banda foi formada em Tatuí em maio de 2011 e passou por algumas mudanças desde sua fundação. A formação original consistia em Iago Pedroso (Guitarra e vocal), Tiago R. Floyd (Guitarra), Manassés Procópio (Baixo) e Luíz Júnior (Bateria).
Luíz Júnior foi substituido por um mês logo no início do projeto por William Rochel (Ex-Pettalom), e após 9 meses, Luíz se despediu de vez da banda para a entrada do baterista Ricardo Menezes. Esta formação se manteve de 2012 até 2017. Em Agosto de 2012 a banda foi a vencedora do 1° Die Fight Metal Battle. Festival no qual reuniu 10 bandas de Sorocaba e região numa “batalha” pelo prêmio de um vídeo clipe profissional.
O vídeo clipe foi gravado para ‘Living in Danger’, música do primeiro álbum da banda: “Men Against Men”, lançado pela DieFight Records em setembro de 2012.
A banda lançou em 2014, seu segundo álbum oficial, intitulado “Into The Future”, e um novo videoclipe da música “Heavy Metal in Blood”.
Em 2015 a banda assinou com a DeFox Records, selo italiano que distribui os dois álbuns e videos nas plataformas digitais como iTunes, Spotify, Youtube etc.
Em fevereiro de 2017 Tiago R. Floyd se despediu da banda; em seu lugar entrou o guitarrista Kim Malthus. E no início de 2018 a banda começou a fazer parte do casting da MS Metal Agency.
O Symptomen atualmente está em processo de pré-produção de seu 3° CD, intitulado “Welcome to Brazil”.

A banda teve uma excelente receptividade da crítica e é muito elogiada por suas performances ao vivo. O quê muda neste novo álbum com um novo guitarrista?

Primeiramente obrigado pelo convite, Carlos! Nosso novo guitarrista sem dúvida ajudou a dar um gás na banda. Começamos a compor para o novo álbum ainda com o antigo guitarrista no início do ano passado, mas tudo estava muito devagar, sem muito progresso. Essa mudança na formação foi um “wake up call” para nós e começamos a enxergar melhor onde queríamos chegar. Kim (novo guitarrista) é um excelente músico e muito criativo; tem contribuído nas composições mais que qualquer integrante antes, então essa troca se mostrou realmente necessária. O novo álbum traz como temática meu ponto de vista pessoal sobre algumas questões do Brasil, e da parte musical garanto que será nosso melhor trabalho até então, principalmente pelo espírito de equipe que estivemos desenvolvendo nos últimos meses.

Um novo agenciamento faz diferença para divulgar o trabalho?

Com certeza. Ser divulgado e ser agenciado é muito importante para o profissionalismo da banda. Estamos com a MS Metal há apenas 3 meses, mas já temos muitas novidades legais que serão reveladas nos próximos meses. Aguardem…

O brasileiro está muito descrente de seus representantes. Com a temática das mazelas do país em seu novo álbum, o quê dá pra melhorar no Brasil?

Olha cara, esse novo trabalho aponta questões como corrupção política, estelionato de igrejas, racismo, desigualdade social… mas dentre todas essas problemáticas, creio que a base de tudo é a falta de cultura e educação do nosso povo e a corrupção que está instaurada em cada um de nós. Nossa história vem de pura exploração e sofrimento… não dá pra esperar que simplesmente apareça um salvador do nada. No meu ponto de vista, precisamos de mais empatia e menos ambição. Para melhorar o país, precisamos nos melhorarmos primeiro.

Quais são as maiores dificuldades para uma banda de heavy metal se estabelecer no mercado fonográfico e no cenário headbanger nacional?

O mercado do metal é de nicho, muito restrito e com muito pouco apoio, especialmente no Brasil, mas como você citou o “mercado fonográfico” eu tenho que dizer que a maior dificuldade é que o público geral não me parece interessado em ouvir coisa nova com conteúdo. Este público quer uma música direta, com ritmo dançante e que não necessite qualquer reflexão sobre a temática. Eu não espero que apenas headbangers escutem e gostem do nosso som. Apesar de nosso estilo, nada impede que qualquer pessoa se interesse, principalmente pela temática que trazemos. Mas claro que a realidade não é essa e de fato já é difícil atingir apenas os headbangers, mesmo eles sendo um público relativamente pequeno e mais interessados pela nossa sonoridade. Mas deixando um pouco de lado a parte da “culpa” do público, a maior dificuldade é ter uma divulgação realmente massiva. Algo que envolve muito dinheiro e pouca chance de retorno.

Que planos o grupo tem para este semestre e para 2019?

Agora, no final de julho, vamos dar início à produção do álbum. Estaremos gravando nos estúdios da Fatec Tatuí, onde estou me formando em produção fonográfica. O estúdio foi recém reformado e está com uma estrutura incrível! Pretendemos ter o álbum pronto para o lançamento digital em outubro e físico em dezembro, provavelmente lançaremos alguns singles digitalmente antes do álbum completo, provavelmente faremos também um show de lançamento do CD. Para 2019, vamos nos focar na tour e divulgação do álbum, mas nada impede que coisas novas sejam lançadas, mesmo que singles.