Entrevistas

Wolf Hoffmann fala sobre o sucesso do Accept


Wolf Hoffmann, que está no Accept desde 1976

Nuclear Blast Records


Wolf Hoffmann, que está no Accept desde 1976

O Accept volta ao Brasil neste mês de novembro com a turnê do aclamado ‘The Rise of Chaos’, décimo quinto álbum de estúdio da banda. Falamos com líder do grupo, o guitarrista Wolf Hoffmann, que revelou o “manual” seguido para as composições, o segredo do sucesso, sua relação com o ex-vocalista da banda (Udo Dirkschneider) e as expectativas para as apresentações no país.

“The Rise of Chaos” retrata um cenário distópico e destruído. Você acredita que a humanidade tem salvação?

Wolf Hoffmann: A humanidade nunca deveria deixar acontecer o que acontece em alguns lugares deste belo e frágil globo. Salvação? Deve vir de cada um de nós, da ciência e da política. Eu acredito firmemente em um ser humano melhor em nós! É muito confuso para mim. Nós viajamos pelo mundo e quanto mais o fazemos, é mais óbvio que todos nós somos iguais: nós vamos e voltamos da mesma maneira, rimos e choramos da mesma maneira, cantamos e dançamos e amamos a vida, tudo da mesma forma. E quando eu vejo nos rostos muito felizes na nossa frente – não importa onde estamos – eu tenho dificuldade em assistir as notícias, onde tudo parece perdido e as pessoas com as quais acabamos de estar supostamente nos “odeiam”. De verdade? Todos nós bebemos água diferente, comemos coisas diferentes? Não onde eu vou, em lugar nenhum. Então, provavelmente é melhor deixar tudo isto para trás, não ouvirmos aqueles que querem nos dizer o contrário! Você e eu, somos a verdade. Mas ei? Este sou apenas eu pensando…

Este é o primeiro álbum com Uwe Lulis e Christopher Williams. Como foi trabalhar com eles?

Wolf Hoffmann: Tudo é incrível, muito legal com eles. Mas, por favor, não se esqueça: há 40 anos a maneira como criamos e escrevemos nossa música nunca mudou e nunca irá mudar. Compreendo que nem todos podem entender nosso caminho e viver com isso, mas é assim. Encontramos nossos ingredientes, nosso sabor, nosso espírito, nosso groove e nosso conjunto mental, onde Accept foi e ainda é. Os músicos podem ir e vir, por isso rejeitamos a idéia de que isso é algo ruim! Você deve olhar para a criatividade, na produção do compositor. Após um hiato de quase 15 anos, voltamos e de acordo com a filosofia comum, enfrentando um mundo mudado, em ambientes técnicos completamente diferentes (quando paramos em 1996, começamos a usar computadores) e isso não foi um risco pequeno! Mas o que aconteceu? As nossas antigas músicas, entretanto, foram alçadas para clássicos do rock e são copiadas e executada por muitos! E estão qualquer coisa, menos mortas. Nossa nova música nos colocou de volta ao mesmo no topo de onde partimos. E é por isso que estamos no céu. Nós ficamos nas listas das mais tocadas em todo o mundo com cada álbum e até mesmo permanecemos desde 2010 na lista dos 10 mais vendidos da Alemanha, onde competimos com os maiores do mundo. (The Rise of Chaos – 3º lugar, Blind Rage – 1º lugar, Stalingrad – 6º lugar e Blood of The Nations – 4º lugar).

Estamos felizes e ainda acredito que minha melhor música ainda não foi escrita e nem a do Peter (Baltes). Estamos revigorados, prontos para o que der e vier, ainda tem mais!

Tenho lido comentários muito positivos sobre o novo álbum. Minha impressão foi muito positiva também e acredito que vocês mantiveram a inspiração dos três excelentes álbuns anteriores. Você poderia falar um pouco sobre o processo criativo que resultou em “The Rise of Chaos” e como foi a recepção dos fãs?

Wolf Hoffmann: Como mencionei anteriormente, encontramos o que estávamos procurando há muito tempo atrás e nosso “manual” nunca foi reescrito! No entanto, se a química entre os músicos é boa, e neste caso é fantástica, isto influencia muito. Nós nos encontramos no palco e isso é algo que eu agradeço todos os dias da minha vida.  Como em um casamento, aquele que você se divorcia não tem que ser uma má pessoa… apenas pode não ser a pessoa certa e tudo aquilo que vem com o casamento.

Nuclear Blast Records


Vocês vêm em uma curva ascendente desde a chegada de Mark Tornillo ao grupo. Isso foi há 8 anos. Te chateia quando as pessoas ainda perguntam sobre Udo Dirkschneider?

Wolf Hoffmann: Absolutamente não. Exceto que ele deixou Accept há 30 anos, quando escrevemos um álbum completo para ele antes mesmo de escrever o nosso. 100% sem sobras, 100% sério – dando o nosso melhor. Gaby (esposa de Wolf Hoffmann) gerenciou sua carreira por mais um ano e conseguiu um começo fantástico que todos podem perceber. Ele estava dentro e fora da banda algumas vezes depois disso e isto deve ser prova suficiente que na verdade não nos separamos como inimigos. No entanto, muito raramente somos questionados sobre ele diretamente e eu, a propósito, não acharia apropriado. Depois de três décadas, eu diria que os tempos mudaram e seguimos em frente. Ele está honrando as músicas Accept até agora, temos muitas bandas que estão fazendo isso e acho isso é muito bom. Temos fãs que amam sua voz cantando canções Accept. Estamos orgulhosos de nossas músicas, não importa quem as execute! Ser homenageado dessa maneira não é pouca coisa, não é?

Eu assisti a sua performance no festival Monsters of Rock em São Paulo em 2015, parece que a banda cresce nas apresentações ao vivo. O que podemos esperar para concertos programados em importantes capitais brasileiras?

Wolf Hoffmann:  Nós esperamos o mesmo. Um ótimo show, com uma ótima plateia. Imagino que somos o reflexo direto do entusiasmo dos nossos fãs. Eles nos incendeiam, é isso que esperamos e o que eles podem esperar. Vamos detonar juntos e botar a casa abaixo! Espero ver vocês em breve!