Resenhas

Rammstein

Rammstein

8.5

Desde o momento em que o single Deutschland foi liberado, fiquei com uma grande curiosidade para ouvir o restante do novo álbum da banda alemã Rammstein. Após um hiato de dez anos, este novo material é revigorante. No videoclipe de Deutschland o grupo já havia mexido nas feridas de suas raízes alemãs, incluindo o regime nazista.

Neste sétimo álbum auto-intitulado “Rammstein”, o grupo mostra que não tem vergonha e comenta em suas letras sobre a natureza humana ao fundo do metal industrial com uma pitada a mais de música eletrônica. Aliás, este talvez seja o álbum com mais elementos eletrônicos de sua carreira.
O vocalista Till Lindemann está inspiradíssimo em suas interpretações, com guitarras inquietantes e a pulsação eletrônica com se fosse uma balada soando ao fundo. Aliás, a música que mais soa como uma balada é “Ausländer” (Estrangeiros), que poderia ser tocada por qualquer DJ de casa noturna da noite paulistana. Particularmente, achei que soa exageradamente pop, mas isto é uma questão de gosto pessoal.

Há também uma música singularmente nomeada “Sex”, que tem uma batida interessante e fala de se entregar à luxúria com uma parte do refrão dizendo “Komm her, denn du willst es doch auch” (Venha aqui, porque você também quer).
O sexteto aumentou seu lado sinistro neste trabalho, o maior exemplo disto é a faixa “Puppe”. Para quem não entende alemão, as nuances da poesia de Till são perdidas, mas seu testemunho pode ser sentido com o peso da interpretação de suas palavras com um timbre profundo e sua voz distinta.
Numa avaliação geral, a fórmula do grupo foi refinada, sem perder a essência dos álbuns anteriores que tornaram a banda famosa. “Rammstein” é pervertido, angustiado e ridiculamente teatral.