Resenhas

Go Tell the Bees

Bastion's Wake

Avaliação

10

Bastion’s Wake chega com seu novo álbum, ‘Go Tell the Bees’, o segndo disco após mais de 5 anos, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de folk sombrio com doom metal, death melódico e tons góticos, com toques de misticismo que refletem sua trajetória underground e independente. O disco conceitual de 10 faixas mergulha em temas que exploram o luto, perda e o despertar da esperança, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas. Este álbum é mais um passo firme em sua jornada sonora. Gravado com emoção sincera, os vocais de Sami, capturados no processo de produção, supervisionado por Øystein G. Brun do Crosound Studio na Noruega, adicionou uma qualidade cinematográfica ao álbum, adicionando um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.

 

A abertura com “Motanka ” já mostra suas origens enigmáticas através de um prelúdio, que junto com a estética da banda, á primeira vista, nos faz pensar que seja algo voltado ao folk e inspirados em bandas como Nightwish, Blackmore’s Night e afins. Bem, é quase isso, mas com muitas influências a mais. Gravado no Electric Fossil Studios em Milford, Delaware, com o engenheiro de som Kirby Fitzgerald, este álbum demonstra o crescimento e a proeza musical da banda.

O disco começa mesmo com “Willow’s Ruse”, com riffs pesados e muito inspirados em bandas norueguesas. Uma mistura de metal e gótico, com sentimento profundo, muito semelhante ao Tristania – e logo de primeira eu amei essa faixa, pois conseguiu me trazer uma nostalgia profunda. Logo na primeira faixa o artista transmite sua lamúria e dor emocional, onde ele perfura o ouvinte. O introsamento da banda  infundem o álbum com um som único e cativante que o diferencia. Eu amei essa primeira faixa.

Em “(Don’t) Tell the Bees”, que ganhou um videoclipe oficial, temos o tom místico do folk com violão suave e slide guitars melódicos mas mantendo o peso do metal, com um instrumental mais trabalho e emocionado. Os vocais perfeitos e profissionais de Sami trazem a inspiração de Tarja, Simone Simmons e outras cantoras aclamadas, mas com uma autenticidade difícil de ignorar. O disco tem variações de sentimento, esta faixa lenta e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação, com flautas e outros instrumentos mais regionais, como se estivéssemos em uma floresta mística.

“Tiny Box” resgata uma pegada old school do gothic metal dos anos 90 com pianos robustos e densos, além de riffs de guitarra pesados que faz qualquer um bater o pé no chão ao ritmo da batida, um hit poderoso de primeira linha que, mais uma vez, trouxe a nostalgia maravilhosa de ‘Widow’s Weeds’ álbum do Tristania e tons de Theatre of Tragedy – ambas bandas norueguesas, e apesar de Bastion’s Wake ser americano, eles trazem essa produção noódica. Essa faixa é muitoprofunda e sentimental, mesmo quem não entende a língua em que está sendo cantada, se emociona.

Já “This is Home” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com linhas de guitarra ,ais suaves, com backing vocals de arrepiar, que acompanham os vocais operísticos de Sami, que logam mostram potência, mostrando outra faceta com agressividade. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte.

Na seguinte, “Dream of you Tonight”, Eoin Shannon explora a tortura da alma com um som mais soturno, onde o piano se destaca com uma linha minimalista e poderosa. O artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante. “Sitting by the Fire” inicia com sussurros – impossível não lembrar da canção do Crash Test Dummies, “Mmm Mmm Mmm Mmm”. O folk nesta é suave e bem sentimental, mas os vocais arrastados e pesados perfuram o coração como Nick Cave faz.

“Pathos” é  denso e melancólico, trazendo mais uma vez o tm sombrio e melancólico, com linhas de pianos acústico e toda angústia que se espera de uma faixa desse estilo, junto dos vocais etéreos de Sami, criando uma ambiente cinzento e introspectivo, aqui tem muita inspiração em Epica – um hino poderoso para o público cantar no show com as luzes do celular ligadas. Já “Lighthouse” surge como uma faixa ritualística, cheia de percussões e uma atmosfera tensa, quase uma introdução mística, que ganha peso e novamente, mostra a faceta vocal de Sami, que consegue apresenta sua técnicas em vários estilos de vocais. Esta faixa tem mais tom de rock’n’roll, marcada por vocais ressonador que parece invocar algo ancestral.

A oitava faixa, “Run Away” mistura o metal alternativo mais moderno, uma combinação inesperada, mas que funciona surpreendentemente bem, com instrumentação simples de guitarra, baixo e violão melancólico mas satisfatório. Aqui talvez seja a canção mais comercial do disco, perfeita para conquistar um público mais diverso, e a melodia conquista, com refrão que gruda fácil na mente, eu adorei essa faixa, perfeita para cantar como um hino no show. “Nimue” retorna ao cinzento, lembrando as faixas iniciais do álbum e preparando o terreno para o fechamento. Aqui sentimos a energia do inverno, com um instrumental mais acústico e que lembra tons etéreos de Dead Can Dance, e um efeitos medievais bem emocionantes, seria perfeita para trilha sonora de um filme épico.

Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos “Sunflower”. Aqui, A BANDA nos leva de volta ao básico mas grandioso, elegante e nostálgico, que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo. Outro hino inspirados em bandas de gothic metal dos anos 90, mas aqui tem o tempero único de Bastion’s Wake – o som de passarinhos no final é surpreendente.

Bastion’s Wake entrega uma obra que mistura peso, melancolia e experimentação, tudo com um toque místico que só eles sabem fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez.