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Necrobutcher fala sobre morte de ‘Dead’: “Euronymous e Hellhammer não eram realmente bons amigos dele”

29 de novembro de 2025


Prestes a desembarcar no Brasil para celebrar 40 anos de história, o Mayhem é uma das bandas mais importantes da cena norueguesa de black metal, o Mayhem é considerado um dos pilares do estilo, ajudando a definir a estética, o som e a postura extrema que marcaram o gênero nos anos 1990. Sua história, porém, é inseparável de uma série de controvérsias que a tornaram célebre e infame ao mesmo tempo. O show acontece dia 7 de dezembro, na Vip Station, em São Paulo.

O grupo enfrentou tragédias internas, incluindo o suicídio do vocalista Dead em 1991 e o assassinato do guitarrista Euronymous em 1993. Esses episódios moldaram a narrativa em torno da banda e influenciaram profundamente a cena. Mesmo assim, o Mayhem segue ativo e respeitado, mantendo sua posição como uma das formações mais emblemáticas e impactantes do black metal mundial.

Em entrevista exclusiva, e rara, ao Heavy Metal Online, o baixista e fundador do Mayhem, Jørn “Necrobutcher” Stubberud falou pela primeira vez detalhes íntimos sobre sua relação com Pelle “Dead” Ohlin, primeiro vocalista que se juntou ao Mayhem em 1988 e se suicidou três anos depois.

Durante a entrevista concedida recentemente, Necrobutcher admitiu que se sentia responsável pelo jovem vocalista, na época, com 22 anos: “Dead estava aqui na Noruega sem nenhuma família, sem nenhum amigo. Ele só tinha nós, a banda. EuronymousJan [Axel Blomberg, baterista conhecido como Hellhammer] não eram realmente bons amigos dele. E eu era seu amigo, mas estava morando com minha namorada, alguns quilômetros de distância, enquanto eles estavam todos morando juntos em uma casa grande. Desde que ele veio, eu me senti um pouco obrigado a ajudá-lo, porque obviamente ele estava longe de todos que conhecia e de tudo. Ele não tinha lugar para ficar, não tinha dinheiro para comida, nada. As coisas mais simples.”

Dead havia avisado sobre suas intenções suicidas, mas não para Necrobutcher, que sentia-se obrigado a cuidar dele: “Quando ele se matou, ele havia avisado as pessoas. Ele disse ao Hellhammer que tinha uma faca muito afiada, e ele até disse ao Euronymous que ia se matar naquele fim de semana. Mas ele não me disse nada. Se você pensar sobre isso, ele sabia que eu ia ficar chateado. Então, por isso, ele não diria isso para mim. Mas esses dois outros caras não importavam, porque ele sabia que eles não eram tão próximos assim. Isso me disse muito depois, e claro, me deixou ainda mais triste”.

Ainda na entrevista ao Heavy Metal Online, Jørn fez uma reflexão maior a respeito da morte e de como ela marcou sua trajetória. Ele lembra que sua mãe certa vez comentou: “Você tem 22 anos e eu tenho 50, e você conhece mais pessoas mortas do que eu conheço.” Segundo o músico, essa lista de perdas só aumenta: “As pessoas que eu conheço que faleceram, está apenas dobrando e dobrando e dobrando. Suicídio, câncer, acidentes de carro… o tempo todo, parece. Overdoses de drogas também”, descreve.

Mesmo com tantas lembranças dolorosas, Jørn afirma que há algo significativo no interesse contínuo pelo legado de Dead e Euronymous: “É tão incrível que alguém se lembre e preste tributo a algumas pessoas que eu conhecia que morreram muito jovens. E que as pessoas ainda pensam neles.” Ele observa que, ao contrário de outros amigos que partiram cedo e acabaram esquecidos, os dois permanecem presentes no imaginário do metal extremo: “Esses dois caras que estavam na minha banda, eles ainda… as pessoas ainda falam sobre isso, você ainda fala sobre eles, todo mundo ainda fala sobre eles.”