Chegando ao seu décimo sexto álbum de estúdio, o Kreator apresenta “Krushers Of The World”, lançamento pela Nuclear Blast em parceria com a Shinigami Records no Brasil. Mais do que um simples novo capítulo, o disco reforça uma fase muito bem definida da banda alemã: uma insistência consciente em uma fórmula que vem sendo lapidada desde “Phantom Antichrist” e que, gostem ou não, tem rendido frutos. Aqui, o grupo aposta novamente no equilíbrio entre agressividade, melodias épicas e uma produção moderna, agora com um tempero mais sombrio graças a afinações mais baixas e andamentos, em alguns momentos, menos apressados.
Desde os primeiros riffs, fica claro que o Kreator segue fiel ao caminho trilhado nos últimos quatro álbuns. A abordagem veloz e melódica continua sendo o alicerce do som, com paralelos cada vez mais evidentes ao Arch Enemy — especialmente na forma como os riffs se articulam e nos refrões grandiosos. Em “Krushers Of The World“, essa semelhança se intensifica com o uso de afinações mais graves, que deixam o clima mais denso e obscuro, sem que a identidade da banda seja diluída.
Faixas como “Seven Serpents”, “Satanic Anarchy” e “Tränenpalast” evidenciam bem essa proximidade com o Death Metal Melódico. O destaque vai para essa última, que conta com a participação de Britta Görtz, do Hiraes. Seus vocais guturais cortantes remetem imediatamente à fase de Alissa White-Gluz no Arch Enemy, adicionando uma camada extra de brutalidade e contraste à música.
Por outro lado, o Thrash Metal mais tradicional ainda tem espaço garantido. “Blood Of Our Blood” combina versos agressivos com um refrão melódico e memorável, enquanto “Psychotic Imperator” aposta em um riff afiado e um refrão marcante, daqueles que ficam na cabeça após poucas audições. Já “Deathscream” olha claramente para o passado, com um riff que remete diretamente aos anos 80, resgatando a veia mais crua do Kreator clássico.
O álbum também se permite respirar em faixas de andamento mais cadenciado. A faixa-título, “Krushers Of The World”, é pesada, imponente e traz um refrão claramente pensado para ser entoado em grandes arenas. “Combatants” segue uma linha semelhante, com uma pegada mais Heavy Metal tradicional e um refrão forte e envolvente. Essas músicas flertam com a proposta que a banda explorou nos anos 90, trazendo mais groove e cadência, ainda que de forma bem mais controlada e polida.
Fechando o álbum temos “Loyal To The Grave“, talvez a qual reúna todos os elementos citados antes. É cadenciada, com um clima mais épico e melódico. Refrão é marcante e com certeza será ecoado em arenas e festivais. Fecha o álbum com um clima bem contagiante e positivo.
“Krushers Of The World” deixa claro que o Kreator encontrou uma fórmula confortável e vem explorando-a com segurança há alguns anos. Em certos momentos, essa previsibilidade pode soar um pouco cansativa, especialmente para os fãs mais saudosistas. Ainda assim, não há como negar que se trata de um bom disco: a produção é excelente, cristalina, cada instrumento perfeitamente encaixado.
Por outro lado, essa precisão quase cirúrgica pode fazer falta à “sujeira” e à rebeldia dos anos 80 — aquela agressividade mais crua e espontânea que marcou os primeiros trabalhos da banda. Hoje, tudo soa muito bem planejado, detalhista e distante daquele caos juvenil. No fim das contas, talvez isso seja apenas um comentário nostálgico. “Krushers Of The World” é uma audição agradável, consistente e poderosa, que dificilmente desagradará, mesmo que não surpreenda como outrora.
Tracklist:
1. Seven Serpents
2. Satanic Anarchy
3. Krushers of the World
4. Tränenpalast
5. Barbarian
6. Blood of Our Blood
7. Combatants
8. Psychotic Imperator
9. Death Scream
10. Loyal to the Grave