I Forget Myself, um projeto one man band de rock alternativo, entrega em ‘An Exception’ uma obra que é tão sombria quanto arrebatadora. Formado por um cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista experiente que trabalhou como artista independente na indústria musical e tocou em diversas bandas de rock, o projeto constrói uma sonoridade que mistura o peso e melancolia do grunge, passando pelo metal alternativo e nuances de indie. Inspirados por nomes da época de 90, ele cria um universo musical que é profundo, gelado e totalmente imersivo.
O EP de 5 faixas começa com a introdução “The Climb”, uma introdução atmosférica composta por riffs densos e vocais sombrios. É como abrir uma porta para o desconhecido — depressivo e desconfortável, preparando o terreno para o que está por vir. Quando chegamos no refrão, o peso explode. O que começa de forma gradual logo se transforma em uma parede de som poderoso, misturando riffs de efeitos fuzz, batidas de metal e vocais arrastados cheios de emoção. Os vocais se destacam, navegando entre o melódico e o imponente, enquanto guitarras densas criam uma base moderna e carregada de energia.
Em seguida, somos pegos de supresa com “Bygones”, que traz um som cadenciado e brutal, que lembra a pegada de bandas como Alice in Chains e Nirvana. O ritmo é calculado, mas cheio de peso, com guitarras distorcidas que colidem com batidas secas, enquanto o baixo entrega uma força esmagadora. É uma faixa urbana, que soa como a trilha sonora de uma cidade industrial em ruínas. impossível não fechar os olhos e imaginar um mundo brutal, sombrio e dramático.
Já “Magna Catharsis” nos transporta para um lugar completamente diferente, mas mantendo a energia sensual e melancólica do grunge. Quando a guitarra pesada entra, o impacto é imediato, remetendo a algo como Deftones. É grandiosa, cheia de textura, e facilmente uma das melhores do disco. Como explicado no release, ‘An Exception’ marca o retorno do artista a um som de rock refinado e revitalizado, demonstrando suas décadas de experiência através de composições sutis e paisagens sonoras experimentais.
“I Dream Out An Exception” abraça um lado mais metal. O baixo grave e abafado se alia à bateria seca e simples, enquanto as guitarras distorcidas se perdem entre riffs etéreos. Há um magnetismo nostálgico aqui que nos leva direto aos anos 90, mas com uma produção contemporânea que mantém tudo fresco. Essa faixa acelera o ritmo com uma energia versátil e dinâmica. O rock alternativo dos anos 90 domina, com vocais rasgados que flutuam sobre uma base sólida e pesada, criando uma atmosfera que parece estar em constante movimento.
Fechando o EP, “Contexts” é uma surpresa. Com um início seco e lúgubre, ela abraça o rock moderno em seus sintetizadores, em sua forma mais pura. Bateria simples e riffs discretos criam uma atmosfera autêntica, até que elementos dos rock alternativo dos anos 90 entram e transformam a faixa em algo ainda mais interessante — uma ode às baladas melancólicas mas densas e misteriosas. Aqui é um instrumental sombrio que soa como a conclusão inevitável de uma jornada intensa, deixando o ouvinte refletindo sobre tudo o que foi vivido.
Com ‘An Exception’, a banda I Forget Myself entrega um disco que não só desafia rótulos, mas também cria um espaço sonoro único. É para quem ama o peso emocional do Alice in Chains, a escuridão atmosférica de Deftones e a melancolia do rock alternativo dos anos 90. Se você busca algo que misture intensidade, beleza e um toque de mistério, esse é o disco para ouvir — de preferência com as luzes apagadas e a mente aberta.