Dissonância, melodias angulosas, blast-beats e vocais rasgados numa abordagem que soa ao mesmo tempo caótica e cuidadosamente trabalhada, essa é a combinação que fez a banda norte-americana Orchid difundir o screamo (ou emoviolence) mundo afora e se tornar referência máxima deste subgênero do post-hardcore. A banda enfim vem ao Brasil pela primeira vez com show único em São Paulo, neste sábado, dia 24 de janeiro, no Hangar 110 (novo local). A realização é da ND Productions.
Últimos ingressos: fastix.com.br/events/orchid-eua-em-sao-paulo
O evento terá como banda convidada a nova-iorquina Uniform, que mistura elementos de música industrial, punk, hardcore e metal em um som abrasivo e intenso. A banda brasileira magnólia, de screamo, fará a abertura.
Orchid é amplamente referenciada como uma das bandas que ajudaram a cristalizar o som conhecido como screamo/emoviolence no fim dos anos 1990, especialmente na cena costeira leste dos EUA, combinando fúria powerviolence com dinâmicas emotivas.
Lançaram álbuns considerados essenciais para o gênero: Chaos Is Me (1999), Dance Tonight! Revolution Tomorrow (2000) e Gatefold (2002). Há também a coletânea póstuma Totality (reúne EPs e faixas raras).
Diversas bandas contemporâneas citam o Orchid como referência, como Silverstein (Canadá) no início de carreira, Pg.99, Saetia e Respire.
Conheça o som do Orchid clicando aqui.
O Orchid e Uniform também se apresentam no Chile e na Argentina, em uma turnê inédita pela América do Sul realizada pela ND Productions em parceria com as produtoras Monkey e Noiseground.

SERVIÇO
Orchid e Uniform pela primeira vez em São Paulo
Data: sábado, 24 janeiro 2026
Horário: 18h (abertura da casa)
Local: Hangar 110 (rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro – São Paulo/SP)
Ingresso: https://fastix.com.br/events/orchid-eua-em-sao-paulo
Orchid: dos primórdios ao visceral retorno aos palcos
Orchid sempre ocupou um espaço singular no hardcore dos anos 1990: influente sem ser popular, reverenciada sem jamais se tornar consenso. Vinda de New England, a banda construiu sua identidade a partir de tensão estética, rigor ético e uma recusa constante às convenções confortáveis do gênero.
Formada no Hampshire College por Jayson Green, Will Killingsworth e Brad Wallace, com Jeff Salane completando a formação, a Orchid surgiu do intercâmbio típico da cena underground: troca de fitas, referências compartilhadas e afinidade criativa. A ascensão foi rápida. Uma demo, um show local e um split com o Pig Destroyer bastaram para posicioná-la como um ponto fora da curva.
Embora frequentemente associada a rótulos como screamo ou emo-violence, a banda sempre escapou de definições rígidas. Seus integrantes vinham de trajetórias distintas, do indie ao crust e ao hardcore clássico, e essa colisão se refletia na música. O som combinava dissonância, estruturas abruptas e guitarras inesperadamente melódicas, evitando tanto a intimidação quanto o melodrama excessivo.
Durante sua existência original, a Orchid manteve uma relação ambígua com a cena hardcore, marcada por reverência e provocação. Em vez de rejeitar o gênero ou segui-lo fielmente, tensionava seus limites e insistia em mantê-lo vivo pelo confronto.
Após o fim, os integrantes seguiram outros caminhos, sem rupturas definitivas. A reunião, descartada por anos, surgiu de forma pragmática: afinidade preservada e músicas ainda relevantes. O retorno da Orchid não se apresenta como nostalgia, mas como reafirmação de uma proposta baseada em fricção, contradição e intensidade, valores que permanecem centrais em sua obra.
Mais informações em @chaosisorchid
Uniform
Desde sua formação, há mais de uma década, o Uniform tem levado seu trabalho em todas as direções possíveis, sem medo de desmontar o que construiu e recomeçar do zero. Suas explorações sempre partiram de uma inclinação natural para continuar tentando e realizar suas ideias de forma cada vez mais pura, muitas vezes trazendo à vida os mais sombrios pesadelos no processo. Intimidantemente prolífica, a banda segue em movimento constante, como um tubarão, sem nunca parar por medo da morte criativa.
Em 2015, o álbum de estreia Perfect World foi lançado pelo selo 12XU nos Estados Unidos e pela ALTER no exterior. Após a boa recepção, o grupo migrou para a Sacred Bones, onde o aclamado Wake in Fright (2017) foi seguido por The Long Walk (2018), consolidando ainda mais sua posição na vanguarda da entropia sonora.
Em meio a uma agenda de turnês implacável, o Uniform uniu forças com os irmãos apocalípticos do The Body para uma série de colaborações: os álbuns Mental Wounds Not Healing (2018) e Everything That Dies Someday Comes Back (2019), além do registro ao vivo Live at the End of the World (2020).
A banda deu um passo colossal adiante com seu quarto álbum de estúdio, Shame (2020). Repleto de riffs cortantes, distorções guturais, um turbilhão percussivo, uivos angustiados e gritos cheios de rancor em direção ao oblívio, o disco acompanha personagens presos a um círculo sisifiano de mal-estar existencial, condenados a repetir os vícios de ontem sem a promessa de um amanhã melhor.
Em 2023, o Uniform se juntou aos camaleônicos ícones do doom Boris para o álbum colaborativo Bright New Disease. Uma onda avassaladora de vocais corrosivos, riffs ferozes e paisagens sonoras psicodélicas, o trabalho transita com habilidade por elementos do thrash clássico da Bay Area, do hardcore japonês e até do glam inspirado em Bowie.
Em 2024 saiu American Standard, descrito pela banda como “uma jornada de desconforto visceral e honestidade brutal, um retrato da doença e da transcendência eletrizante que ela pode provocar”. Apresentado com um ataque rítmico de dois bateristas e uma composição surpreendentemente melódica, trata-se do álbum mais ambicioso do Uniform até hoje.
Dos primeiros dias como um duo caótico até o status atual de veteranos do noise, multifacetados e com uma obra extensa, o Uniform chegou a um ponto criativo em que seu objetivo é inteiramente pessoal. À medida que os limites sonoros se expandiram, a banda aprofundou ainda mais o corte.