Resenhas

Genotype

Textures

Avaliação

9.0

Genotype não é apenas um retorno — é uma evolução artística. Depois de quase uma década de silêncio e expectativas, o Textures não só resgata sua identidade como a expande, apresentando maturidade composicional, refinamento melódico e uma ambiência majestosa.

O Textures sempre foi um nome de destaque no universo do metal progressivo e do djent — embora, na minha opinião, ainda mereça reconhecimento muito maior. Desde sua formação, em 2001, a banda se diferenciou pela habilidade de combinar peso técnico, complexidade rítmica e melodias expansivas envoltas em camadas atmosféricas. Após o lançamento de Phenotype em 2016 — álbum que integrava um projeto duplo conceitual — veio uma longa pausa, seguida pelo anúncio de encerramento das atividades em 2017. Nesse intervalo, Genotype tornou-se quase uma lenda entre os fãs: o “disco perdido” que parecia nunca ver a luz do dia.

Agora, finalmente lançado em 23 de janeiro de 2026 pelo selo Kscope (divisão da Snapper Music), com 45 minutos e 45 segundos de duração, disponível em LP, CD e plataformas digitais — ainda sem previsão de edição nacional —, Genotype reapresenta o Textures em plena forma criativa.

Sob o aspecto estético, o álbum preserva a essência agressiva e técnica que sempre caracterizou a banda, mas aposta em uma abordagem mais progressiva, melódica e atmosférica do que nos trabalhos anteriores. A produção cristalina favorece texturas abertas, permitindo que ambiências e dinâmicas emocionais respirem com naturalidade.

Liricamente, o disco aborda identidade, introspecção e resiliência — dando voz aos outsiders e àqueles que habitam mundos internos muitas vezes silenciosos. Esse conteúdo emocional adiciona profundidade humana ao som técnico e expansivo da banda.

A jornada começa com “Void”, um prelúdio conciso, curto, porém denso em atmosfera. Texturas eletrônicas e riffs mecânicos estabelecem imediatamente o caráter progressivo e introspectivo do álbum.

“At the Edge of Winter”, com participação especial de Charlotte Wessels (ex-Delain), é um dos grandes destaques. Vocais expressivos se entrelaçam a melodias expansivas, synths etéreos e grooves marcantes, revelando uma evolução clara na sensibilidade melódica e na construção de refrões emocionais.

Em “Measuring the Heavens”, surge uma das faixas mais atmosféricas do disco. Ritmos precisos e hipnóticos sustentam paisagens sonoras que evocam sintetizadores industriais suaves. A dinâmica é lenta e contemplativa, colocando a interpretação emocional em primeiro plano e evidenciando a versatilidade vocal de Daniel de Jongh. Minha favorita!

“Nautical Dusk” inicia de maneira lenta e crepuscular, fazendo jus ao título, e gradualmente constrói tensão com batidas incisivas e camadas instrumentais crescentes

A quinta faixa, “Vanishing Twin”, apresenta harmonias vocais ricas e melodias envolventes, mostrando o Textures explorando territórios além do metal técnico, flertando com uma sensibilidade quase art rock.

Em seguida, “Closer to the Unknown” traz mais energia direta, combinando passagens intensas e vocais gritados marcantes. Embora o álbum como um todo soe menos agressivo que seus antecessores, a identidade visceral da banda permanece intacta — agora com maior clareza e foco.

A penúltima faixa, “A Seat for the Like-Minded”, destaca-se pelo groove e por uma estrutura menos agressiva. Synths percussivos e padrões de guitarra criam um ritmo hipnótico que convida à introspecção.

O encerramento com “Walls of the Soul” é grandioso. A faixa mais longa e emocional do álbum mistura clímax progressivos e texturas expansivas, culminando em uma conclusão majestosa.

Para fãs de metal técnico com profundidade emocional e atmosfera envolvente, este disco tem tudo para se tornar um item de cabeceira em 2026.