Antsud Metal Project, direto da Estônia, é uma dessas bandas que chegam para transformar ambientes. O projeto emergiu na cena musical trazendo um som que mistura o folk cru, o metal e tons místicos, de maneira sofisticada, em canções que oscilam entre força e fragilidade, com toques do canto tradicional estoniano e industrial. Em ‘Sulam’, seu álbum de estreia, de 13 faixas, Antsud Metal Project se entrega de forma madura, explorando camadas instrumentais ricas e sedutoras, que soam tanto nostálgicas quanto frescas.
“Hingede öö”, com participação de Eero Soomere, é a porta de entrada perfeita para esse universo. Os vocais denominam de imediato, aliada a riffs pesados de guitarra que guiam a melodia, enquanto os pianos e violinos se entrelaçam suavemente. A execução vocal mescla o idioma nativo, é tão marcante que é capaz de flutuar entre o delicado e o provocativ, em sintonia com guturais potentes (lembrando o álbum de estreia clássico do Tristania). É uma abertura que, sem pedir licença, estabelece o tom do álbum: envolvente e cheio de emoção.
“Desire” traz uma batida mais cadenciada, mas sem perder o charme. É uma faixa que aposta em nuances de folk, com instrumentos nada convencionais que dão o charme, e uma linha de guitarra simples mas muito presente, quase hipnótica, ideal para balançar e deixar a melodia te conduzir. Uma faixa que cresce exponencialmente e traz o público para essa expectativa. A seguinte, “Kaugel Sa” entrega aquela sonoridade mais ousada, mostrando tons de synth e industrial com vocais harmônicos e operísticos, em um universo de synth folk, criando um som que equilibra a narrativa orgânica e crua com a produção eletrônica moderna, atmosférica e texturizada – gostei muito dessa.
“Suvetar” chega como um hit do disco, com uma percussão marcada e uma guitarra técnica e muito bem posicionada, forte e precisa. Aqui, Antsud Metal Project abusa do que chamamos de refrão hit, a canção tem levada e um refrão totalmente cativante. Aqui há mais intensidade, sonoridade marcante, com influências do folk metal e o toque regional em destaque, além do metal sinfônico sutil e o poder dos seus vocais. É uma faixa que tem um potencial tremendo, funcionando como uma injeção de ânimo.
Na canção “Külm” a banda multifacetada buscou um som mais imersivo e lisérgico, entregando uma sonoridade mais minimalista e introspectiva inspirada totalmente em tons místicos e ritualísticos. A produção aqui é mais “espacial”, com silêncios bem posicionados e uma sensualidade sutil, deixando espaço para cada nota se expandir. É uma faixa que exala sutileza e, ao mesmo tempo, densidade, há uma sensação de relaxamento, dançar com o vento, se sentir livre – sem deixar de lado os riffs pesados do metal. “Karske Neiu” chega com peso e influências de bandas como Epica, Within Temptation e Arkona, sendo a trilha perfeita para filmes medievais com seu tom ritualístico.
A seguinte, “Puie” combina camadas etéreas de teclado com uma linha de instrumentos de corda regionais e místicos, abafado e ligeiro. Os vocais brincam com os elementos de folk que fica em nossa mente. Há um peso e energia completa do folk, com os vocais etéreos que já são a assinatura de Antsud Metal Project, uma sonoridade “de fada” ou “viking”, criando um estilo único e emocionalmente profundo.
“Save Thee” volta com uma energia renovada, mas mantendo o clima folk, onde os elementos de metal ganham protagonismo, em uma faixa que combina dança e coreografias. “Südames” traz um folk/symphonic metal mais denso e relaxante, com instrumentação sutil e técnica, mas dando espaço para os vocais brialhrem – vocais etéreos, angelicais, potentes e únicos no cenários do metal.
“Hundinahk” entrega um tom sombrio e misterioso, com batidas fortes e o peso tradicional do metal. Uma faixa perfeita com pausas para mostrar a técnica e excelencia vocal, e o peso do metal gótico com ingluências místicas – é a faixa que mais gostei. Se preparando para o encerramento, “Pihlamari” cria uma sensação de liberdade, uma faixa que é pura nostalgia e liberdade. Uma vibe mais “show de metal” das bandas já citadas, vocais trazendo a sensualidade e tom único da língua, com tons operísticos que deixam o tom mais sensual e apaixonante. Outra faixa que me encantou, é preciso ouvir para entender… Seguindo de “Vetevaim”, que traz um solo de guitarra que merece atenção, e muito peso do heavy metal, mesclado com vocais em coro e pianos sutis encantadores.
O álbum fecha com “Ei Enam”, faixa que retorna ao Noir, criando uma atmosfera mais synth perfeita, mesclando com pianos sentimentais, peso já característico da banda e os vocais apaixonantes que nos conduziram o disco todo. É o fechamento ideal, carregado de presença e cheio de estilo, deixando uma impressão duradoura desse conjunto único de músicas que é ‘Sulam’ – que significa liga ou amálgama.
O grupo não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som cheio de surpresas e inovação. Para aqueles que são fãs de bandas do norte da Europa e suas raízes medievais, Antsud Metal Project oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais místicos e vibe folk. Para os apreciadores ‘Sulam’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero e explorando além.