Resenhas

Liturgy of Death

Mayhem

Avaliação

8.0

Após uma longa espera de quase seis anos e meio, com direito a uma pandemia no meio, o Mayhem fez vir ao mundo “Liturgy of Death“, que é apenas o 7° álbum na discografia da veterana banda de Black Metal.

O play foi lançado na última sexta-feira, 6, pela Century Media, e até o momento, não existe previsão de lançamento de uma versão brasileira, então os fãs da banda terão de importar o play ou então recorrer às plataformas de streaming. A banda esteve no Brasil recentemente, em dezembro, quando se apresentou em turnê que comemora os 40 anos, praticamente ininterruptos, com exceção da conhecida história em que Varg Vikernes matou Euronymus, em 1993.

Mantendo o mesmo lineup dos últimos dois álbuns anteriores, o que é um fato raro no caso da banda, o Mayhem está com a formação desde 2012, e neste novo álbum, estão dois dos membros que gravaram o clássico e trágico “De Mysteriis Dom Sathanas“, que são o baterista Hellhammer e o vocalista Attila Csihar. O baixista Necrobutcher havia saído em 1991, e retornou à banda em 1994, quando Hellhammer resolveu lançar o álbum que estava guardado, e seguir com a banda em atividade.

Desta vez, o guitarrista Teloch, que havia dividido a função de produtor junto com Tore Stjerna, concentrou-se somente na parte musical, escrevendo e gravando suas partes de guitarra, deixando a produção para o sueco, que está com a banda desde 2016. O play contou com a participação de Garm, vocalista da banda norueguesa Ulver, que nos primórdios, era uma banda de Black Metal. Ele gravou backing vocal em “Ephemeral Eternity“, a faixa que abre o álbum. A capa, candidata a mais bela e sombria do ano, foi desenhada mais uma vez pelo artista italiano Daniel Valeriani, que já havia trabalhado em “Daemon“.

Em “Liturgy of Death“, o Mayhem aborda a mortalidade, um tema que é uma certeza para toda a humanidade, mas muitos de nós não estamos preparados para encarar e lidar com a morte. A banda aborda esse processo não como um fim, mas como uma lei universal que afeta toda a vida e expõe a fragilidade da existência humana. Para aqueles que espalharam fake news em 2023, quando a banda se viu obrigada a cancelar duas apresentações no Brasil, sob o pretexto de ser uma banda neonazista, a morte não parece ser um assunto de interesse da turma que segue o “bigodinho austríaco”, salvo se os mortos pertencessem às minorias, como negros, pessoas com deficiência ou LGBT., que definitivamente, não é o caso do Mayhem.

Dando play no álbum, o Mayhem apostou em uma produção mais enxuta, o que não deixa o trabalho menos pesado, áspero e sombrio. “Liturgy of Death” traz oito canções e duração de 48 minutos. Ainda que curto no tempo total, nenhuma música tem menos de 4 minutos, e metade delas tem entre seis e sete minutos. Os destaques ficam por conta de músicas como “Despair“, “Aeon’s End“, “Funeral of Existence“, “Realm of Endless Misery” e “The Sentence of Absolution“. Os riffs destruidores estão presentes, bem como os vocais doentios, a bateria cheia de blastbeats, com alguns elementos estranhos à música, mas que não comprometem e soam como a trilha sonora para o final do mundo.

O Mayhem se modernizou, deixou para trás a falta de cuidado com a produção, provando que o Black Metal não precisa necessariamente tosco como nos primórdios. Provavelmente, Euronymus não gostaria desse direcionamento, mas a banda mostrou que é capaz de conseguir agradar tanto os fãs mais radicais, quanto aqueles que não são necessariamente aficionados pela vertente mais extrema do Metal, como é o caso deste redator que vos escreve. O play chega com poder de se colocar no Top 10 do ano.