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Cypress Hill apresenta repertório consistente e forte resposta do público em show na AUDIO

Cypress Hill apresenta repertório consistente e forte resposta do público em show na AUDIO

23 de março de 2026


Crédito das fotos: Camila Cara/Live Nation

O domingo foi quente em São Paulo e isso já influenciava a dinâmica de chegada. Com produção da Live Nation, o show do Cypress Hill na AUDIO teve abertura da casa às 19h, mas o fluxo de entrada se concentrou mais próximo do início da apresentação. Do lado de fora, a porta da casa permaneceu cheia por bastante tempo, com grupos ocupando a calçada, consumindo bebida, ouvindo música e transformando o tempo de espera em uma extensão informal do evento.

Era possível observar um público majoritariamente familiarizado com a banda, tanto pelo repertório visual quanto pelas conversas, que giravam em torno de discos, shows anteriores e referências musicais.

Dentro da casa, o ambiente já estava bastante cheio antes do início do show. Fumaça acumulada, circulação constante entre pista e bar e distribuição de cerveja como ação promocional. O público se posicionava progressivamente mais próximo do palco conforme o horário avançava.

Para mim havia também uma expectativa construída de outra forma. Horas antes eu tinha conversado com B-Real no camarim e aquele encontro inevitavelmente atravessava a forma como eu observava o show depois. O tipo de atenção muda. A entrevista pode ser conferida aqui.

Formado em 1988, em Los Angeles, o Cypress Hill ocupa um lugar importante na consolidação do rap da Costa Oeste e na inserção de artistas latinos dentro do hip hop norte-americano. A banda também ajudou a estabelecer pontes entre rap e rock ainda nos anos 90, algo que aparece tanto na construção das bases quanto na forma como o repertório funciona ao vivo.

A formação atual mantém B-Real e Sen Dog nos vocais, Eric Bobo na bateria e percussão e DJ Lord nas pick-ups. Ao vivo, a presença da bateria muda a densidade das músicas, trazendo mais ataque rítmico e uma leitura menos rígida das bases.

O início do show já apresentou volume alto e uma mixagem centrada em graves e percussão, com bumbo e caixa bem definidos e bastante presença física do som. Um tipo de regulagem que privilegia impacto e mantém a resposta da pista imediata.

O set passou por diferentes momentos da discografia e manteve o público em resposta constante. Quando começaram a aparecer Insane in the Brain, How I Could Just Kill a Man, Hits From the Bong e (Rock) Superstar, a reação veio rápida. Muita gente acompanhando letras completas, não só refrões. Pequenos movimentos coletivos se formando na pista, gente alternando entre registrar trechos e voltar a participar da música.

DJ Lord teve papel importante nessa condução. As transições mantinham a tensão do show, scratches bem encaixados e cortes rápidos preparando a entrada das próximas músicas. Em vários momentos ele assumia a atenção da pista sozinho por alguns segundos e a resposta vinha antes mesmo da banda retomar o repertório.

Eric Bobo trouxe bastante presença na bateria, reforçando ataques e adicionando variações rítmicas que ampliavam a textura das músicas. A presença do instrumento ao vivo reforça essa aproximação histórica da banda com elementos do rock e do metal e muda a leitura de algumas faixas quando comparadas às versões de estúdio.

Um dos momentos mais interessantes nesse sentido veio de um trecho mais livre entre DJ Lord e Eric Bobo, com andamento mais acelerado e troca direta entre scratch e bateria. Um espaço onde apareciam várias das referências que sempre circularam na música do Cypress Hill, rap, rock, metal e a própria tradição do sample.

A versão de Bombtrack, do Rage Against the Machine, apareceu nesse mesmo contexto e provocou uma das respostas mais fortes da noite. Antes da música, B-Real comentou “crazy songs for crazy times”, conectando o repertório com o momento atual e puxando uma reação imediata da pista.

As interações com o público aconteceram o tempo todo e faziam parte do ritmo do show. B-Real conduziu muitas dessas falas, conversando bastante entre as músicas e trazendo comentários sobre os tempos atuais, algo que aparecia como extensão natural do repertório. Sen Dog reforçava essa condução em vários momentos, respondendo as chamadas e mantendo essa comunicação ativa com a pista.

DJ Lord fazia esse mesmo movimento pela via musical. Em diferentes pontos ele levantava a pista com scratches e intervenções curtas entre as músicas, criando resposta antes mesmo da próxima faixa começar.

O merchandising também teve bastante movimento durante toda a noite, com camisetas de diferentes fases da banda e público aproveitando os intervalos do show para garantir as peças.

A apresentação seguiu sem grandes pausas e com intensidade constante até o encerramento. A casa permaneceu cheia até o final e o público seguiu presente até as últimas músicas.

Uma execução sólida, repertório bem distribuído e uma resposta de público consistente com a trajetória da banda.

Setlist

DJ Lord Intro

Put Em in the Ground

Let It Rain

When the Shit Goes Down

Hand on the Pump

Cock the Hammer

3 Lil’ Putos

Money

A to the K

Stoned Is the Way of the Walk

I Wanna Get High

Dr. Greenthumb

Hits From the Bong (With The Next Episode sample)

DJ and Percussion Solo

What Go Around Come Around, Kid

Boom Biddy Bye Bye (Small problem on Sen’s mic)

Illusions

Make a Move

Throw Your Set in the Air

We Live This Shit

Latin Thugs

Tequila Sunrise

Lowrider

Locotes

Wacha Trucha

I Ain’t Goin’ Out Like That

Bombtrack (Rage Against the Machine cover)

Can’t Get the Best of Me

How I Could Just Kill a Man

Insane in the Brain

Encore

(Rock) Superstar (Slayer sample)

(Unknown)

Jump Around (House of Pain cover)

Galeria do show