Há 14 anos, em 12 de março de 2012, o Cannibal Corpse lançou “Torture“, o 12º álbum de estúdio da banda de Buffalo, radicada em Tampa, e que é tema do nosso Memory Remains desta quarta-feira.
Lançado três anos após o lançamento de “Evisceration Plague“, que se não figura entre as grandes obras da banda, tem o seu valor. Porém, os caras sabiam que podiam dar ainda um gás a mais e obter um resultado ainda maior em seu novo trabalho. E foi assim com o aniversariante do dia.
Enquanto era lançado seu CD/DVD ao vivo, “Global Evisceration“, a banda adentrou em dois estúdios para produzir o aniversariante de hoje: o já conhecido “Sonic Ranch Studios” e também no “Mana Recording Studios“, na companhia do parceiro de longa data, Erik Rutan, que hoje ocupa a vaga de guitarrista deixada por Pat O’Brien após o vergonhoso surto que este provocou, no final de 2018. E o resultado foi excelente. Alex Webster falou certa vez sobre gravar novamente no Mana Recording Studios. Aspas para o baixista:
“Depois de passar os últimos sete meses escrevendo e ensaiando novo material, estamos muito animados para finalmente começar a gravar. Tivemos muito sucesso trabalhando com Erik Rutan em nossos dois últimos álbuns, então decidimos trabalhar com ele novamente, mas para manter as coisas frescas, decidimos mudar de local – estamos retornando aos estúdios do Sonic Ranch no Texas, onde gravamos vários álbuns no passado. Estamos empolgados para ver como essa combinação funciona – sentimos que é uma combinação que pode resultar em nosso melhor álbum até agora.”
A capa foi assinada pelo companheiro de longa data da banda, Vincent Locke, que desenhou as capas de toda a discografia do Cannibal Corpse, do álbum de estreia “Eaten Back to Life“, de 1989, até o mais recente, “Chaos Horrific“, de 2023. Pela primeira vez em algum tempo, a capa não foi censurada e a banda não precisou encomendar uma segunda imagem à Locke.
Temos um disco mais intenso e mais brutal do que o anterior e tudo se deve à timbragem que os músicos conseguiram para cada um de seus instrumentos e as composições também ganharam em qualidade. Era o Cannibal Corpse mantendo a complexidade das músicas, como já fazia desde a virada do milênio e vem conservando isso em suas músicas, álbum após álbum.
Bolacha rolando, o Cannibal Corpse nos trouxe um festival de riffs pesados, rápidos, brutais e impiedosos, com 12 faixas e 43 minutos de duração. Os grandes destaques ficam por conta de músicas como “Demented Aggression“, “Sarcophagic Frenzy“, “Scourge of Iron“, “Encased in Concrete“, “As Deep as the Kinfe Will Go“, “The Strangulation Chair“, “Caged…Contorted“, “Rabid” e “Torn Through“. É um disco implacável do início ao fim.
O álbum recebeu críticas positivas da imprensa especializada e foi amplamente aprovado pelos fãs da banda, sendo um dos álbuns preferidos pelos seguidores, especialmente se considerarmos os álbuns mais recentes. “Torture” é o 5° álbum com mais músicas tocadas ao vivo, sendo “Scourge of Iron” presença quase obrigatória nos shows atuais. Nas paradas de sucesso, o play teve bom desempenho: 5° na categoria Álbuns de Rock, do Reino Unido, 35° na Finlândia, 37° na Suécia, 38° na “Billboard 200”, 40° na Áustria e Alemanha, 72° na Suiça, 95° na Bélgica, 139° na França e 235° no Japão. A banda produziu um videoclipe para a música “Encased in Concrete“.
O Cannibal Corpse caiu na estrada para divulgar o álbum, e no ano seguinte, a banda desembarcou no Brasil, onde realizou 4 shows, sendo o primeiro deles, no Rio de Janeiro, que aconteceu em meio aos protestos contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus, mais protestos com os gastos das obras dos estádios para a Copa do Mundo de 2014. A polícia agiu com rigor contra os manifestantes e os fãs, coitados, que nada tinham a ver com os protestos, sofreram, pois a repressão policial jogou spray de pimenta para dentro da casa de shows, o Circo Voador, prejudicando o show da Gangrena Gasosa, que abria a noite, além de causar transtornos nos presentes. Este redator que vos escreve é testemunha ocular, pois estava no local e sofreu com o spray atingindo os olhos. A sensação é horrível. A banda nem tomou conhecimento do caos que tomava conta da cidade.
Ao final da turnê, a banda se concentrou na composição do material do álbum seguinte, “A Skeletal Domain“, que fez a banda voltar ao Brasil e os shows foram bem mais calmos. Sobre o sucessor, falaremos em um momento oportuno. O Cannibal Corpse havia passado por mais uma etapa, com sucesso retumbante.
Hoje é dia de celebrar mais um aniversário deste belo álbum. Felizmente o Cannibal Corpse segue em plena atividade, tendo passado pelo Brasil em 2022 divulgando o álbum “Violence Unimagined“. Tá na hora de a banda retornar ao país. Enquanto a banda não lança o novo álbum, vamos ouvir esse petardo no volume máximo, porque ele merece.

Torture – Cannibal Corpse
Data de lançamento – 12/03/2012
Gravadora – Metal Blade
Faixas:
01 – Demented Aggression
02 – Sarcophagic Frenzy
03 – Scourge of Iron
04 – Encased in Concrete
05 – As Deep as the Knife Will Go
06 – Intestinal Crank
07 – Followed Home Then Killed
08 – The Strangulation Chair
09 – Caged…Contorted
10 – Crucifier Avenged
11 – Rabid
12 – Torn Through
Formação:
- George “Corpsegrinder” Fischer – vocal
- Alex Webster – baixo
- Pat O’Brien – guitarra
- Rob Barrett – guitarra
- Paul Mazurkiewicz – bateria