Há 45 anos, em 16 de março de 1981, o Accept lançava “Breaker”, o terceiro álbum de sua rica discografia e que é assunto do nosso Memory Remains desta segunda-feira.
Após a mal sucedida empreitada de fazer um álbum com canções comerciais, como foi o álbum “I’m a Rebel“, o Accept não se permitiu errar novamente e eles se fecharam para ideias de quem era de fora da banda, como lembrou o então vocalista, Udo Dirkschneider. Aspas para ele:
“Após nossas experiências com I’m A Rebel, estabelecemos como meta não sermos influenciados musicalmente por ninguém de fora da banda desta vez.”
Eles repetiram a parceria com o produtor Dirk Steffens. Na engenharia de som, ficou Michael Wagener, que pela primeira vez trabalhava com o Accept. Todos foram para o Delta Studio, localizado em Wilster, na época, Alemanha Ocidental, por onde ficaram entre os meses de dezembro de 1980 e janeiro de 1981.
Eles estavam realmente dispostos a não prosseguir no caminho radiofônico, tanto que uma das canções tem o impublicável título de “Son of a Bitch“. Wolf Hoffmann certa vez falou sobre não repetir os erros do álbum que antecedeu nosso aniversariante do dia:
“Talvez soubéssemos que a abordagem antiga do disco anterior não funcionava muito bem. Então, estávamos dizendo ‘dane-se, vamos fazer o que achamos certo. Não vamos tentar ser outra pessoa, não vamos mais tentar ter um hit de rádio.”
Sobre a faixa “Son of a Bitch“, o Accept optou por não colocar a letra no encarte do álbum na época do seu lançamento e para a versão britânica do álbum, eles gravaram uma versão alternativa, chamada “Born to Be Whipped“. Hoffmann explicou:
“No lançamento inicial, pensamos que seria uma boa ideia colocar apenas ‘Censurado’ nas notas do encarte da música para evitar qualquer controvérsia. Bem, acabou causando mais controvérsia dessa forma, com todos querendo saber quem a censurou… Tivemos que mudar porque os britânicos eram tão tensos sobre esse tipo de coisa que você não poderia lançar o disco lá com uma música chamada Son of a Bitch.”
O baixista Peter Baltes, gravou os vocais adicionais em “Midnight Highway” e cantou por completo em “Breaking Up Again“. E isso não era novidade para ele, já que ele também havia gravado as vozes em duas canções de cada um dos álbuns anteriores do Accept.
“Breaker” é composto por dez canções e tem duração de 44 minutos. Os destaques do álbum ficam por conta das músicas “Starlight“, “Breaker” (a única que ainda resiste e permanece no repertório que a banda apresenta em seus shows), “Burning“, além da já citada “Son of a Bitch“. O único resquício da sonoridade mais comercial é na faixa “Midnight Highway“, que Hoffmann certa vez declarou ser “feliz demais para o meu gosto”.
O álbum teve boa receptividade, tanto por parte da crítica especializada, quanto do público. “Breaker” marca também o início do período mais exitoso da banda, que incluiu os álbuns “Restless and Wild” (1982), “Balls to the Wall” (1983) e “Metal Heart” (1985). Udo Dirkschneider considera nosso homenageado como um dos melhores álbuns do Accept e sua identificação com o álbum é tão grande que anos depois ele fundou sua gravadora e a batizou “Breaker Records”.
E o que aconteceu depois é história. O Accept se tornou uma das maiores bandas alemãs de Heavy Metal e estão até hoje em plena atividade, fazendo shows e lançando álbuns, sendo o excelente “Humanoid“, o mais recente, que viu a luz do dia em abril de 2024. Hoje é dia de celebrar mais um aniversário deste “Breaker“, que envelhece muito bem, obrigado.

Breaker – Accept
Data de lançamento – 16/03/1981
Gravadora – Brain Records
Faixas:
01 – Starlight
02 – Breaker
03 – Run If You Can
04 – Can’t Stand the Night
05 – Son of a Bitch
06 – Burning
07 – Feelings
08 – Midnight Highway
09 – Breaking Up Again
10 – Down and Out
Formação:
- Udo Dirkschneider – vocal
- Wolf Hoffmann – guitarra
- Jörg Fischer – guitarra
- Peter Baltes – baixo/ backing vocal/ vocal adicional em “Midnight Highway“, vocal principal em “Breaking Up Again“
- Stefan Kaufmann – bateria/ backing vocal