Resenhas

Destructor

MORE

Avaliação

8.5

MORE, uma banda que rapidamente se tornou parte da segunda onda da New Wave of British Heavy Metal, emerge com seu novo álbum ‘Destructor’, trazendo uma sonoridade crua e direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional do gênero. Composta por Baz Nicholls (baixo), Peter Welsh (guitarra), Steve Rix (bateria) e Mike Freeland (vocal), a banda entrega uma performance densa e brutal em todas as faixas do álbum. Juntos, eles carregam adiante uma visão que honra o espírito feroz da NWOBHM, ao mesmo tempo que abraça novas dinâmicas, atmosferas mais sombrias e composições expansivas. Importante cita que ‘Destructor’ é a produção final do falecido e lendário produtor Chris Tsangarides (Judas Priest, King Diamond, Helloween, Yngwie Malmsteen e outros). Na véspera de seu falecimento, em janeiro de 2017, a mixagem final de ‘Destructor’ foi entregue em seu próprio estúdio, The Ecology Rooms.

A abertura com “Hearts on Fire” é um convite para o mundo pesado e sombrio de MORE, com riffs pesados e vocais épicos intensos, já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e agudo, emulando o som melancólico mas agressivo do heavy metal. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia, nitidamente influenciado por Iron Maiden.

“Rocquiem” mantém o ritmo perfeito do NWOBHM, provando que a banda se propôs a entregar algo para os verdadeiros fãs do estilo. Os vocais inspirados nos anos 80 trazem uma autenticidade difícil de ignorar, e são eles que carregam todo o disco de maneira grandiosa. Em “Scream”, explode de agressividade e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça, mas aqui há um toque inspirado no hard rock, com refrão que gruda e convida todos a cantar – semelhante a fase de Def Leppard.

Já em “New World”, os riffs e solos agressivos característico do grupo continuam. Detalhe interessante é o detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam identidade e enfatizam ainda mais a inspiração do som. Chegando na faixa-título, resgatando uma pegada old school do classic rock sombrio mas mantendo o clima do heavy metal britânico e vocais mais pesados e graves.

“Spirit of War” é o puro suco do NWOBHM, uma tempestade sonora melódica, repleta de riffs e vocal marcante. Há muita técnica no som da banda, sendo notável em “Immortal”, que mantém a mesma cozinha, uma canção que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Essa faixa é mais comercial do disco, com backing vocals em coro que facilmente vão cativar o público.

“My Obsession” mantém o estilo oldschool do hard rock e heavy metal, cheio de influências mas que ainda assim mantém a identidade de MORE, que usou o estilo típico de tocar com seu tempero artístico e entregou uma obra prima. “Wolf Behind Your Eyes” pode ser dita como uma balada do disco, com forte influência de uma banda que nem precisamos explicar qual – isso que torna tudo mais interessante. Um som mais envolvente e comercial que fará qualquer headangers se envolver e agitar um mosh.

Para encerrar, nada mais digno que a música que dá nome à banda: “More”. A faixa entrega um ritmo dilacerante, com uma introdução perfeita e se apresenta como um encerramento épico, afinal é a faixa mais envolvente do disco, com variações rítmicas, diversas influências, solo exemplar, a faixa é uma explosão de dinamismo sonoro brutal e incontestável.

No entanto, é importante notar que MORE não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de The new wave of British heavy metal. O grupo pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som que, embora bem executado e fiel às raízes do gênero, não oferece grandes surpresas ou inovação.

Para aqueles que são fãs de bandas como ron Maiden, Saxon, Def Leppard, and Diamond Head, MORE oferece exatamente o que se espera: riffs grandiosos, vocais melódicos e épicos e uma atmosfera oldschool do puro heavy metal. Para os apreciadores de NWOBHM, ‘Destructor ‘ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero sem explorar novos territórios sonoros.