Resenhas

Opus Diabolicum – The Orchestral Live Show

Moonspell

Avaliação

10

Quando o Metallica lançou “S&M” (1999) muitos fãs ficaram surpresos com a “ousadia” da banda: juntar o mundo do metal com o sinfônico. Não foi a invenção da roda, já que lá no longínquo ano de 1969 o Deep Purple tinha feito algo assim em “Concert For Group And Orchestra”, mas quando falamos em Metallica, tudo ganha uma dimensão exagerada.

Pois bem, como se fosse um incentivo (ou desafio?), diversos lançamentos de bandas do heavy ao black metal, como Scorpions, Epica, Septicflesh e Dimmu Borgir, se arriscando a fazer algo assim. Algumas foram bem-sucedidas em suas propostas, outras nem tanto. E entre as bem-sucedidas, eu colocaria facilmente o Moonspell com seu ótimo “Opus Diabolicum – The Orchestral Live Show” (2025) no topo.

A ideia de fundir o som sombrio do grupo com a música clássica vinha sendo ventilada há uns bons anos, mas entre desencontros de agendas e a pandemia suspendendo a rotina, tudo só começou a tomar forma tempos depois graças ao arranjador, pianista, cineasta e autor Filipe Melo, o elo que faltava para que o vocalista Fernando Ribeiro e o maestro Vasco Pearce de Azevedo se encontrassem e então produzissem o show.

E que produção! Gravado no MEO Arena, o maior espaço para eventos de Lisboa, o show contou com a participação magistral da Orquestra Sinfonietta de Lisboa reforçada por 45 músicos – acredito que o título Opus Diabolicum (Trabalho do Diabo) tenha tido mais a ver com a trabalheira em colocar todos esses músicos e banda sincronizados do que outra coisa.

A seleção das faixas foi precisa: algumas você jura até que foram compostas de forma sinfônica, tamanha a precisão do encaixe que tiveram com a orquestra que fez ali um papel de suporte, sem sufocar as músicas. Podia dar errado, havia riscos de as faixas soarem destoantes, mas assim como os navegadores portugueses de séculos atrás, juntos se jogaram no desconhecido e tiverem sucesso absoluto diante dos presentes e de quem acompanhou o evento ao vivo pelo streaming.

“Opus Diabolicum – The Orchestral Live Show” (2025) é dividido em duas partes e não digo isso por causa dos dois CDs: a primeira parte é focada nos discos “Extinct” (2015), com duas músicas, e em “1755” (2017) com cinco músicas. Já a segunda parte é mais diversa, revisitando e rearranjando faixas mais antigas de “Wolfheart” (1995), “Irreligious” (1996), “The Antidote” (2003), “Memorial” (2006) e “Night Eternal” (2008).

Sem overdubs ou ajustes de qualquer tipo, o que se ouve é exatamente o que aconteceu naquela noite de 26 de outubro de 2024: alma, coração e cordas! Há um bom tempo que não me deparava com um registro que me deixasse verdadeiramente arrepiado e emocionado durante sua audição. Como não se arrepiar com as performances de “Em Nome Do Medo” que ficou, literalmente, assustadora graças ao peso dos corais; com “Breathe (Until We Are No More)”; na gótica “Vampiria”; com o público cantando junto com a banda na épica “Alma Mater” ou com esse mesmo público uivando por “Full Moon Madness”? E o que dizer de “Extinct”, cheia de força e “Everything Invaded” com seus solos e orquestração? Arrepiantes!

A edição nacional de “Opus Diabolicum – The Orchestral Live Show” (2025) lançada no Brasil pela parceria da Shinigami Records com a Napalm Records é caprichadíssima: um bonito e grosso encarte incluindo ali depoimentos em inglês de Fernando Riberio (que fala baixinho entre as faixas, mas que impõe sua voz rasgada ao cantar), do maestro Vasco Pierce e de Filipe Melo, tudo dentro de um digifile duplo com envelopes individuais para cada disco.

Um disco tão bom, que se fosse triplo, continuaria excepcional! Avante Portugal, avante Moonspell!

 

Formação:

Fernando Ribeiro: vocais

Pedro Paixão: teclados e guitarra

Aires Pereira: baixo

Ricardo Amorim: guitarra e backing vocals

Hugo Ribeiro: bateria

 

Faixas:

+ CD 1

01 Tungstennio (instrumental)

02 Em Nome Do Medo

03 1755

04 In Tremor Dei

05 Desastre

06 Ruínas

07 Breathe (Until We Are No More)

08 Extinct

 

+ CD 2

01 Proliferation (instrumental)

02 Finisterra

03 Everything Invaded

04 Scorpion Flower

05 Vampiria

06 Alma Mater

07 Full Moon Madness