Resenhas

Liquify

Ashes to Brass

Avaliação

9.0

Ashes to Brass lança seu segundo álbum, ‘Liquify’. Com um conjunto de dez faixas que servem como vinhetas de histórias cativantes, o álbum é uma verdadeira celebração da jornada musical e pessoal. Com faixas que misturam influências e sonoridades diversas, o álbum é uma demonstração do talento e da versatilidade da banda, marcando uma evolução ousada em relação ao seu aclamado disco de estreia ‘The Crow Files’. O disco se desenrola através da atmosfera, texturas épicas e um peso emocional controlado.

A faixa-título é a porta de entrada perfeita para esse universo criativo da banda anônima fundada por Celia, Diretora Criativa, a Ashes to Brass. O vocal denomina de imediato, aliada a linhas de guitarra suaves que guiam a melodia, enquanto os pianos e violinos se entrelaçam suavemente. A execução vocal é tão marcante que é capaz de flutuar entre o delicado e o provocativo. É uma abertura que, sem pedir licença, estabelece o tom do álbum: envolvente e cheio de emoção.

Os vocais do Ashes to Brass é uma dessas vozes que chegam para transformar ambientes. Sua banda emergiu na cena musical trazendo um som que mistura o metal sinfônico, pop, ethereal rock e jazz, de maneira sofisticada, em canções que oscilam entre força e fragilidade, com toques orquestrados. Aqui, a banda se entrega de forma madura, explorando camadas instrumentais ricas e sedutoras, que soam tanto nostálgicas quanto frescas.

“Lighthouse” traz uma batida mais cadenciada, mas sem perder o charme. É uma faixa que aposta em nuances de folk pop, com instrumentos nada convencionais que dão o charme, e uma linha de baixo simples mas muito presente, quase hipnótica, ideal para balançar e deixar a melodia te conduzir. Uma faixa que cresce exponencialmente e traz o público para essa expectativa com toques medievais que remetem a cantora Aurora.

Na seguinte, “Beast” chega como um hit do disco, com violino charmoso, uma percussão marcada e uma guitarra simples mas muito bem posicionada, forte e precisa. Aqui, a banda abusa do que chamamos de refrão hit, a canção tem levada e um refrão totalmente cativante. Aqui há mais intensidade, sonoridade marcante, com influências pop e o toque nórdico em destaque, além do rock sutil e o poder dos seus vocais. É uma faixa que tem um potencial tremendo, funcionando como uma injeção de ânimo.

Na canção “Marbled” a artista multifacetada buscou um som mais imersivo e lisérgico, entregando uma sonoridade mais minimalista e introspectiva inspirada totalmente em tons medievais e um violino folk. A produção aqui é mais “espacial”, com silêncios bem posicionados e uma sensualidade sutil, deixando espaço para cada nota se expandir. A música exala sutileza e, ao mesmo tempo, densidade, há uma sensação de relaxamento, dançar com o vento, se sentir livre. Uma sonoridade “de fada” ou “viking”, criando um estilo único e emocionalmente profundo.

A faixa 5, “Ballon” combina camadas etéreas de teclado com uma linha de instrumentos de corda regionais e místicos, abafado e ligeiro. A voz brinca com os elementos de pop e folk da faixa que fica em nossa mente. Há um peso e energia completa do folk, com os vocais etéreos que já são a assinatura de Ashes to Brass, trazendo uma pegada mais rock’n’roll e se tornando a faixa mais comercial do disco, perfeita para rádios e para festivais.

“Flowers of Us” volta com uma energia renovada, mas mantendo o clima folk, onde os elementos de pop contemporâneo ganham protagonismo, em uma faixa que combina dança e coreografias, remetendo a Aurora, Lana del Rey e Within Temptation – uma mistura peculiar mas que deu muito certo. “Floral Sea” traz um folk rock mais denso e relaxante, com instrumentação sutil e técnica, mas dando espaço para os vocais brilharem – vocais mais voltados ao pop comercial, mas com toques sutis de heavy metal- lembrando Amy Lee e Sharon den Adel.

“Goddess” entrega um tom sombrio e misterioso, com batidas fortes e o peso tradicional do rock. Uma faixa perfeita para trilha sonora de filmes, com batidas brutas e densidade que prova que o disco é cinematográfico construído sobre uma narrativa imersiva. – é a faixa que mais gostei.

Se preparando para o encerramento, “Janus” cria uma sensação de liberdade, uma faixa que é pura nostalgia e liberdade. Uma vibe intimista com violinos que roubam a cena, mas perdem rapidamente para os vocais trazendo a sensualidade. A faixa é potente, e perfeita para cantar em coro. Outra faixa que me encantou, é preciso ouvir para entender…

O álbum fecha com “Shadow”, faixa que retorna ao Noir, criando uma atmosfera mais pop mas mantendo o clima de folk e metal sinfônico, mesclando com pianos sentimentais. É o fechamento ideal, carregado de presença e cheio de estilo, deixando uma impressão duradoura desse conjunto único de músicas que é ‘Liquify’.