Memory Remains

Memory Remains: Aerosmith – 51 anos de “Toys in the Attic” e o sucesso de vendas

8 de abril de 2026


Há 51 anos, em 8 de abril de 1975, o Aerosmith lançava “Toys in the Attic“, o terceiro álbum da veterana banda, e que é tema do nosso Memory Remains desta quarta-feira.

Nosso aniversariante foi o segundo álbum a contar com Jack Douglas na produção. Ele havia trabalhado com a banda em “Get Your Wings“, o álbum anterior, e notou que o período na estrada tocando as novas músicas fez muito bem à banda, e o produtor rasgou elogios ao quinteto, como iremos reproduzir abaixo:

“O Aerosmith era uma banda diferente quando começamos o terceiro álbum. Eles vinham tocando Get Your Wings na estrada há um ano e tinham se tornado músicos melhores – diferentes. Isso se refletiu nos riffs que Joe [Perry] e Brad [Whitford] trouxeram da estrada para o próximo álbum. Toys in the Attic foi um disco muito mais sofisticado do que os outros trabalhos que eles tinham feito.”

O guitarrista Joe Perry foi na mesma linha de raciocínio do produtor, acrescentando que para “Toys in the Attic“, eles começaram o trabalho do zero e creditando todo o sucesso das gravações com Jack Douglas. Na autobiografia da banda, intitulada “Walk This Way“, ele falou sobre como o produtor foi fundamental. Aspas para ele:

“Nossos dois primeiros álbuns eram basicamente compostos de músicas que vínhamos tocando ao vivo em clubes há anos. Com Toys , começamos do zero. Fazendo este disco, aprendemos a ser artistas de gravação e a compor músicas sob pressão. Nesse processo, começamos a perceber o que o Aerosmith era capaz de realizar. Com todos contribuindo com ideias, Toys foi o nosso divisor de águas. Esse divisor de águas foi facilitado por Jack Douglas … No estúdio, ele assumiu o papel de sexto membro da banda”.

Como a banda havia passado mais de um ano fazendo shows, e eles entendiam que não deveriam compor músicas enquanto estivessem na estrada, as canções presentes no álbum começaram a ser criadas de fato quando a banda já estava em estúdio, com Tyler escrevendo as letras depois que os arranjos já estavam prontos. Antes, passaram dois meses trabalhando na pré-produção.

O álbum foi gravado entre janeiro e março de 1975, no icônico The Record Plant, em Nova Iorque. Jay Messina fez a engenharia de som, tendo o auxílio de Rod O’Brien, Corky Stasiak e Dave Thoener. O álbum foi gravado em uma mesa de 16 canais e eles tocaram ao vivo, e conta com instrumentos adicionais como piano, talkbox, e até mesmo uma orquestra que foi colocada na faixa “You See Me Crying“.

O guitarrista Joe Perry disse que o álbum iria se chamar “Rocks“, que acabou sendo o sucessor de nosso homenageado. O título “Toys in the Attic” foi escolhido por Steve Tyler, que explicou a escolha em sua autobiografia, que iremos deixar abaixo:

“Eu criei o título por causa de seus significados óbvios e, já que as pessoas achavam que éramos loucos de qualquer maneira, que diferença fazia? Este era o ‘Toys in the Attic’ do Aerosmith … singular, sexy e psicosensacional. A outra razão pela qual criei ‘Toys in the Attic’ foi porque eu sabia que tínhamos chegado lá. É uma declaração de longevidade. O disco será tocado muito depois de você morrer. Nossos discos também estariam lá no sótão, com as coisas que você amava e nunca queria esquecer. E para mim, o Aerosmith estava se tornando isso.”

Errado, o líder do Aerosmith não estava. E dando play no álbum, temos um baita álbum com muito vigor. São oito faixas em apenas 37 minutos, e alguns dos grandes clássicos da banda foram forjados aqui como em “Walk This Way“, “Sweet Emotion” e na faixa-título, mas ainda podemos destacar outras como “Round and Around” e a bela “You See Me Crying“, que ganhou elogios até mesmo do presidente da gravadora, que estava presente no estúdio quando a banda gravou acompanhada da orquestra.

A recepção ao álbum foi excelente, tanto por parte da imprensa especializada, que, à exceção da Rolling Stone, rasgou elogios ao lançamento do Aerosmith, quanto por parte do público, que o tem como um dos álbuns favoritos. Nas paradas de sucesso, “Toys in the Attic” figurou em 7° no Canadá e na França, 11° na “Billboard 200“, que se tornaria a melhor posição de um álbum da banda nas paradas dos Estados Unidos até então, e 77° na Austrália. Foi certificado com Disco de Ouro na Austrália, Platina no Canadá e nove vezes Platina nos Estados Unidos, tornando-se o álbum mais vendido da banda naquele país.

Infelizmente a banda precisou interromper a sua turnê de despedida, depois que os problemas nas cordas vocais de Steve Tyler foram diagnosticados como irreversíveis. Oficialmente, a banda não acabou, mas não fará mais shows, então, quem viu, viu. E quem não viu, vai somente escutar as histórias de quem foi ao menos uma vez aos concertos da banda.

A última apresentação aconteceu em 9 de setembro de 2023, nos Estados Unidos, e na ocasião, a banda tocou cinco faixas de nosso aniversariante: “Adam’s Apple“, “No More No More“, “Sweet Emotion“, “Toys in the Attic” e “Walk This Way“, que foi a última música a ser tocada ao vivo pela banda. O álbum é o campeão das músicas mais tocadas nos shows do Aerosmith.

Se a possibilidade de um retorno para o término da turnê de despedida é remoto, temos a história e o legado desta banda, que ficou famosa não só pela história de ter “cheirado o próprio avião”, mas por ter sido uma das mais importantes do Hard Rock. Vamos celebrar esse álbum que envelhece muito bem, obrigado.

 

Toys in the Attic – Aerosmith
Data de lançamento – 08/04/1975
Gravadora – Columbia

Faixas:
01 – Toys in the Attic
02 – Uncle Salty
03 – Adam’s Apple
04 – Walk This Way
05 – Big Ten Inch Record
06 – Sweet Emotion
07 – No More No More
08 – Round and Round
09 – You See Me Crying

Formação:

  • Steve Tyler – vocal/ teclado/ gaita/ percussão
  • Joe Perry – guitarra/ violão/ slide guitar/ talkbox/ percussão
  • Brad Whitford – guitarra
  • Tom Hamilton – baixo/
  • Joey Kramer – bateria/ percussão

Participações especiais:

  • Scott Cushnie – piano em “Big Ten Inch Record” e em “No More No More”
  • Jay Messina – marimba em “Sweet Emotion”
  • Mike Mainieri – orquestra em “You See Me Crying”
  • Dick Wagner – guitarra solo