Resenhas

Neaerest Dusk

Insipidus

Avaliação

8.5

Insipidus, banda de death metal melódico/progressivo originária de Denver, Estados Unidos, emerge com seu álbum de estreia  ‘Neaerest Dusk’, trazendo uma sonoridade crua e direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional do gênero. A banda entrega uma performance densa e brutal em todas as 7 faixas do álbum, mas com um toque melódico/progressivo com raízes na brutalidade dos anos 90, mas com estrutura e atmosfera modernas.

A abertura com “A hill of ash” é um convite para o mundo pesado e sombrio de Insipidus, com riffs pesados e vocais guturais intensos, bateria marcada e uma produção que já escancara o tom do disco — direto, sem massagem, mas cheio de detalhes escondidos nas camadas de guitarra. Uma faixa que entrega influências do black metal noruegues.

“Haifa” mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som gordo e distorcido do Death Metal americano mas com toques modernos, utilizando a receita clássica do estilo mas colocando os temperos próprios da banda. Formada a partir de apresentações de rua e shows independentes, Insipidus entrega composições pesadas e intrincadas com uma pegada crua e analógica.

Em “Suffer”,  o death metal melódico e agressivo característico do grupo, continua. Detalhe interessante é o detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas.. que criam ruídos agudos e enfatizam ainda mais a violência do som. Os vocais são sempre inspirados em black metal, criando um som que irá encantar os fãs do estilo.

A sonoridade em geral mescla peso do death/black metal, com um apelo melódico acessível, resultando em músicas que equilibram agressividade contida com passagens introspectivas. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional.

“Impossible Choice” continua a brutalidade mas desta mais muito mais melódico. A faixa chega com uma pegada mais heavy metal na entrada, e logo culminará em uma bateria urgente e um refrão poderoso, com vocais que remetem as raízes do black metal e seus originários, porém menos agressivo.

Enquanto  “Todesmarsch (Kanada)” explode de agressividade e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça, com um ritmo mais inspirado no thrash metal dos anos 80 e a rapidez de bandas como Iron Maiden, Metal Church e mais. Os vocais finalmente trazem o tom do death metal com tons de thrash, criando um som mais comercial nessa faixa, perfeita para rádios e para o mosh no show. Preparando os ritos finais, a faixa-título  “Nearest Dusk” retorna ás raizes do black metal.

Para encerrar, “Red Sand”  entrega uma faixa dilacerante, que apresenta como um encerramento épico, afinal é a faixa mais complexa e diferente do disco, com variações rítmicas e um trabalho de solo mais melódico, a faixa é uma explosão de dinamismo sonoro brutal e incontestável.

É  importante notar que Insipidus não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de death metal, mas entregam técnica e cheio de influências. O grupo consegue criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som que, embora bem executado e fiel às raízes do gênero, não oferece grandes surpresas ou inovação.

Para aqueles que são fãs de bandas mais tradicionais mas abertos a modernidade, Insipidus oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais guturais e uma atmosfera sombria. Para os apreciadores de death metal melódico/black metal, ‘Neaerest Dusk’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero.