Resenhas

The Cloud of Unknowing

Sepultura

Avaliação

9.0

O iminente fim do Sepultura está próximo, mas antes dessa despedida a banda nos brinda com um EP ousado e interessante chamado “The Cloud Of Unknowing”. Com quatro músicas estupendas, o trabalho também marca a estreia de Greyson Nekrutman como membro oficial na bateria em estúdio. De uma forma ou de outra, esse EP tem tudo para surpreender muitos fãs, já que apresenta uma sonoridade distinta, com algumas experimentações que fogem do padrão tradicional da banda.

Antes de entrar no mérito musical, vale um comentário pessoal: o EP chega oficialmente no dia 24, mas ao adquirir na pré-venda pela Sepulstore — loja oficial da banda no Brasil — a experiência foi extremamente positiva. Além do CD acompanhado de camiseta e brindes, o envio foi muito eficiente, chegando quase duas semanas antes do lançamento. Fica aqui o reconhecimento pelo excelente trabalho.

Musicalmente, as quatro faixas carregam muito da identidade construída nos dois últimos álbuns, mas com um diferencial importante: há espaço para experimentação. Em “All Souls Rising”, temos um início acelerado, com riffs rápidos que remetem ao Thrash Metal, acompanhados por elementos pontuais de orquestração. A música quebra o ritmo em sua metade, trazendo uma pegada mais Groove, com guitarras dobradas e um solo melódico que remete diretamente à fase de “Machine Messiah” e “Quadra”.

Já “Beyond The Dream”, descrita por Andreas Kisser como a primeira balada do Sepultura, realmente surpreende. Sem guturais, com andamento mais cadenciado e uma atmosfera melancólica, a faixa ganha ainda mais destaque com a participação de Sérgio Britto e Tony Bellotto, dos Titãs, na sua composição. Pode causar estranhamento à primeira vista, mas é uma faixa muito bem trabalhada, que levanta até a reflexão de que a banda poderia ter explorado esse caminho em outros momentos da carreira.

Sacred Books” é, sem dúvida, uma das maiores surpresas do EP. Pesada e com riffs bem definidos, a faixa ousa ao inserir um solo de piano em meio ao caos — algo inusitado para o Sepultura, mas que funciona muito bem. Aqui também brilha a performance de Greyson, alternando entre grooves marcantes e ataques intensos nos bumbos, mostrando personalidade e técnica.

Encerrando o EP, “The Place” surge como o grande apogeu. Trata-se de uma faixa com forte abordagem progressiva, explorando novamente os vocais limpos, agora mesclados com os tradicionais guturais de Derrick Green. A construção é cadenciada e crescente, lembrando bastante a proposta da faixa “Machine Messiah”, até atingir uma ponte com um riff esmagador que evolui para um Thrash Metal impiedoso. É um fechamento poderoso e digno para a fase final da banda.

Ao final da audição, fica aquela sensação agridoce: por um lado, a satisfação de ouvir um trabalho consistente, ousado e muito bem executado; por outro, o desejo de que houvesse mais músicas. Com pouco mais de 16 minutos de duração, o EP parece curto diante de uma trajetória de mais de 40 anos. Ainda assim, ele deixa claro que havia potencial para mais com essa formação. De qualquer forma, o Sepultura se despede como a maior banda da história do Metal Brasileiro, encerrando sua jornada com a sensação de dever cumprido — e, felizmente, em alta.

Formação:
Andreas Kisser — Guitarras;
Derrick Green — Vocal;
Paulo Xisto Jr. — Baixo;
Greyson Nekrutman — Bateria.

Tracklist:
01. All Souls Rising
02. Beyond The Dream
03. Sacred Books
04. The Place