Créditos das fotos:
The Pretty Reckless (@camilafcara / Live Nation Brasil)
AC/DC (@mrossifoto / Live Nation Brasil)
O AC/DC realizou o primeiro de três shows da Power Up Tour em São Paulo, no estádio Morumbis, marcando o reencontro com o público brasileiro após 17 anos. A última apresentação da banda no país havia sido em 2009.
Antes mesmo de o grupo subir ao palco, um dos registros mais marcantes da noite já se desenhava na plateia: milhares de chifres vermelhos iluminados formavam um verdadeiro mar de luzes na escuridão, visível nos intervalos entre as músicas. Ficava evidente que os ambulantes faturaram uma fortuna com as tiaras de chifrinho que, na Rua 25 de Março, são vendidas por R$ 10 a R$ 15 e, ali na porta do estádio, os camelôs comercializavam por R$ 40.
Isso demonstra como um evento dessa magnitude movimenta intensamente tanto o mercado formal quanto o informal.
A abertura da noite ficou a cargo da banda nova-iorquina The Pretty Reckless, liderada por Taylor Momsen, conhecida também por atuar na série Gossip Girl. O set equilibra principalmente músicas do álbum Death by Rock and Roll, com clássicos do disco de estreia Light Me Up e faixas marcantes de Going to Hell e Who You Selling For. Com vocais marcantes e presença de palco, a banda abriu com estilo a programação da primeira noite na capital paulista.
Direto e sem concessões, o The Pretty Reckless entregou um show intenso, coeso e fiel à sua identidade. A apresentação alternou momentos de explosão crua com passagens mais sombrias e densas.
A abertura com “Death by Rock and Roll” já deixou claro o tom da noite: guitarras afiadas, refrão forte e uma presença de palco sexy e magnética de Taylor Momsen, que conduziu o público com segurança e atitude. Em seguida, “Since You’re Gone” e “Follow Me Down” mantiveram a energia em alta.
“Only Love Can Save Me Now” trouxe um peso mais cadenciado, preparando o terreno para um dos momentos mais especiais da noite: “For I Am Death”, apresentada ao vivo pela primeira vez. Os fãs acompanharam atentos a cada nuance da nova canção.
“Witches Burn” voltou a incendiar o ambiente, elevando a intensidade antes de a banda mergulhar em um dos pontos altos do repertório, “Make Me Wanna Die”. Já consolidada como um clássico do grupo, a faixa foi bem recebida pelo público. Na sequência, “Going to Hell” e “Heaven Knows” mantiveram o nível da apresentação, reafirmando a força dessas músicas dentro da trajetória da banda.
O encerramento com “Take Me Down” garantiu uma despedida à altura, fechando a apresentação com energia e deixando a sensação de missão cumprida.
Pontualmente às 21h, teve início o momento mais aguardado da noite. Assim que as luzes se apagaram, os gritos do público tomaram conta do estádio. Quando o AC/DC entrou em cena, a atmosfera pareceu explodir, com pulos sincronizados, gritos a plenos pulmões e copos de cerveja erguidos, alguns voando, compondo o cenário de euforia coletiva. A empolgação atingiu o nível máximo já nos primeiros acordes.
A apresentação começou com “If You Want Blood (You’ve Got It)” e, sem rodeios ou discursos desnecessários, a banda emendou “Back in Black”, reforçando a conexão entre as diferentes gerações presentes no estádio. Parte do público acompanha o grupo há décadas, enquanto outros vivenciavam a experiência ao vivo pela primeira vez. Ao longo da noite, a diferença de idade não se refletiu na intensidade da participação, que foi uniforme e vibrante do início ao fim.
Ao meu lado, um fã contou ter percorrido cerca de 1.500 quilômetros apenas para assistir a essa apresentação, prova de como a devoção pode ultrapassar distâncias quando se trata de ídolos aguardados por tanto tempo.
O repertório seguiu com “Demon Fire” e “Shot Down in Flames”, preparando o público para “Thunderstruck”, cujo riff inicial foi acompanhado por quase 70 mil pessoas. “Have a Drink on Me” antecedeu “Hells Bells”, anunciada pelo toque do sino que ecoou pelo estádio.
A banda alternou músicas de diferentes fases da carreira. “Shot in the Dark” representou o período mais recente, enquanto “Stiff Upper Lip” integrou a sequência que culminou em “Highway to Hell”, cantada em coro. Durante o show, Brian Johnson mencionou Bon Scott e o legado do ex-vocalista, afirmando ser apenas “a messenger”.
Na parte final da apresentação principal, vieram “Shoot to Thrill”, “Sin City”, “Jailbreak”, “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, “High Voltage” e “Riff Raff”. “You Shook Me All Night Long” mobilizou o público em uníssono, seguida por “Whole Lotta Rosie” e “Let There Be Rock”, com destaque para a performance de Angus Young.
O bis contou com “T.N.T.” e foi encerrado com “For Those About to Rock (We Salute You)”, acompanhada por efeitos de canhões que ecoaram pelo estádio.
Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi o desempenho de Brian Johnson. Após os problemas auditivos que o afastaram temporariamente da banda em 2016, seu retorno aos palcos sempre gera expectativa. No entanto, o vocalista mostrou segurança, potência e fôlego, entregando uma performance firme e consistente, especialmente impressionante considerando a exigência do repertório e seus 78 anos de idade.
Se Brian sustentou a voz com autoridade, Angus Young foi um espetáculo à parte. Incansável, percorreu o palco de um lado a outro, executando solos com precisão e mantendo a energia em alta durante toda a apresentação. Único integrante original ainda em atividade no AC/DC, sua presença carrega também o peso histórico da trajetória iniciada nos anos 1970. Seu carisma e vitalidade continuam sendo um dos grandes motores do show, provando por que ele permanece como a imagem mais emblemática da banda.
Ao fim da noite, ficou a impressão de que o AC/DC não depende de artifícios para se manter relevante. A força do repertório, a execução segura e a entrega no palco bastam. Décadas depois da formação, a banda segue fiel à própria identidade, sustentando um espetáculo direto, eficiente e sem excessos.
Setlist AC/DC (24 de fevereiro de 2026):
If You Want Blood (You’ve Got It)
Back in Black
Demon Fire
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Have a Drink on Me
Hells Bells
Shot in the Dark
Stiff Upper Lip
Highway to Hell
Shoot to Thrill
Sin City
Jailbreak
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
High Voltage
Riff Raff
You Shook Me All Night Long
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock (com solo extendido de Angus)
Encore:
T.N.T.
For Those About to Rock (We Salute You)
Galeria do show
- AC/DC (@mrossifoto Live Nation Brasil)














