Resenha de Show

Lisboa recebe a inesquecível liturgia do Batushka com abertura de bandas da América Latina

Início do ritual da banda Batushka

Jéssica Marinho/Headbangers News

Início do ritual da banda Batushka

Bem no meio da semana, em uma noite de terça-feira, a cidade de Lisboa recebeu a missa sombria mais conhecida no mundo do metal. A banda de black metal anônima polonesa BATUSHKA está rodando a Europa com a “Black Liturgy PilCrimace Tour 2022”, acompanhados dos suecos do DIABOLICAL, e dois da América latina, os brasileiros PARADISE IN FLAMES e os colombianos ESHTADUR.

A turnê desembarcou no RCA Club, que teve lotação máxima com um público muito fiel que agitou do início ao fim. Como abertura, a banda colombiana de death metal melódico ESHTADUR aqueceu o público para os shows principais, começando seu show às 19H30 em ponto. Apresentando um som potente e bem trabalhado, a banda incorpora uma atmosfera melódica mortal que atinge reinos de escuridão e desespero através da decadência da humanidade. Ela busca se rebelar, à sua maneira sombria, abraçando a realidade abjeta.

ESHTADUR é um nome forte do death metal da Colômbia que traz para a vanguarda uma sonoridade brutal do death metal melódico com elementos sinfônicos, que flerta com o black metal e isso pode ser provado com um show espetacular, agressivo e que fez o público se encantar nos primeiros minutos de apresentação. A banda, que faz parte do casting do selo digital BloodBlast – subsidiária digital da gravadora alemã Nuclear Blast -, apresentou clássicos da carreira e músicas do novo disco ‘From The Abyss’, lançado em 2020. Não haveria banda melhor para começar uma noite brutal recheada de black e death metal.

Jorg August, fundador, guitarrista e vocalista do ESHTADUR

Jéssica Marinho/Headbangers News

Jorg August, fundador, guitarrista e vocalista do ESHTADUR

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Continuando a noite, é a vez de um dos grandes nomes brasileiros da atualidade, a banda PARADISE IN FLAMES, que apresenta uma inusitada mistura de black metal sinfônico com pitadas de death metal. Também do casting da BloodBlast, esta é uma das bandas mais convincentes da cena metal brasileira, na qual passou por uma ótima evolução na sonoridade e no estilo, tornando seu som mais profissional e reforçando a identidade musical e maturidade, que podemos ouvir no novo álbum, ‘Act One’ – título que refere-se à abertura das cortinas do teatro negro e vai de encontro às mudanças estilísticas e a nova fase do grupo.

A banda mineira traz uma mescla de estilos denominada como horror metal, e apresentou um dos melhores shows em Portugal, com um repertório que mescla entre músicas do novo disco e os clássicos da banda, que vem conquistando uma legião de fãs. PARADISE IN FLAMES é uma das revelações do metal extremo no cenário brasileiro, formados em 2002 com uma proposta para confrontar as ideias, seguem conquistando fãs – além de uma boa fã base que já tem em Portugal. É muito gratificante poder acompanhar shows de bandas brasileiras pela Europa, o que mostra que o Brasil continua exportando nomes que tem tudo para conquistar um lugar ao lado dos maiores nomes do metal mundial.

O.Mortis, vocalista do Paradise in Flames

Jéssica Marinho/Headbangers News

O.Mortis, vocalista do Paradise in Flames

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A penúltima apresentação da noite ficou por conta da banda sueca DIABOLICAL, que mais uma vez se juntou ao BATUSHKA para outra turnê europeia. Mais de vinte anos após sua formação no norte da Suécia, os inovadores blackened death DIABOLICAL provam ser mais vitais do que nunca, com um show espetacular que possui uma iluminação inusitada – e que é um desafio para fotógrafos. O show foi uma comemoração dos 25 anos de banda, com um setlist especial composto por músicas que não nunca foram tocadas ao vivo e claro, músicas do novo disco ‘Eclipse’ – um álbum conceitual que reflete sobre o lado sombrio da humanidade que força o ouvinte a explorar seu próprio lado diabólico.

DIABOLICAL possui uma complexidade musical e estética que gira em torno de uma densa paisagem sonora de ideias excelentemente destiladas e refinadas, formando uma rara exibição de habilidade musical igualada por muito poucas bandas de metal contemporâneas. Foi incrível ver esse show, que é uma imersão ao mundo sombrio da banda, que além da temática, cria uma sonoridade muito bem produzida e agradável de ouvir, mostrando uma banda madura e sofisticada.

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Enquanto os tribunais decidem se é Krzysztof Drabikowski (guitarrista e alegado fundador) ou Bartłomiej Krysiuk (vocalista) quem deterá definitivamente a marca que é BATUSHKA, Krysiuk segue lançando álbuns e realizando shows como BATUSHKA – o que faz muitos fãs chamarem de “O falso BATUSHKA”. E seguindo assim foi que aconteceu a Black Liturgy PilCrimace Tour 2022, Um dos shows mais esperados da noite.

O ritual começa com a montagem do palco que conta com uma mega produção contendo velas, bíblia e tudo que uma missa típica da Igreja Ortodoxa Oriental possui. BATUSHKA entra no palco com oito integrantes, o que surpreendeu aos que nunca tinham visto a banda ao vivo, com as figuras vestidas de túnica preta e rosto coberto que assumem seus lugares no palco que parecia até pequeno para a apresentação. Em contraste com muitas outras bandas de black metal, o BATUSHKA usa guitarras de oito cordas, algo que também chamou muito a atenção – pela técnica e talento utilizado.

Com uma inesquecível liturgia, o palco do RCA Club se transformou em um santuário de cristianismo ortodoxo, onde os polacos do BATUSHKA provam todo o talento musical e criativo, com uma apresentação que não há defeitos, completamente teatral onde todos os músicos entram nos personagens e apresentam um dos shows mais incríveis visualmente que o site já presenciou.

A banda ficou praticamente paralisada em cima do palco, exceto o vocalista e comandante da “missa”, que mostrava quadros, seguravas crânios, velas, a água benta e o turíbulo de incenso. O público se mostrou encantado, desde os que assistiam atentos aos que agitavam um mosh durante o show, era como se entrássemos em uma viagem no tempo direto para a Igreja Antiga. Com certeza, é um show que ficará na memória (Agradecemos à produtora Notredame Productions).

 

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RCA Club

Data: 26/04/22

Horário: 19H30

R. João Saraiva 18, 1700-249 Lisboa