Resenha de Show

Black Flag mostra que ‘o punk não morreu’ com show arrebatador em São Paulo

Carlos Pupo/Headbangers News

Neste domingo, dia 08 de Março de 2020, a capital paulista recebeu pela primeira vez uma apresentação dos americanos do Black Flag. Não, não temos mais à frente do grupo o vocalista Henry Rollins, mas temos aqui a banda do guitarrista Greg Ginn. Garanto que Rollins não deve ter coisas agradáveis para dizer sobre Ginn, mas eu tenho.
O cara merece respeito e mandou muito bem na apresentação em São Paulo. Ele se movimenta de uma forma engraçada no palco, mas vale lembrar que já é um senhor de 65 anos e que sua técnica está muito acima da média dos guitarristas da cena punk.

Somente balançando a cabeça, vai mandando os acordes diretos e agressivos que contrastam com seu comportamento explicitamente tranquilão.
Alguém pode questionar se foi uma atitude punk disputar na Justiça os direitos da marca registrada da banda e suas músicas, mas é inquestionável a energia emanada nesta apresentação. Para quem não sabe, em 2013 os ex-membros do Black Flag decidiram sair em turnê como “Flag” enquanto tocavam músicas de sua antiga banda. Ginn processou seus ex-colegas por violação de marca registrada quando eles usaram o logotipo do Black Flag para promover a turnê do Flag. Ele também processou ex-cantores Morris e Rollins por usar o logotipo na promoção de discos, mercadorias e performances ao vivo.
Legalidades e debates éticos à parte, mesmo que você não seja fã dos subgêneros hardcore ou pós-hardcore sabe que o grupo deixou seu legado e influenciou centenas de outras bandas pelo mundo afora.
O skatista profissional Mike Vallely é o vocalista desde 2013, não tem o mesmo carisma de seus antecessores, mas é o sujeito que não deixa a moral cair e é extremamente atencioso com os fãs (até autografou um shape de skate durante a apresentação). Os fãs reconheceram isso e gritaram seu nome numa espécie de validação de sua presença ali, caindo por terra as teorias e lamúrias dos “especialistas” de redes sociais que nunca aparecem em um show, mas adoram falar besteira.
Começando com o toda-poderosa “Depression” do clássico álbum Damaged, Vallely assumiu bem o seu papel e foi cantando petardo após petardo causando uma catarse no público, fazendo com que o mosh pit crescesse cada vez mais e uma chuva de cerveja caísse sobre a pista.
E assim foi clássico após clássico, “Six Pack,” “Slip It In”, “Black Coffee,” até explodir na talvez mais conhecida música da banda “Rise Above”, que até os brasileiros do Sepultura fizeram um cover, incluído no álbum Nation de 2001.
O encerramento ficou por conta de “Louie Louie”, composição de Richard Berry de 1957, mas que ficou realmente famosa na intrepretação banda de rock The Kingsmen, em um single em 1963.
Toda esta aura underground se faz muito necessária em tempos de “pasteurização” das canções e das ideias. Tudo que vimos nesta noite foi autêntico e genuíno, apesar da banda não mais contar com uma formação clássica ou original. O Black Flag ainda é o que há de mais inspirador no movimento punk e hoje em dia o que mais precisamos é de punks de verdade.

Beatriz Battaglia/Powerline


Formação:
Mike Vallely (vocal)
Greg Ginn (guitarra)
Joe Noval (baixo)
Isaias Gil (bateria)

Carioca Club

Data: 08/03/20

Horário: 19h

Rua Cardeal Arcoverde, 2899 - Pinheiros