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Kool Metal Fest mostra que o bloco do thrash metal é a melhor parte do carnaval paulistano

Kool Metal Fest mostra que o bloco do thrash metal é a melhor parte do carnaval paulistano

13 de fevereiro de 2024


Crédito das fotos: Anderson Hildebrando/Headbangers News

Em pleno domingo (11) de carnaval, o Kool Metal Fest colocou o seu bloco de thrash metal no palco do Carioca Club, zona oeste de São Paulo, para fazer a alegria dos foliões metaleiros que se aglomeravam para viver mais uma edição do já cultuado festival de música extrema.

Fazia muito calor na capital paulista (temperatura na casa dos 30°C), quando a casa abriu as portas para receber os pouquíssimos homens (ou garotos) de preto, às 14h. Internamente, tudo bastante tranquilo, com pouca movimentação até então. A organização do evento ofereceu algumas opções de alimentação, como salgados veganos (o bolinho de shimeji tava espetacular, hein) e pizzas (nas versões brotinho e cone), além das opções de bebidas, drinks e porções que eram vendidas no bar da casa. Ou seja, tinham boas opções, para vários tipos de paladares e todos os bolsos. Também não posso esquecer das clássicas e tão desejadas bancas de merch, que vendiam camisetas, bonés, patchs, copos, vinis, CDs, pôsteres… para os fãs com dinheiro no bolso ou limite no cartão, era o mundo dos sonhos.

O festival começa dentro do horário programado e às 14h33 a banda paulistana Santa Muerte, dá o start no carnaval dos headbangers de plantão com a ótima “Scars of Guilty”. Foi um ótimo abre-alas!

Liderada pela poderosa Marília Massaro (vocalista/guitarrista), que ao lado da Jhully Silva (bateria) e Marcelo Araújo (baixista do Cerberus Attack), o grupo entregou um thrash crossover de alto nível para animar os poucos presentes no local. Como foi a minha primeira vez com a Santa Muerte, fiquei impressionado com a entrega sonora e, também, pela humildade do discurso da Marília, que agradecia o tempo todo por estar tocando em um festival tão importante para a cena extrema, como o Kool Metal. Sensacional!

Marília ainda arrumou tempo para dar um recado: após 12 anos resistindo no cenário underground, finalmente, a banda está perto de lançar o primeiro disco. Boa notícia!

Após uma pequena pausa, às 15h20, o Cerberus Attack, banda de São Mateus, Zona Leste de São Paulo, sobe ao palco com fome de destruição para entregar o que já é esperado: um thrash metal brutal, com muita velocidade e uma performance digna de banda veterana. Liderada por Jhon França (Eskröta/Blasthrash), a banda apresentou o setlist com as ótimas “Straight Outta East Side” e “Moshers”. Tudo isso, com moshs divertidos, suados…, mas pacíficos!

Diretamente de Rio Claro, interior de São Paulo, a banda Escalpo sobe ao palco às 16h10, para mandar o seu metal/punk cheio de críticas sociais com temperos de death e D-Beat. Eu, assim como outros tantos presentes no local que ainda não tinham visto a banda ao vivo, optaram por entender a dinâmica da banda mais de longe, sem tantas rodas.

A banda se mostra necessária, quando nos apegamos aos seguintes detalhes: bandeiras LGBTQIA+ (nova bandeira que inclui cores trans, intersexo e de luta atirracista) e antifascista estendidas nas caixas, além do guitarrista Thiago Franzim, que vestia a camiseta do álbum “Clara Crocodilo”, do Arrigo Barnabé. Achei legal!

Antes mesmo do horário programado, às 16h56, os cearenses do Damn Youth chegam para entregar um dos shows mais aguardados do festival, pois se trata dos queridinhos da nova geração, que vestiam camisetas e cantavam os refrões aos berros.
Com o Carioca Club um pouco mais cheio e absurdamente quente, a banda se mostrava muito à vontade enquanto disparava músicas que passeavam por toda a discografia, inclusive o hino contemporâneo do thrash metal brasileiro, “”No Mercy to Nazi Sympathy”. Coisa linda vê-los cada vez mais maduros!

Às 17h58 a banda Ratos de Porão sobe no palco do Carioca Club e mais uma vez como atração de peso no Kool Metal Fest, para entregar um show brutal como de praxe. Diferente de outros shows, o setlist trouxe músicas do álbum “Just Another Crime… in Massacreland”, como “Satanic Bullshit” e “Video Macumba”, músicas do último álbum “Necropolítica”, como “Aglomeração” e “Alerta antifascista” e, obviamente, as clássicas “Farsa Nacionalista”, “Crianças sem Futuro”, “Aids, Pop, Repressão”, “Beber até Morrer”, “Crucificados pelo Sistema”, “Descanse em paz”, “Lei do Silêncio” e outras tantas.

O público ama ver Jão, Gordo, Juninho e Boka juntos, que sempre entregam tudo no palco. E a resposta de que estava tudo bem veio através das moshs intensas, onde a garotada se misturava com os veteranos grisalhos para um baile “furioso” e na paz. Essa união do público é a prova de que o movimento headbanger segue em processo de renovação e mais vivo do que nunca! João Gordo (sem barba) manifestou a sua felicidade em ver essa molecada pegando o bastão.

Com o ambiente ainda mais quente, a banda Exhorder sobe ao palco às 19h20 para destilar o seu groove metal requintado, mas um pouco mais burocrático para os critérios dos presentes na pista. Às vésperas do lançamento de “Defectum Omnium”, que será lançado em 8 de março, os americanos de New Orleans imprimiram um ritmo veloz, com as duas guitarras bem conectadas, mesmo tendo que driblar alguns problemas técnicos, como a corda da guitarra de Waldemar Sorychta que estourou e o vocalista Kyle Thomas teve que sustentar a performance até que tudo fosse normalizado.

O setlist foi curto (apenas 7 músicas), mas trouxe as clássicas “Slaughter in the Vatican” e “Desecrator”, para a alegria dos “tiozinhos” que cantavam emocionados. Já a nova “Year of The Goat” até que empolgou os mais exigentes. Já dá pra sentir como vão soar as músicas do novo álbum.

Os integrantes estavam muito à vontade. Waldemar Sorychta fazia pose para os tantos celulares apontados para ele., enquanto Kyle Thomas e o baixista Jason VieBrooks faziam brincadeiras como se estivessem esquecendo as notas da música. Certamente eles se divertiram mais do que a plateia, que queriam mesmo era ver o Vio-Lence.

Às 20h33, com três minutos de atraso, abrem-se as cortinas para o tão esperado headliner do festival, a icônica banda de thrash metal da Bay Area, Vio-Lence. E valeu a pena enfrentar o calor quase que insuportável do Carioca Club, pois o show foi avassalador do início ao fim. Além de mandar os clássicos da banda, o vocalista Sean Killian, que trajava um colete com patchs de bandas como Black Sabbath, Misfits, Johnny Cash, Slayer e Siouxsie and the Banshees, se mostrava feliz com o momento. Sua cara dizia isso!

A apresentação em terras brasileiras se tornou ainda mais especial, por se tratar da despedida do “guitar hero” Phil Demmel, que vai se juntar à nova banda de Kerry King. E Phil estava gostando da noite e aproveitava o momento esmiuçando a sua guitarra de bolinhas, a la Randy Rhoads. Foi emocionante viver isso de perto!

O setlist do show se apegou basicamente aos dois primeiros álbuns: “Eternal Nightmare” de 1988 e “Oppressing the Masses” de 1990. Do trabalho de estreia tivemos “Eternal Nightmare”, “Serial Killer”, “Phobophobia”, “Calling in the Coroner” e “Kill on Command”, enquanto “I Profit” e “Officer Nice” representaram o “Oppressing the Masses”.

Também pudemos ouvir as ótimas “Upon Their Cross”, “World in a World” e “California Über Alles”, cover da banda Dead Kennedys, que contou com a participação do frontman do Exhorder, Kyle Thomas.

Foi, certamente, o melhor show da noite que vai ficar pra sempre na história do festival. Pudemos celebrar a essência do thrash metal com um lineup de responsa, com pessoas interessadas e bandas entregando ótimos momentos

Viva o metal extremo!

Galeria do show