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Monsters of Rock 2026: Equilibrio entre a ‘velha’ e a ‘nova’ geração

Monsters of Rock 2026: Equilibrio entre a ‘velha’ e a ‘nova’ geração

5 de abril de 2026


Crédito das fotos: Carlos Pupo/Headbangers News
* exceto fotos da banda Guns N’ Roses. Crédito: Divulgação/Guns N’ Roses

Consolidado entre os fãs da música pesada em nosso país, o anuncio da edição de 2026 pegou algumas pessoas de surpresa, afinal, desde a década de noventa o festival não acontecia em dois anos seguidos. Foram escalados nesta nona edição: Jayler, Dirty Honey,Yngwie Mamsteen (único a se apresentar anteriormente no festival), Halestorm, Extreme, Lynyrd Skynyrd e Guns N’ Roses, responsáveis por abarrotar o Allianz Parque neste sábado 04 de abril.

O festival teve ainda como mestres de cerimônia: Walcir Chalas, proprietário da loja Woodstock Discos e referência da música pesada no Brasil juntamente com o estadunidense Eddie Trunk, apresentador do programa ‘That Metal Show’.

JAYLER

A carreira meteórica do Jayler começou no ano de 2022 em West Midlands (Inglaterra). Formado por adolescentes, chamaram logo a atenção com uma sonoridade calcada no hard rock da década de setenta lançando seu debut, o EP ‘A Piece in Our Time’, no ano seguinte.

O início do show com “Down Below” apresentou um certo nervosismo vindo do palco – algo compreensível em se tratando de uma banda formada por adolescentes com pouco tempo de estrada – que aos poucos foi desaparecendo, principalmente pela performance do vocalista James Bartholomew – obviamente influenciado por Robert Plant, ele se comunica a todo momento com o público que responde de forma efusiva mesmo não estando familiarizado com as canções apresentadas, algo muito legal de presenciar.

Executadas de forma precisa – especialmente pelos riffs despejados pelo guitarrista Tyler Arrowsmith – canções como “Lovemaker”, “Over The Mountain”, “No Woman”, “Riverboat Queen”, além de uma releitura de “I Believe to My Soul” (Ray Charles) são ótimos cartões de visita para uma banda que promete.

Formação:

James Bartholomew – vocal, guitarra, gaita

Tyler Arrowsmith – guitarra

Ed Evans – bateria

Ricky Hodgkis – baixo

Setlist:

Down Below
The Getaway
No Woman
Riverboat Queen
Lovemaker
I Believe To My Soul
Need Your Love
Over The Mountain
The Rinsk

DIRTY HONEY

Mais uma banda a se inspirar no hard rock setentista, o DIrty Honey iniciou sua carreira no ano de 2017 em Los Angeles (EUA) e possui em seu currículo dois full-lengths: ‘Dirty Honey’ (2021) e ‘Can’t Find the Brakes’ (2023).

Iniciando com “Won’t Take Me Alive” – provavelmente sua canção mais conhecida pois foi incluída na trilha sonora de ‘Um Filme Minecraft’ – o que se viu foi uma banda com total domínio de palco e uma participação do público que mostrava familiaridade em canções como “Heartbreaker, “Another Last Time” e “Rolling 7s” que encerrou a apresentação.

A banda é competente em sua proposta, emulando toda essa influência setentista com grande maestria dos músicos, mas o destaque é Marc LaBelle. um dos melhores frontmen da nova geração com carisma e simpatia para comandar o show, chegando a descer no fosso para cantar juntamente com o público.

Provavelmente, a maioria das pessoas conheceu o Dirty Honey quando o lineup do Monsters Of Rock foi anunciado, se deparando com uma banda em grande ascensão na sua carreira.

Formação:

Marc LaBelle – vocal

John Notto – guitarra

Justin Smolian – baixo

Jaydon Bean – bateria

Setlist:

Won’t Take Me Alive
California Dreamin’
Heartbreaker
The Wire
Don’t Put Out the Fire
Another Last Time
Lights Out
When I’m Gone
Rolling 7s

YNGWIE MALMSTEEN

Com mais de quarenta anos de carreira e 22 álbuns – o último é ‘Parabellum’ (2021) – o guitarrista sueco é um velho conhecido do público brasileiro, possuindo uma legião de fãs desde a sua primeira passagem no longínquo ano de 1996.

O primeiro aspecto que chama a atenção é a disposição dos músicos no palco: em um canto, a banda; deixando todo espaço possível para o virtuoso guitarrista – algo no mínimo peculiar por se tratar de um palco com grandes dimensões – tendo ao fundo a tradicional parede de amplificadores Marshall.

Iniciando com “Rising Force”, a apresentação priorizou longos devaneios instrumentais como “Baroque And Roll”, “Evil Eye” e “Trilogy Suite Op: 5” onde Malmsteen demonstrou sua incontestável habilidade, além das suas icônicas acrobacias.

Passando a impressão de estar de bom humor, ele Interage com o público que demonstra muito respeito e responde de forma mais participativa na releitura de “Smoke On The Water” (Deep Purple) e no encerramento com “I’ll See The Light Tonight”

Embora a grande maioria do seu público preferir algo mais intimista, Malmsteen entregou tudo que se espera em uma apresentação sua, sendo um dos poucos que conseguem colocar a guitarra no centro das atenções.

Formação:

Yngwie Malmsteen – guitarra, vocal

Nick Z. Marino – teclado, vocal

Emilio Martinez – baixo

Wyatt Cooper – bateria

HALESTORM

Em uma edição dominada pelo hard rock e o classic rock, o Halestorm representou o ‘momento-com-tendências-alternativas’ do festival. Com um álbum recém lançado, ‘Everest’, retornam para visitar nosso pais após dez anos.

De todos os adjetivos possíveis, o que mais se aplica à apresentação do Halestorm é ‘intenso’, cativando rapidamente um público que não era, em grande parte, fã da banda. Esse comunhão se deve à Lzzy Hale; com seu vozeirão – não é sem motivo que foi vocalista do Skid Row em alguns shows no ano de 2024 – e carisma, sua performance faz lembrar grandes ‘frontwomen’ da história como Joan Jett, Chrissie Hynde (Pretenders) e a saudosa Dolores O’Riordan (The Cranberries), não deixando a energia do show cair nenhum instante.

Em uma apresentação de 45 minutos, o Halestorm deu maior ênfase ao seu ultimo lançamento, acrescentando as canções mais explosivas de seu inicio de carreira para, com certeza, conquistar mais admiradores.

Formação:

Lzzy Hale – vocal, guitarra, teclado

Arejay Hale – bateria

Joe Hottinger – guitarra

Josh Smith – baixo, teclado

Setlist:

Fallen Star
Mz. Hyde
I Miss The Misery
Love Bites (So Do I)
Watch Out!
Like A Woman Can
I Get Off
Familiar Taste Of Poison
Rain Your Blood On Me
Freak Like Me
I’m Not An Angel
I Gave You Everything

EXTREME

O Extreme é um velho querido do púbico brasileiro e esse fascínio vem desde o ano de 1992 com suas apresentações históricas no festival Hollywood Rock. De lá para cá, a banda chegou a entrar em um hiato, ressurgindo nos anos de 2014 e 2015 com a turnê que marcava o aniversário de ‘Extreme II: Pornograffitti’ e culminando com o lançamento do ótimo ‘Six’ em 2023.

A recepção para o Extreme foi feita por uma velha conhecida do Monsters: a chuva – felizmente para o público sua aparição foi bem curta, funcionando mais como um refresco para a alta temperatura que assolou a capital paulista hoje.

Uma coisa é certa, esse ‘refresco’ em nenhum momento atingiu a performance da banda; Gary Cherone parece estar preso na década de noventa com sua voz intacta e movimentando-se incansavelmente pelo palco, já Nuno Bettencourt é um dos melhores guitarristas do hard rock, esbanjando simpatia ao se comunicar em ‘português de Portugal’ – juntos, eles formam o coração da banda.

Mesclando canções do último lançamento com hits que muita gente cresceu ouvindo, a participação do público foi constante em praticamente toda a apresentação, mas nada se comparou quando os primeiros acordes da infalível “More Than Words” vieram do palco.

Mostrando estar mais vivo do que nunca, o Extreme segue encantando com seu hard rock recheado de grooves e emoção.

Formação:

Gary Cherone – vocal

Nuno Bettencourt – guitarra

Pat Badger – baixo

Kevin Figueiredo – bateria

Setlist:

It (‘s A Monster)
Decadence Dance
#Rebel
Play With Me
Am I Ever Gonna Change
Thicker Than Blood
Hole Hearted
Midnight Express
More Than Words
Get The Funk Out
Rise

LYNYRD SKYNYRD

Iniciando sua jornada ainda na década de sessenta, o Lynyrd Skynyrd é uma verdadeira instituição do ‘southern rock’ e do rock‘n’roll em geral, com uma discografia formada por verdadeiros clássicos atemporais.

Filmagens de todos os períodos da sua história marcam o início da apresentação para desaguar em três clássicos: “Workin’ For MCA”, “What’s Your Name” e “That Smell”.

Mesmo quem não é fã de ‘southern rock’ se encanta com a apresentação: musicalmente a banda é impecável, principalmente seu trio de guitarristas Mark Matejka, Damon Johnson (responsável por substituir o lendário Gary Rossington) e Rickey Medlocke. E na frente Johnny Van Zant com seu jeito de ‘gente boa’, ele é o contraste com qualquer ‘rockstar’, interagindo com a platéia a todo momento e levando a apresentação de forma leve como se tocasse para amigos.

Essa simplicidade que a banda transmite resulta em momentos de pura emoção como em “Tuesday’s Gone” (dedicada a Gary Rossington) e “Simple Man” – que contou com um mar de celulares iluminando o Allianz Parque – abrindo a parte final do show até chegar em um dos riffs mais memoráveis da história causando um alvoroço no público – claro que se trata de “Sweet Home Alabama”.

O encore reservou o momento mais emocionante do festival: “Free Bird” apresenta o saudoso Ronnie Van Zant entoando seus versos no telão e a lembrança de todos os companheiros de banda que já partiram. Um epílogo digno harmonizando com a frase inicial do show ‘Their Legacy Lives On’ (Seu Legado Continua Vivo).

Formação:

Johnny Van Zant – vocal

Rickey Medlocke – guitarra

Mark Matejka – guitarra

Damon Johnson – guitarra

Michael Cartellone – bateria

Peter Keys – teclado

Robbie Harrington – baixo

Carol Chase – vocal de apoio

Stacy Michelle – vocal de apoio

Setlist:

Workin’ For MCA
What’s Your Name
That Smell
I Need You
Gimme Back My Bullets
Saturday Night Special
Down South Jukin’
Still Unbroken
The Needle And The Spoon
Tuesday’s Gone
Simple Man
Gimme Three Steps
Red White & Blue (Love It Or Leave)
Call Me The Breeze
Sweet Home Alabama

Free Bird

GUNS N’ ROSES

Poucas bandas despertam tanta paixão no Brasil como o Guns; Axl, Slash e Duff – únicos integrantes da formação original – se conectam ao público daqui como poucos artistas conseguem, atingindo fãs não apenas do ‘meio rock ‘n’ roll’ mas todos que possuem um interesse genuíno em musica.

Esta paixão e conexão explicam em parte o fato do Guns retornar, apenas quatro meses após sua última passagem, para mais uma sequência de nove shows abraçando todas as regiões do Brasil.

O surgimento da silhueta de alguém usando cartola já causa uma verdadeira catarse no ambiente – e o riff inicial de “Welcome To The Jungle” é a fagulha que incendeia a platéia.

Diferente da maioria das bandas, o Guns alterna seu repertório em praticamente todas as apresentações deixando expectativas do que pode surgir na sequencia, gerando surpresas como a inclusão de “Bad Apples”, e alguns singles recém lançados; além de vários covers – alguns já incorporados ao repertório como “Live And Let Die” e “Knockin’ On Heaven’s Door” e outros se tornando momentos únicos como “Junior’s Eyes” (Black Sabbath) e “New Rose” (The Damned) cantada por Duff, mostrando toda influência que o punk representa em sua história.

Essa ‘veia punk’ de Duff contrasta com o virtuosismo de Slash e seus solos icônicos. Mas um show do Guns N’ Roses será ótimo de acordo com o humor de Axl Rose – e nessa noite ele está acima da média. Seu vocal pode não ter o mesmo alcance de outrora – e comparações com desempenho em décadas passadas são descabidas – mas leva o show de forma tranquila.

Com o arsenal de hits que o Guns possui, a temperatura da apresentação nunca cai, ficando a parte final com as épicas “Estranged”, “November Rain” e, claro, “Sweet Child O’ Mine” – poucas bandas possuem uma canção com esse poder de catarse coletiva.

Sem pausa para o encore, “Nightrain” e “Paradise City” são o encerramento perfeito de uma apresentação inesquecível.

Formação:

Axl Rose – vocal, piano

Slash – guitarra

Duff McKagan – baixo

Dizzy Reed – teclado

Richard Fortus – guitarra

Isaac Carpenter – bateria

Setlist:

Welcome To The Jungle
Slither
It’s So Easy
Live And Let Die
Mr. Brownstone
Bad Obsession
Rocket Queen
Perhaps
Dead Horse
Double Talkin’ Jive
Nothin’
You Could Be Mine
Civil War
Junior’s Eyes
Knockin’ On Heaven’s Door
New Rose
Atlas
Slash Guitar Solo
Sweet Child O’ Mine
Estranged
Bad Apples
November Rain
Nightrain
Paradise City