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O massacre do Overload Beer Fest: Uma celebração ao death metal e ao grindcore no Carioca Club

O massacre do Overload Beer Fest: Uma celebração ao death metal e ao grindcore no Carioca Club

22 de fevereiro de 2026


Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News

A capital paulista testemunhou, no último dia 21 de fevereiro, uma daquelas noites que ficam gravadas a ferro e fogo na memória dos entusiastas da música extrema. O Overload Beer Fest transformou o Carioca Club em um caldeirão de distorção, suor e reverência ao metal pesado, reunindo gerações em um line-up que beirou a perfeição.

A cerimônia de abertura ficou a cargo do Cemitério, que iniciou os trabalhos pontualmente às 18h. O trio formado por Hugo Golon (vocal/baixo), Douglas Gatuso (guitarra) e Guilherme Fructuoso (bateria) entregou um show visceral, provando que o terror oitentista está mais vivo do que nunca. Com um setlist focado em clássicos como “A Volta dos Mortos Vivos”, “Holocausto Canibal” e o encerramento com “Pague para Entrar, Reze para Sair”, a banda incendiou o público. Mesmo sendo a primeira atração, as rodas de mosh já tomavam conta da pista, impulsionadas pela performance impecável de Hugo e a precisão massacrante da cozinha. Que show incrível o Cemitério fez!

Na sequência, o D.E.R. elevou a velocidade com seu grindcore cru e direto. Promovendo o aclamado álbum Tempo Severo, lançado em 2025, o quarteto mostrou por que é referência no gênero. O vocalista Thiago, que soprava velinhas na data, deu o tom da celebração, mas quem recebeu o presente foi a audiência, que testemunhou a execução quase integral do novo disco. Sob o lema “Desordem e Regresso”, Mauricio (baixo), Barata (bateria) e Renato (guitarra) despejaram uma parede sonora suja e técnica — um grindcore muito bem feito que soa como um soco no estômago ao vivo.

Um dos momentos mais aguardados de transição foi a subida da Eskröta ao palco. Substituindo o Surra — que encerrou atividades e entrou em hiato neste início de 2026 —, Yasmin Amaral (guitarra/vocal), Tamy Leopoldo (baixo) e Jhon França (bateria) mostraram por que o álbum Blasfêmea é um fenômeno premiado. Com uma energia contagiante que incluiu até bolas verdes lançadas ao público, o trio fez uma apresentação histórica. O ápice veio com a participação especial de Hugo Golon na faixa “Filha do Satanás”, selando a união das bandas no palco. O setlist, que contou com “A Bruxa” e “Mulheres”, foi um grito de resistência e poder.

O clima de “casa cheia” se transformou em “lotação absoluta” quando os santistas do Vulcano assumiram o comando. A lendária banda, formada por Zhema Rodero (guitarra), Luiz Carlos Louzada (vocal), Ivan Pellicciotti e Cleiton Nunes (baixo) e Bruno Conrado (bateria), provou que envelheceu como um bom vinho (ou uma cerveja forte). Executando praticamente todo o clássico Bloody Vengeance, o grupo — que contou com a participação especial de Angel nos vocais em faixas como a mítica “Death Metal” — demonstrou uma sonoridade ainda melhor e mais robusta do que nos anos 80. O Vulcano envelheceu muito bem, e a sequência de “Spirits of Evil”, “Dominios of Death” e “Guerreiros de Satã” foi um deleite para os puristas.

Por fim, o momento do massacre final. O Carioca Club, já sem espaço para transitar, explodiu quando o Obituary surgiu no palco. A instituição do death metal da Flórida, composta pelos irmãos John Tardy (vocal) e Donald Tardy (bateria), além de Trevor Peres (guitarra), o lendário Terry Butler (baixo) e Kenny Andrews (guitarra), trouxe ao Brasil a turnê de celebração do seminal Cause of Death (1990).

Após uma introdução avassaladora com “Redneck Stomp”, a banda mergulhou na execução integral do álbum de 1990. Ouvir “Infected”, “Chopped in Half” e o cover magistral de “Circle of the Tyrants” (Celtic Frost) ao vivo foi uma experiência religiosa para os fãs. John Tardy mantém um dos guturais mais icônicos da história, enquanto a bateria de Donald parecia canhões disparando contra a audiência. O mosh pit não parou por um segundo sequer. O encerramento com o encore de “I’m in Pain” e a clássica “Slowly We Rot” foi o golpe de misericórdia em uma noite de purificação pelo som.

O Overload Beer Fest de 2026 foi a prova de que o metal extremo segue mais vivo e forte do que nunca. Entre homenagens, aniversários, despedidas e a celebração de clássicos imortais, o público deixou o Carioca Club com a alma lavada e os ouvidos zunindo, ciente de que acabara de presenciar uma página épica da história da música pesada em solo brasileiro. Foi um massacre!

Galeria do show