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Moonspell encerra turnê brasileira com show no São Paulo Metal Fest

Moonspell encerra turnê brasileira com show no São Paulo Metal Fest

16 de abril de 2023


* Crédito das fotos: Tamires Lopes/Headbangers News

A terra da garoa resolveu fazer jus ao seu nome na última sexta-feira (14), na primeira edição do São Paulo Metal Fest. Produzido pela IDL Entertainment no Carioca Club, em Pinheiros, o festival trouxe bandas de diferentes lugares do mundo para uma grande celebração do metal na capital paulista. Para o line-up, a produção escalou o New Democracy e Hatefulmurder como os representantes nacionais e os chilenos do Weight of Emptiness, fechando o time de bandas latinas que foram escolhidas para iniciar a noite. Beyond Creation e Cynic, única banda inédita no elenco, desembarcaram em São Paulo para uma turnê conjunta pela América Latina que se iniciou no festival. Moonspell, velho conhecido dos fãs brasileiros, foi o headliner escolhido.

A casa abriu às 18h com um público ainda em baixo número. A chuva e o horário podem ter contribuído para isso, mas claramente não foi um problema para o New Democracy. Formado por Luiz Gustavo Lima (bateria), Mozart Santos (guitarra), Rafael Lourenço (guitarra e vocal), Pedro Henrique Abreu (baixo) e Vinicius Borges (teclados), os mineiros trouxeram ao festival seu Melodic Death Metal em um show que faz parte da turnê de divulgação do seu segundo álbum, “The Plague”, lançado no ano passado. Todas as músicas apresentadas no curto setlist eram desse álbum. “Black Blood”, “Blood on Nile”, “Creation of my Sin” e “The Way we Die” se complementaram com “Angels don’t Kill”, cover de Children of Bodom, grande influência para a banda de abertura do festival que animou bastante quem chegou cedo por lá.

Em seguida, o Hatefulmurder invadiu o palco. Com seus pés firmes em um forte Death Thrash, a banda apresentou músicas de toda a carreira. Angelica Bastos, única representante feminina de todas as bandas do festival, roubou a cena em sua performance forte e agressiva. O grupo também é composto por Felipe Modesto (baixo e vocal), Thomás Martin (bateria) e Renan Ribeiro (guitarra e vocal). O setlist, também curto, se deu início com “Reborn”, faixa título do último álbum lançado e “Worshipers of Hatred”, do álbum “No Peace”, de 2014. O show continuou com um trio do “Red Eyes”, de 2017. “Silence Will Fall”, “Red Eyes” e “My Battle” animaram o público, com a primeira dessas contanto com uma “Wall of Death” animada por Angelica. “Psywar”, single lançado pela banda nesse ano, deu continuidade à apresentação que foi encerrada com “Creature of Sorrow”, última faixa do disco de 2017.

O Weight Of Emptiness foi a terceira banda a se apresentar. O grupo do Chile que traz na bagagem influências de Death Metal e Melodic Doom, além de algumas pitadas de Progressivo, é formado por Mauricio Basso (bateria), Juan Acevedo (guitarra), Alejandro Bravo (guitarra), Alejandro Ruiz (vocal) e Mario Urra (baixo). Em sua segunda passagem pelo país, agora divulgam seu mais recente álbum, “Withered Paradogma”, lançado no começo de março. Somado a vinda à São Paulo, os chilenos têm rodado o Brasil e países vizinhos servindo como abertura do Moonspell. O show se iniciou com “Mütrümtun (The Calling)” e “Defrosting”, músicas que abrem o último álbum da banda. “Chucao” foi a única música de “Conquering the Deep Cycle”, álbum de 2019. Seguida por “Wolves”, single do disco desse ano, a apresentação terminou com “Weight of Emptiness” e “Unbreakable”, ambas do “Anfractuous Moments for Redemption”, disco de estréia do grupo. A banda foi bastante elogiada pelos presentes no local.

Algo interessante a ser destacado foi o fato de que todas as bandas de abertura estavam rodando a casa antes e depois do show, conversando e atendendo a todos pelos corredores e nas bancas de merchandising. Não foi diferente com os canadenses do Beyond Creation que subiram ao palco depois. Simon Girard (guitarra e vocal) assistiu às bandas anteriores a sua e conversava com todos que o procuravam. O time também é composto por Kévin Chartré (guitarra) e Hugo Doyon-Karout (baixo). O baterista Phillippe Boucher não pode vir para a turnê e Michel Belanger foi o escolhido para substituí-lo. A banda trouxe para o evento seu setlist pesado e cheio de um Death Metal muito técnico característico, cheio de “two hands” e com uma execução perfeita, além de contar com influências de Metal Progressivo. Uma das bandas mais esperadas do festival, com boa parte dos presentes usando suas camisetas, eles não decepcionaram. O espetáculo se deu início pontualmente, assim como todos os outros anteriores, começando com “Fundamental Process” e “Earthborn Evolution”, música que leva o nome do álbum de 2011. Depois, o álbum “Algorythm” foi representado por “In Adversity”, “Ethereal Kingdom” e pela própria faixa título do disco de 2018, o último lançado pelo grupo. Para encerrar, foram executadas “Coexistence” e “Omnipresent Perception”, ambas de “The Aura”, disco de estréia do grupo lançado em 2011. Uma das melhores performances da noite, além de ter contado com a casa quase cheia. Simon agradeceu pela presença do público e demonstrou sua felicidade por voltar aos palcos depois de 3 anos.

Pela primeira vez na carreira, o Cynic pousou em terras brasileiras. Liderado por Paul Masvidal (guitarra e vocal), sempre lembrado por ter sido membro da lendária banda Death (que também estava representada por várias camisetas), o músico já tinha o Cynic em seus anos iniciais antes de tocar ao lado de Chuck Schuldiner. O grupo conta com Matt Lynch (bateria), como membro oficial da banda junto de Masvidal, além dos músicos de apoio Brandon Griffin (baixo), Max Phelps (guitarra e vocal) e Ezekiel Kaplan (teclado, guitarra e vocal). O show fez parte da turnê que comemora os 30 anos de “Focus”, seu álbum de estréia, que foi executado na íntegra. Ao fim da execução do disco, Masvidal ficou sozinho no palco e, enquanto acendia um incenso e “abençoava” o palco e o público, foi colocado no monitor ao fundo uma foto de Sean Reinert e Sean Malone, antigos baterista e baixista da banda, respectivamente, falecidos em 2020. Depois da homenagem, continuaram com “Kindly Bent to Free Us”, faixa título do álbum de mesmo nome de 2014, “Adam’s Murmur”, de “Traced in Air”, de 2008 e “Aurora”, sendo esta a primeira das duas faixas de “Ascension Codes”, último álbum da banda. “Box Up my Bones” do EP “Carbon Based Anatomy” de 2012 foi seguida por “Evolutionary Sleeper”, uma das mais cantadas por todos. O grupo encerrou com “In a Multiverse Where Atoms Sing”, também do último lançamento. Apesar de tudo ter sido muito bem executado, a banda interagiu muito pouco com o público durante a apresentação, o que fez parecer um show “morno” comparado aos outros do festival. Além disso, no decorrer da noite, algumas críticas aos americanos só aumentaram. O Cynic encerrou sua performance às 23:50, faltando apenas 10 minutos para a entrada do Moonspell no palco. Com isso, os portugueses se atrasaram e apenas às 00:18 “Mr Crowley” foi colocada nos PA’s do Carioca Club, anunciando o início do concerto.

Em sua sexta passagem pelo Brasil, o grupo formado por Fernando Ribeiro (vocal), Pedro Paixão (teclado), Ricardo Amorim (guitarra), Aires Pereira (baixo) e Hugo Ribeiro (bateria) tem um bom número de fãs no país. A presença no festival marcou o encerramento da turnê brasileira que também contou com datas em diferentes cidades da América Latina. A banda iniciou o set com “The Greater God”, seguida pela animada “Extinct”, do álbum de 2015 de mesmo nome. A clássica “Opium”, do marcante “Irreligious”, de 1997, veio logo depois, cantada por todos os presentes, contando com “Finisterra” na sequência com Pedro Paixão na guitarra. A dobradinha “In and Above Man” e “From Lowering Skies”, faixas de abertura do disco “The Antidote”, de 2003, deram sequência ao concerto. “Scorpion Flower”, música que contou com a participação de Anneke Van Giersbergen em sua versão original, veio antes de “Nocturna”, faixa escolhida para representar o álbum “Darkness and Hope”, contando com “Breathe (Until We Are No More)” logo em seguida, outra música que também teve uma boa participação do público em seu refrão. A performance de toda a banda era de encher os olhos, com destaque à Aires Pereira, aniversariante da noite (que ganhou um “parabéns pra você” do pessoal), sempre andando de um lado para o outro e interagindo com todos. Fernando Ribeiro conversava com os presentes a todo momento, feliz de estar comemorando 31 anos de banda com a turnê atual. Na sequência, “Em nome do Medo” e “Todos os Santos” foram as faixas presentes de “1755”, álbum de 2017 todo cantado em português.

Aproveitando das interações positivas, Fernando também usou o momento para reclamar. O vocalista demonstrou um grande descontentamento ao dizer que a banda Cynic não foi profissional naquela noite já que tocaram 20 minutos além do tempo estipulado, o que obrigaria o Moonspell a cortar “Mephisto” e “Vampiria” do setlist. Ele fez questão de elogiar todas as bandas do festival além do Cynic, dando um carinho especial ao Weight of Emptiness que estava excursionando com a banda, mas deixou claro seu descontentamento. “Alma Mater”, clássico absoluto dos portugueses, foi cantada a plenos pulmões por todos. Ainda incomodado, o vocalista disse que “portugas e brasucas se fodem e o gringo fica rico”, antes de anunciar “Full Moon Madness” como última da noite. A apresentação dos portugueses foi marcante, mas talvez sempre seja lembrada como “o dia em que o Moonspell ficou nervoso com o Cynic”.

No geral, o festival foi um sucesso em todos os sentidos. Bom público, boas apresentações e um gostinho de quero mais. Fica, então, o aguardo para uma segunda edição deste novo festival de Metal em São Paulo que tem tudo para continuar crescendo.

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