Resenha de Show

Sepultura finalmente apresenta a turnê do álbum ‘Quadra’ em São Paulo

Carlos Pupo/Headbangers News

Que o Sepultura tem uma importância brutal na história do metal brasileiro, todos nós sabemos. Em centenas de entrevistas, diversos artistas de renome do cenário mundial já citaram a banda brasileira como uma de suas principais influências. Isso também é notório.
A base de fãs da banda continua forte e fiel ao grupo, isso percebemos ao cobrir no último domingo (20) na Audio Club, em São Paulo, o show de lançamento do seu 15º álbum de estúdio ‘Quadra’, de 2020, que teve a turnê adiada por conta da pandemia do novo coronavírus.
Contando com a casa cheia, depois de 2 anos de uma situação de completa incerteza com relação aos rumos da indústria musical, a volta à capital paulista aconteceu de forma magistral. A energia acumulada e contida por tanto tempo podia ser sentida em meio ao público, que de fato deu um espetáculo à parte.
Os gritos, aplausos, a agitação e o mosh pareciam ter um frenesi particular de libertação que sobrepujava todo aquele tempo de isolamento, tristeza, perdas e de falta de vacina. O cenário era outro, apesar de ainda ser exigida a carteira de vacinação, que ainda nos fazia lembrar que a pandemia não acabou totalmente, mas há uma luz no fim do túnel.
O setlist mesclava basicamente o novo álbum com as canções consagradas da história da banda. Na minha opinião, mostra o quão relevante o Sepultura ainda consegue ser, pois quase todas as resenhas que li a respeito do álbum na chamada “crítica especializada” foram favoráveis.
Se trata obviamente de uma banda de não parou no tempo, consegue ainda apresentar técnica, precisão e uma velocidade absurda em suas músicas. Um dos grandes trunfos do grupo obviamente, sem desmerecer nenhum dos outros integrantes, é o baterista Eloy Casagrande. Um “monstro” das baquetas, que dá um tempero a mais nas apresentações e que pode ser considerado um dos melhores bateristas da atualidade. Sua performance na faixa “The Pentagram’ desfaz qualquer dúvida.
Outro que no quesito “entrega” tem que ser louvado, é o vocalista Derrick Green. Mesmo após ter quebrado o pé recentemente, encarou a missão de se apresentar no Brasil com a perna esquerda imobilizada. Aliás, o setlist privilegia a fase de Mr. Green nos vocais, algo mais do que justo. O cara está desde de 1998 soltando seus guturais com os brasileiros.
Os clássicos mais antigos não foram esquecidos, diversos tiveram espaço: Territory, Infected Voice, Arise, Roots Bloody Roots e uma grata surpresa pouco antes da execução de Refuse/Resist, em que o público mandou nosso presidente energúmeno tomar naquele lugar. Foi memorável.
Do outro lado da cozinha, Paulo Xisto segurava bem as pontas. E do lado oposto do palco, víamos um Andreas Kisser visivelmente empolgado. Inclusive ele ressaltou ao público que aquela era a última apresentação em território brasileiro antes de partirem para a turnê pela América do Norte em Março (depois no meio do ano eles rodam a Europa).
A conclusão com base nesta apresentação, é que o Brasil segue sendo muito bem representado lá fora. Com o respeito, legado e história que devem ser reverenciados ainda por muitas décadas por headbangers de todo o mundo.

Setlist:

Isolation
Territory
Capital Enslavement
Means to an End
Last Time
Kairos
Sworn Oath
Choke
Slaves of Pain
Guardians of Earth
The Pentagram
Machine Messiah
Phantom Self
Convicted in Life
Infected Voice
Agony of Defeat
Refuse/Resist
Arise

Encore:
Ratamahatta
Roots Bloody Roots


Audio Club

Data: 20/02/22

Horário: 19h30

Av. Francisco Matarazzo, 694 - Água Branca