Resenha de Show

Tarja faz show emocionante após retorno aos palcos de SP

Tarja faz seu primeiro show em São Paulo após relaxamento das medidas restritivas da pandemia de Covid-19

Carlos Pupo/Headbangers News

Tarja faz seu primeiro show em São Paulo após relaxamento das medidas restritivas da pandemia de Covid-19

Impressionante como hoje os shows de alguns artistas viram quase mini festivais. É este o caso do show da finlandesa Tarja que retorna aos palcos após dois anos por causa das restrições impostas pela pandemia de COVID-19. Uma das maiores divas do canto lírico do Mundo promove seu mais recente álbum “In The Raw” lançado em 2019. Mas antes do show da cantora tivemos duas bandas de abertura – o Santo Graal e Shaman.

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SANTO GRAAL

A banda de metal sinfônico Santo Graal do Belém do Pará e veio para São Paulo promover o álbum “Dark Roses” lançado em 2020. A banda é formada oficialmente por Natalia Fay – vocais, Ka Storm – baixo, Thiago Prando – bateria, Paulo Francioli – guitarra, Antonio Junior – teclado e Rebecca Montanha – violoncelo. O impressionante performance da soprano Natalia Fay surpreende a cada faixa que é tocada. Claramente influenciada por cantoras como Tarja Turunen e Simone Simons (EPICA) a vocalista mostra um bom domínio de sua voz e uma presença de palco ímpar. A sintonia da cozinha, que ficou a cargo da baixista Ka Storm e do Thiago Prando não são algo absurdamente fora do normal, mas fazem o suficiente para manter a banda no ritmo. O tecladista Antonio Junior traz a grande gama de melodias, entre elas a excelente ‘Open Your Eyes’ seguido pela voz de Natalia Fay. A mais prejudicada no show ficou a violoncelista Rebecca Montanha – que mal se ouviu. O destaque do setlist da banda ficou para a faixa ‘Sunshine II’ que mais uma vez enalteceu o grande desempenho de Natalia – grande surpresa da noite. A banda foi muito prejudicada pelo retorno, este que mencionarei algumas vezes aqui e foi responsável para que bandas se perdessem em suas músicas em alguns momentos. Mas a Santo Graal é uma banda que merece a sua atenção e também sua audição nas plataformas digitais.

SHAMAN

O Shaman decidiu manter-se ativo, mesmo com a trágica morte de um dos idealizadores da banda: André Matos. Foi uma escolha excelente, pois pareceu voltar mais enérgico e unido do que nunca com Alírio Neto nos vocais. O restante da banda é Hugo Mariutti – guitarra, Luís Mariutti – baixo, Ricardo Confessori – bateria e Fabio Ribeiro – teclados. É impressionante o desempenho vocal de Alírio Neto que muitas vezes é comparado com André Matos. Na minha opinião, Alírio possui uma voz mais voltada ao rock – o que pode ser ouvido claramente nas músicas e acrescentou uma energia diferente ás músicas do Shaman. Percebe-se claramente isto com a faixa ‘Distant Thunder’ – grande clássico da banda. A música nova da banda “The I Inside” do álbum “Rescue” (2022) dá o tom do que será o Shaman de agora a adiante – uma banda de heavy metal com momentos melodiosos, mas mais agressiva com o drive potente de Alírio Neto dando o tom – o que ficou claro no momento mais calmo da música. Luís Mariutti e Ricardo Confessori são que nem pão e manteiga – parece que tudo é simples demais pra eles e a química flui naturalmente – para mim uma das melhores combinações que há. Fabio Ribeiro – um dos melhores tecladistas da cena sempre rouba a cena, seja ela tocando a cover ‘More’ do Sisters Of Mercy ou o grande clássico ‘Fairy Tale’. O retorno do som fez aqui mais uma vítima e era de se notar que Alírio tirava o aparelho o tempo todo de seu ouvido – tive a mesma sensação enquanto a banda tocava ‘Brand New Me’. Destaque fica para a energia de Hugo Mariutti – um dos guitarristas brasileiros mais talentosos e que mais agitam no palco – garantindo a animação do público!

TARJA

Tarja Turunen já está há algum tempo em carreira solo. Desde que deixou o Nightwish em 2005, a vocalista tem explorado diversas facetas de sua voz. Uma delas ficou clara com o mais recente álbum “In The Raw” lançado em 2019. A cantora lírica deixa de lado uma tonalidade angelical para investir em tons mais baixos e ouso dizer, mais voltados ao Heavy Metal. Mas é interessante ver a cantora finlandesa escolher seu setlist. Para esta turnê ela escolheu os músicos Julian Barrett (guitarra), Alex Scholpp (guitarra, vocais), Pit Barrett (baixo), Guillermo de Medio (teclados) e Tim Schreiner (bateria) que executaram seus papéis com um brilhantismo profissional ímpar. Gosto por exemplo de ver músicas como ‘Dead Promises’ em seu setlist – que traz um peso absurdo para sua música e mistura a beleza de seu vocal com o incrível vocal do guitarrista da banda Alex Scholpp – que no álbum teve a participação de Björn ‘Speed’ Strid (Soilwork, Night Flight Orchestra) uma das melhores músicas do álbum “In The Raw”. Temos mais exemplos disto como com a faixa ‘Goodbye Stranger’, do mesmo álbum, onde temos Tarja explorando o hard rock como se não houvesse amanhã. O tom de voz até se torna mais pop e deixa um pouco aquele legado lírico de lado. Mas toda esta nova fase de Tarja tem uma sombra de álbuns que trazem muito daquilo que ela costumava fazer no Nightwish como na faixa ‘Falling Awake’ do álbum “What Lies Beneath” (2010) e ‘I Walk Alone’ do excelente “My Winter Storm” (2007). É interessante que “My Winter Storm” foi muito explorado neste show com músicas como ‘My Little Phoenix’ e a inédita ‘Oasis’ com direito a Tarja tocando sozinha no palco com o seu teclado! É de admirar a versatilidade desta incrível artista. Mas o peso retorna na segunda parte do show com ‘Undertaker’ (The Shadow Self,2016) e a excelente ‘Tears in Rain’ (In The Raw, 2019) que agitou demais o público. É claro que Tarja foi também vítima do retorno, onde em dado momento da faixa ‘Diva’ (Shadow Self, 2016) a banda se perdeu totalmente, mas conseguiu retomar a música sem ter que começar com ela novamente. Tarja sempre foi uma das frontwoman mais incríveis da cena musical e fico feliz que a essência da cantora está em todos os shows, seja ela em forma de emoção, interpretação e claro, amor pelo público brasileiro.


Tom Brasil

Data: 16/04/22

Horário: 20h

R. Bragança Paulista, 1281