Resenha de Show

Vagos Metal Fest: o regresso do festival mais aguardado em Portugal com Crypta representando o Brasil

Jéssica Marinho/Headbangers News

Este é o ano que marca o regresso dos maiores festivais, e o Headbangers News segue acompanhando os maiores eventos pela Europa, principalmente em Portugal. Após dois anos de abstinência, os headbangers puderam tirar do armário toda a tralha de acampamento, o colete cheio de patchs e toda a energia para retornar ao maior festival de Portugal, o Vagos Metal Fest.

O festival acontece em Quinta do Ega, em Vagos, e diante de cancelamentos e trocas no lineup, esta foi uma das maiores e melhores edições – apesar da confusão com o novo sistema de pulseiras e algumas falhas na comunicação com o público. Isso tudo foi irrisório comparado ao que o festival preparou para receber de volta o público mais caloroso e bandas que estávamos ansiosos para assistir.

Foi interessante ver o apoio à cena local, onde todos os dias tiveram abertura e encerramento com bandas portuguesas dos mais diversos estilos dentro do metal. Dividido em dois palcos, o primeiro dia começa com os portugueses Lyfordeath começam os trabalhos, seguidos pelos espanhóis Sölar que apresentaram uma sonoridade muito agradável calcada no Audioslave. A Noruega marcou presença no festival, começando com os show da banda promissora Uburen, seguido pelos portugueses BØW e os franceses Betraying the Martyrs, que apresentam um metal moderno fresco e vocalista português. Um dos destaques foi a banda portuguesa  The Ominous Circle, que apresentaram o único álbum da carreira, ‘Apalling Ascension’, lançado em 2017. A banda de death metal, que segue o mesmo visual dos também portugueses Gaerea, apresentaram seu talento e é um grupo que devemos manter no radar.

Começando com os grandes e esperados nomes, os noruegueses do Trollfest chegaram com visual espalhafatoso e irreverente para promover o novo disco ‘Flamingo Overlord’. Pelo nome já dá pra imaginar, tudo cor de rosa com pelúcia e maquiagem para apresentar um folk metal bem típico da região escandinávia, e para completar tocaram o cover da música “Toxic”, da Britney Spears. Junto com a noite, chega a escuridão de outra banda que gerou expectativas: Cattle Decapitation. Os americanos já tem 20 anos de estrada e estão ganhando a merecido notoriedade, realizando shows no verão europeu e despertando curiosidade com seu som que segue uma linha entre death metal, grindcore, death metal e sludge.

Chega a vez do headliner subir ao palco, após 20 anos da última visita a Portugal, Dimmu Borgir entra com a já conhecida energia do black metal sinfônico. Na grade era possível ver a emoção dos fãs que aguardaram tanto tempo para prestigiar o ídolo, que entregou um show excelente e cheio de performance e nostalgia com um setlist perfeito que os fãs realmente esperavam. Para fechar a noite, a banda portuguesa- (e conhecida no Brasil por lançarem o último disco pela Xaninho Discos – Holocausto Canibal sobe ao palco para substituir de última hora a banda Sórum. Foi um dia e tanto.

Shagrath, líder do Dimmu Borgir

Jéssica Marinho/Headbangers News

Shagrath, líder do Dimmu Borgir

O segundo dia de festival começa, pela manhã os headbangers começam a sair da barraca, pois o sol não deixa ninguém dormir até mais tarde. Inaugurando o segundo dia, os portugueses Reverent Tales levaram seu metal progressivo a Vagos com um show que avisava ao público que estava na hora de retomar as atividades do dia, seguindo com a novata Lecks Inc que trouxe da França o metal industrial. A primeira banda representando o Brasil sobe ao palco principal, Alekto é compostas por brasileiros que moram em Portugal e mesmo não sendo tão conhecida provou que merecem atenção com seu som cheio de groove e vocais agressivos que pode ser conferido no disco de estreia lançado em 2017, ‘The Unpleasant Reality’ e o recém lançado ‘Abstract Evil’.

Fazendo o público regressar ao Palco Amazing, o Mordaça começa seu show com toda energia. A banda portuguesa já é bem conhecida e também tem seu reconhecimento no Brasil com o lançamento do último álbum lançado por um conjunto de selos brasileiros. Começando pelos grandes nomes da noite, Asphyx apresentou seu death/thrash clássico com um show simples mas inesquecível. O dia segue com os americanos Heathen, uma banda que começou em 1984 e tem histórias curiosas. A banda começa o show com uma intro que trouxe a música do ABBA “Gimme!” Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)” e segue com toda a energia jovial e carisma do grupo.

Chega a hora mais esperada pelos headbangers de “coletinho”, a máquina Exodus chega para abalar as estruturas com o clássico thrash metal. Os arquitetos originais do estilo seguem divulgando o recém lançado ‘Persona Non Grata’, disco lançado em 2021 que foi aclamado pela crítica e por fãs. A parte técnica não ajudou, o som estava muito ruim e o microfone de Steve Souza péssimo, o que não deixou o show desanimar, pois o público agitou como deve ser com wall of death e muito stage diving, com um número maior do que no dia anterior. A pausa para preparar o palco para o Testament foi suprida com classe pelos veteranos portugueses do Tarantula, que tocaram no Palco Amazing comemorando 40 anos de formação, demarcando-se como a banda de metal com mais anos de existência em Portugal.

Hora do headliner no Palco Vagos, a multidão se juntou para conferir o Testament, um dos maiores e mais influentes nomes do thrash metal que estão em tour promovendo o disco ‘Titans of Creation’, de 2020. O som já estava melhor, a equipe correu e conseguiu garantir que não houvesse falhas desta vez, e Testament tocou para um multidão, no único dia do festival que deu sold out. Alternando entre clássicos e lançamentos recentes, a banda provou que segue melhor do que nunca com a dupla de guitarrista Alex Skolnick e Eric Peterson que tem forte presença de palco e muita técnica, o vocalista Chuck Billy que se mostrou atento e muito feliz em estar ali, o baixista icônico Steve DiGiorgio e a estreia do Dave Lombardo na bateria – que formação maravilhosa, que show perfeito.

A noite chega quase ao fim, poderia ter acabado com o Testament, todos estariam satisfeitos, mas o lineup seguiu com a banda austríaca Harakiri for the Sky que levou o post black metal para o segundo dia de Vagos Metal Fest. Não foi uma escolha sábia, essa banda poderia ter fechado a noite anterior com Dimmu Borgir, que se encaixava mais na temática da noite, porém, o público ficou para conferir.

Chuck Billy, vocalista do Testament

Jéssica Marinho/Headbangers News

Chuck Billy, vocalista do Testament

O último dia começou com a temperatura mais quente que as anteriores, e com pouco público, os portugueses da Fonte abrem o dia do festival. Seguindo pelas apresentações dos espanhóis Apotropaico e italianos do Arsea. A banda nacional Sotz’ – já conhecida pelos nossos leitores por terem tocado com o Jinjer -, sobe ao palco para mais um show energético. Os italianos do Wind Rose apresentaram um show para fãs do Senhor do Anéis e jogadores de Magic, com um visual e temática muito bonita que encantou o público presente – quem não conhecia se viu preso na apresentação pela energia de palco, carisma e visual.

Em uma troca de horários sem aviso prévio, a Crypta sobe ao palco 2 horas mais cedo, trocando de lugar com a banda Kataklysm. Muitos correram quando souberam que as garotas estavam se preparando para tocar, e isso é de encher nosso coração de orgulho. A banda brasileira mostrou que dá tristeza de uma separação nasceram duas grandes bandas, a ex-Nervosa Fernanda Lira e Luana Dametto estavam felizes e satisfeitas com o novo projeto que já chegou conquistando o mundo, acompanhadas da guitarrista Tainá Bergamaschi e da convidada Jéssica di Falchi – substituindo a Sônia Anubis. O entrosamento da banda é algo marcante e a sonoridade encanta os fãs mais oldschool.

A banda segue realizando a primeira turnê europeia que promove o disco de estreia ‘Echoes of the Soul’, lançado no ano passado, e desembarcou pela primeira vez em Portugal para a alegria dos fãs – não tinha banda melhor para substituir o Sacred Reich. Fernanda Lira tinha os olhos brilhando e revelou ao público “Como é bom poder falar português na tour”, seguindo com as canções que criticam o atual governo do Brasil e dedicando “Kali” para todas as mulheres presentes. O show, considerado uma dos mais aguardados, supriu todas as expectativas e conquistou novos fãs, mostrando o talento das mulheres no metal e que o Brasil continua exportando o melhor do metal.

Seguindo a programação, a aclamada banda Desire sobe ao palco, sendo a propulsora do estilo de Doom Metal, em Portugal. O grupo entregou um show maravilhoso, um presente para amantes do gênero. Kataklysm chega no horário que originalmente era da Crypta e apresentou um show energético cheio de riffs e presença de palco – como sempre, a iluminação do Palco Amazing não foi das melhores.

Fernanda Lira, vocalista e baixista da Crypta

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Fernanda Lira, vocalista e baixista da Crypta

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Com certeza, o nome mais esperado foi o Emperor, que manteve a agenda com o festival desde o anúncio em 2020, antes do isolamento devido à COVID-19. Pela primeira vez em Portugal, a clássica banda de black metal apresentou o melhor show, revisitando os quatro álbuns da carreira e fechando o festival com maestria, deixando o público em êxtase – até quem não era fã de black metal -, sendo possível ver como os fãs estavam maravilhados com aquela energia. Os precursores do que se tornou um movimento único e icônico mostraram que são mais do que um único estilo e, apesar dos vários hiatos durante a carreira, valeu a pena a espera para prestigiar essa lenda do metal extremo. Esta foi a primeira e talvez a única vez que a banda visita Portugal – assim como foi no Brasil em Maio deste ano.

Fechando o Palco Amazing, outra banda clássica: D.R.I, uma das primeiras bandas a criar uma fusão de estilos entre o hardcore punk e thrash metal. Apresentando um show energético e memorável, totalmente fora do clima de black metal que o público ainda estava digerindo, mas que ainda assim foi uma pancadaria e um dos melhores do festival. E infelizmente tudo chega ao fim, para fechar com chave de ouro, a banda portuguesa Serrabulho sobe ao palco principal com uma apresentação que até agora estamos sem entender. Cheio de informações, objetos infláveis jogados ao público e jato que espalhou espuma o show inteiro, a banda apresenta um grindcore cômico – tentaram ser um Mamonas Assassinas? Não dá pra negar a energia e presença de palco da banda, que agitou o público até quase 4 da manhã, e com grande estilo, encerrou o Vagos Metal Fest.

O Vagos Metal Fest encerra mais uma edição, que foi a mais aguardada pelo público e o regresso que os headbangers mais queriam. Após esta explosiva e bem-sucedida 5ª edição, o festival já tem data para o próximo ano, onde irá regressar em força em 2023 nos dias 3, 4 e 5 de Agosto. A organização já anunciou dois grandes nomes internacionais, e dois nacionais, do mundo da música pesada para próximo ano, e seguindo a tradição de realizar os pedidos do fiel público, a primeira banda anunciada serão os australianos Be’lakor, os enigmáticos Midnight, e mais uma vez, terá uma forte presença do contingente nacional, assegurando a presença de Corpus Christii e Glasya.

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Parque Quinta do Ega, Vagos

Data: 28/07/22

Parque Quinta do Ega, Vagos