Resenha de Show

Viper desfila seus clássicos em show histórico no Rio de Janeiro

Daniela Barros/Headbangers News

Duas coisas que praticamente não combinam: Rio de Janeiro e dias frios. Com este cenário, a cidade maravilha recebeu o Viper, trazendo o show de lançamento do seu novo álbum, “Timeless”, a ser lançado em outubro. O local foi o Rock Experience, um espaço bem acanhado, que teve venda de ingressos limitada, mas decepcionou no quesito presença do público.

Desta vez não havia desculpas, pois a casa de shows fica na Lapa, berço da boemia do Rio de Janeiro, o lugar mais plural da cidade, onde todas as tribos, etnias, gêneros e orientações sexuais convivem em (quase) total harmonia. A apresentação estava marcada para um bom horário e sem banda de abertura, terminaria cedo, possibilitando um retorno tranquilo para casa ou então, aproveitar a noite pelo centro histórico da antiga capital federal. Opções não faltavam.

Não haviam outros shows de igual importância para concorrer com as lendas do Metal brasileiro. Talvez o valor do ingresso ($80 meia entrada com um quilo de alimento não perecível) pode ter inibido o fã. Fato que quem não foi, perdeu um showzaço. Os poucos presentes, cerca de 150 pessoas, certamente não se arrependeram. E se deliciaram com o que foi apresentado.

Chegamos bem cedo, a casa sequer estava aberta. A razão foi que agendamos uma entrevista com o guitarrista Felipe Machado e o primeiro a chegar foi o baixista Pit Passarell, que com seu carisma sem igual, acabou por nos conceder uma palavra. Em breve o caro leitor poderá conferir nosso papo com os dois membros principais do Viper. Nós aguardamos pacientemente a passagem de som para conseguir falar com essas duas lendas antes do show. E tinha de ser antes, pois tanto eu quanto minha companheira, a fotógrafa/cinegrafista Daniela Barros, sabíamos que seria impossível falar com eles após a apresentação. Felizmente deu tudo certo e depois era só conseguir um lugar bom em frente ao palco para registrar tudo.

Com meia hora de atraso, a banda subiu ao palco, mas antes Pit Passarell deu seu espetáculo, tocando algo incompreensível no seu baixo e “filando” a cerveja de um dos presentes a frente do palco. A banda abriu com a excelente Coming From Inside e se o som da bateria e das guitarras estavam bons, o mesmo não poderia dizer do vocal de Leandro Caçoilo. Era praticamente impossível ouvir o que o cara cantava. Mas isso não o desanimou, pois o ele é um baita frontman e a energia que o cara tem no palco é surreal.

Na quarta música, A Cry From the Edge, o problema do vocal foi resolvido e nós conseguimos escutar o vocalista, que arrebentou durante toda a apresentação. As novas músicas, “Under the Sun” e “Freedom of the Speech” foram muito bem recebidas pelos presentes. Eles também tocaram “Wasted”, que não dava as caras ao vivo desde a turnê do álbum “Evolution”, o qual a mesma foi registrada. Em “Coma Rage”, Leandro entregou para Pit cantar, mas ele “pipocou” e se limitou a fazer uns backing vocais. Tudo bem, a gente perdoa, ele é de um carisma ímpar. Obviamente que ele não entrega mais o que ele entregava no passado, mas a sua presença de palco vale e muito a pena. Então só aquele fã ranzinza vai reclamar que ele toca no máximo dois acordes por música, mas suas danças e interação com os presentes garantem a diversão e quiçá o valor do ingresso. Ele pertence a galeria das lendas do Metal tupiniquim e tem créditos.

O novo guitarrista Kiko Shred é muito talentoso e mostrou que só chegou para somar. O cara traz toda sua tarimba, ele tocou com ninguém menos do que Leather Leone. Os solos ficaram ainda melhores com sua performance, mostrando técnica e velocidade. Gerou até uma zoação de Pit Passarell em certo momento, imitando o colega ao tentar fazer um “two-hands” no baixo, gerando gargalhadas de todos os presentes.

Outro ponto alto da apresentação ficou por conta do baterista Marcelo Campos. Ele, que substituiu brilhantemente o baterista Guilherme Martin, que está acompanhando a turnê dos irmãos Cavaleras, deu conta do recado e ao final pediu a palavra para agradecer aos fãs pela recepção e carinho. Esta era sua última apresentação ao lado dos seus ídolos e suas palavras levaram os presentes a ovacioná-lo. Deixamos aqui registrado os nossos parabéns pelo trampo honesto que o batera fez.

Em pouco mais de uma hora e meia de show, o quinteto apresentou um vasto setlist, em um total de dezessete músicas, abrangendo quase toda a carreira. Por razões óbvias, as músicas do fraquíssimo trabalho “Tem Pra Todo Mundo”. “Evolution” foi o álbum que ganhou mais canções (5), incluindo aí o cover para “We Will Rock You”, do Queen, tendo “Theatre of Fate” vindo logo depois, com 4 músicas. Resumindo, uma apresentação repleta de clássicos, com músicos talentosíssimos e que mereciam mais audiência desta vez. Felizes foram os que se dispuseram a sair de suas casas. Aguardemos o novo álbum ser lançado, a julgar pelos dois singles, estará muito bom. O Viper é uma instituição da música pesada brasileira e toda nossa reverência é pouca diante de todos os serviços que Felipe Machado e Pit Passarell fizeram. E ainda fazem.

* Galeria de fotos: Daniela Barros/Headbangers News


Setlist:

Coming From Inside
To Live Again
Nightmares
A Cry From the Edge
Under the Sun
Wasted
Knights of Destruction
Dead Light
Coma Rage
Evolution
Freedom of Speech
Love is All
Prelude to Oblivion
Living for the Night
Evolution
We Will Rock You
H.R.

Rock Experience

Data: 30/07/22

Horário: 21h

Rua Riachuelo, 20 - Lapa