Entrevistas

Desalmado: o brutal e mais extremo grind antifa

Jéssica Mar/Headbangers News

Desalmado está hoje na vanguarda da cena underground paulistana. Comemorando 17 anos de estrada com 5 lançamentos oficiais, 2 turnês pela Europa – festivais de casting como SWR Barroselas Metal Fest (Portugal) e FETO Fest (Espanha), fazendo inúmeros shows pelo Brasil ao lado de lendas do metal extremo como Entombed e Obituary.  A banda se mantém fiel ao grindcore, não apenas por sua música agressiva e impactante, mas principalmente por sua atitude musical. Expor as entranhas de um mundo perverso e alienado subserviente a um sistema manipulado pelas classes dominantes.

Conversamos um pouco com o vocalista Caio Augusttus, que junto com o Desalmado, apresenta um som ora Death Metal, outra Grindcore, que conta com um posicionamento bem marcado, letras ácidas e instrumental visceral.

O Desalmado adiou o lançamento do novo álbum de 2020 para 2021. Vocês pretendem postergar novamente?

Não, dessa vez o disco sai. Segundo semestre provavelmente entre agosto e setembro o disco estará nas plataformas e lançado inclusive fisicamente. Teremos algumas surpresas antes disso que tem a ver com o disco novo.

Qual será a temática das letras desse trabalho? O que podemos esperar de novo quando se trata da parte lírica do álbum?

É um disco que reflete a conjuntura dos acontecimentos políticos dos últimos anos, porém, ele é uma inflexão pessoal que vai literalmente para o campo emocional da coisa. Como estamos nos sentindo mediante a tanta degradação das condições sociais e que refletem diretamente na psicologia de cada um. Liricamente é um disco focado nas emoções, na tristeza e na falta de esperança de dias melhores.

Nesses 17 anos de banda, o Desalmado se consolidou como um dos grandes nomes da música pesada e ainda mantém ativo seu posicionamento ideológico combativo. Como vocês avaliam a trajetória da banda hoje? Quais foram as maiores conquistas na ótica de vocês e o que pleiteiam para o futuro?

Acho que nossa maior conquista na atualidade é ter justamente essa condição de ser um dos grandes nomes da música pesada no BR, a gente lutou e trabalhou muito pra que isso acontecesse e aparentemente, começamos a colher frutos agora. Não foi fácil e continua difícil na real, dar conta de 4 sujeitos no mesmo grupo com desejos, anseios e frustrações é algo complicado, porém, de alguma forma a gente conseguiu caminhar e alcançar bastante coisa legal, a gente tocou em festivais que sempre sonhamos, ganhamos o respeito de muita gente foda e isso é algo único. Para o futuro desejamos compor outro disco, talvez o mais lento e pesado da nossa discografia, isso esta na ordem do dia, vamos ver se conseguimos, primeiro é lançar o que esta pronto.

Você foram indicados por Max Cavalera como uma das bandas que ele curte na atualidade, Caio já foi entrevistado por Gastão Moreira… Como é para vocês serem reconhecidos por grandes ídolos?
Emocionante, acho que é a única justificativa, algo emocionante. Quando eu fui entrevistado pelo Gastão foi incrível, outra vez pelo Gordo, teve o lance do Max citando a gente e acho que é algo formidável e impensável as vezes, como disse, é o reconhecimento do nosso trabalho.

Além do lançamento postergado, como a pandemia afetou o Desalmado enquanto grupo?
Ainda não tiramos uma avaliação, a gente tentou produzir algumas coisas, fizemos a live, tentamos nos manter ativos e visiveis. Internamente rolou o natural distanciamento, conversamos eventualmente e nos encontramos em algumas oportunidades, mas acho que cada um teve de lidar com suas neuroses, seus conflitos e era algo natural que cada um ficasse mais reservado. Particularmente gostaria de compor algo novo, mas os caras estão em outro momento e vida que segue.

Caio e Estevam são idealizadores do Canal Scena e o Bruno faz parte do time da Hedflow, ambos canais que ajudam muito a cena independente brasileira. Isso nos traz um sentimento de comunidade, que também está atrelado a qualidade sonora. Vocês se tornaram referência não só pela banda, mas por esse trabalho que fortalece a cena. Falem um pouco sobre isso.
Acho que a gente simplesmente viu que era possível compartilhar e divulgar tudo aquilo que aprendemos durante todos esses anos na estrada, aliado a essa parte, tinha a possibilidade de divulgar bandas novas que estão no mesmo rolê de sempre e levar algum conteúdo relevante para as pessoas. Eu tenho um vicio que é encontrar bandas novas, não perco isso nunca, tenho tesão em falar “Olha, esse disco aqui é foda, essa banda aqui é foda….”, é algo meu, por isso o Scena tá ai, é a minha expressão de fã de musica pesada e de como o underground é importante para apresentar coisa boa e original, aliado a isso, a gente pode levantar discussões relevantes e nos colocar também como pessoas que discutem seriamente os acontecimentos em torno da vida, sejam eles temas essenciais ou simplesmente de puro entretenimento.

No Scena tivemos a sorte de encontrar o Tata, João e Natalia, os dois últimos que de fato abraçaram o rolê e fizeram acontecer. A gente criou um conceito que é de estruturar as paradas de forma que as pessoas entendam e formem uma comunidade, algo na linha de acolhimento mesmo. O Scena é o resultado dos esforços de um grupo de pessoas que decidiram doar seu tempo e trabalho pra levar algo legal a quem vive o cenário underground.

Indiquem 5 bandas nacionais do nosso underground que vocês ouvem e curtem.
Manger Cadavre?
Surra
Cerberus Attack
Cabranegra
Deulzebu

Muito obrigado. Deixem suas considerações finais!
Agradecemos o espaço, estamos ai na ativa e contamos sempre com apoios como esse e também. Fiquem ligados no disco novo que vem chegando, estamos ansiosos para compartilhar com todos que curtem a banda. Valeu!

Diego Cagnato

Para mais informações, shows e merchandise:
https://pt-br.facebook.com/desalmado.band