Entrevistas

Mahabanda – 20 anos de Poesia Concretista no Rock Nacional

Rodrigo Roviralta, vocalista, guitarra e principal compositor,

Karla Sthefany

Rodrigo Roviralta, vocalista, guitarra e principal compositor,

Impulsionada pela experiência e garra de seus músicos, Mahabanda estreou em 2000 fazendo um Hard Rock cantado em português onde baseiam suas letras nas poesias de Raul Roviralta. Cheia de conquistas e planos para o futuro, o vocalista e guitarrista Rodrigo Roviralta concedeu uma entrevista ao site Headbangers News para contar como foi a experiência de abrir o show do Ace Frehley, planos para o futuro, agenda de shows e também, como a banda está nesse período de quarentena devido ao novo coronavírus (COVID-19)

Prestes a completar 20 anos de carreira, a banda inicia uma nova fase com muito trabalho e o desafio de se tornar um dos grandes nomes do Rock Nacional. 

Karla Sthefany

Fala Rodrigo, tudo bem!? É um prazer poder ter essa conversa, conheci seu trabalho com tributo ao KISS a alguns bons anos, e compartilhamos do mesmo amor pela banda, aproveitando esse assunto, uma das mais notáveis apresentações da banda foi abrindo para o ex-membro da banda KISS, Ace Frehley, como se deu esse convite para apresentação!? Você acha que essa apresentação foi um divisor de águas para a banda? 
 Olá Filipe e a todos, obrigado por essa oportunidade de conversar com vocês. Realmente o show de abertura pro Ace foi um acontecimento fora da curva, pessoalmente, foi a realização de um sonho e a validação de todo meu esforço desde o início desta trajetória de 20 anos. O convite partiu do produtor Silvano Brancati, proprietário do Manifesto Bar. Sim, foi um divisor de águas tal como um teste de “contato com o público”, pois uma abertura de show, especialmente sendo internacional e sendo alguém icônico como é o caso do Ace… Pode ser uma cadeira de espinhos. Felizmente ocorreu tudo muito bem, graças também à pontualidade da organização que fez o melhor possível para que pudéssemos nos apresentar com boas condições. O público foi receptivo e gentil conosco, foi um belo momento sem dúvidas.
A Mahabanda tem 2 álbuns lançados, “Revolução Diagonal (2004) e “Mahabanda” (2015), e recentemente lançou oficialmente o single “A pressa do Tempo” e  “Duplex III”. Existe algo novo sendo produzido?
Sim, neste exato momento estamos produzindo uma musica que já era para estar pronta, chama-se “Emoção” e esta sendo produzida por Andria Busic. A produção foi interrompida por conta deste episodio da pandemia do novo coronavírus (COVID-19).
A banda irá fazer 20 anos de aniversário, vocês pensam em preparar algo especial para comemorar?
 A melhor forma de comemorar é produzindo, além desta faixa vamos nova, queremos produzir clipes para ela e também para a faixa “A pressa do tempo”, neste momento não penso exatamente em produzir um CD, mas em produzir novas canções e disponibiliza-las. Sou um grande apreciador tanto de CDs quantos discos de vinil, mas no momento, serão lançadas músicas independentes da produção para um CD. Também quero (assim como feito com “A pressa do tempo”) regravar boa parte do repertório do primeiro e segundo álbum, cujas músicas gosto muito e podem ser bem melhor para trabalhadas agora. E também neste ano de 2020, tocaremos em outros estados não visitados anteriormente levando nosso som e energia ao maior número de pessoas possível.

Pelo que pude notar, a banda ainda não tem muito registro audiovisual próprio, como videoclipes ou Lyric videos. Mahabanda banda tem interesse em lançar material desse tipo?
 Temos um lyric video de “Duplex III”, e tal como dita acima esta na pauta a gravação de 2 clipes para os últimos singles.
Falando um pouco sobre composição e criação. Além da referência clara á obra de seu pai, como é o processo de composição da banda?! 
Eu costumo e prefiro compor na calma do meu quarto e tenho o hábito de começar por temas de guitarra. Em seguida vem a letra e todo trabalho de arranjo que isso envolve. É um processo simples na realidade. Eu estou sempre pensando em riffs e temas, então, algumas músicas se manifestaram de forma muito espontânea, enquanto outras eu fiquei malhando a ideia, testando e mexendo até chegar a um resultado satisfatório. É um processo de criação e relação com você mesmo.
Vocês seguem as características do Movimento Concretista na musica? Se Sim, como tenta inserir na música da banda?
Meu pai era um poeta que versava entre a poesia clássica e o concretismo, porém os poemas mais “concretistas” são os mais difíceis de se musicar. Quanto as características do Movimento Concretista, creio que as bases musicais, harmonias, barulhos e ruídos, são justamente o pano de fundo para dar suporte seja dramático, seja musical, seja alegórico pra tal poema.
Você costuma trazer um pouco de outros poetas concretistas como inspiração? Como Décio Pignatari, Augusto de Campos, Ferreira Gullar e até o ex-Titãs Arnaldo Antunes?
Eu sempre fui apreciador de leitura em geral, não apenas por influência de meu pai, mas realmente faz parte da minha vida, da minha casa, dos ambientes em que vivi a vida toda. A música popular e o rock, bem como outras vertentes, tem seus poetas sempre trazendo o discurso. Todos os citados acima tem meu respeito e admiração, e aproveito pra citar pela minha admiração pela obra poética do grande e também romancista Charlles Buckowski, de Vladimir Maiakowski e do brasileiro Alberto Beuttenmuller.

Infelizmente, estamos passando por uma crise horrível devido a pandemia do novo Coronavírus. Isso fez a industrial da música parar. Vocês estavam com projetos de shows? E pretender continuar com eles após tudo se normalizar?
Sim, temos agendadas apresentações em Foz do Iguaçu, Curitiba, São Jose do Rio Preto e até o momento do agravamento da crise tínhamos mais datas a se confirmar, conforme citado em questão anterior queremos levar nossa energia ao maior número de pessoas neste ano de 2020 que começou significativamente melhor para a Mahabanda.
 A OMS pediu para que todos fiquem em casa, o que a banda está fazendo nesta quarentena?
Espero que Lucio, Yvens, Edgar e Romulo estejam se cuidando e se mantendo serenos e ativos. Em 20 anos essa é a primeira formação sólida da Mahabanda que começou a se constituir desde a entrada do grande baixista/vocal Edgar Zimmermann em 2014.
 

Muito Obrigado pela entrevista! Você pode deixar um recado para nossos leitores?

Quero deixar aqui meu abraço e agradecimento  a todos que estiveram comigo desde o início e dizer que a Mahabanda esta mais firme e presente do que nunca e que o momento é de novas ideias e futuros lançamentos. Muita saúde e paz para todos e que a vida volte aos trilhos com mais empenho e foco nas coisas boas, o grande sentido é o show, onde tudo se concretiza, e espero levar nosso som a todos vocês. Obrigado!