Entrevistas

Maieuttica: “Se eles [bolsominions] se incomodam, é sinal que estamos no caminho certo”

Fabio Reina (@fabinhoreina)

Sendo uma banda que sempre prezou em ir além do óbvio quando se trata de divulgar suas ações e imagens, já era de se esperar que a banda carioca Maieuttica quebrasse os seus próprios padrões quando chegasse a hora de mostrar ao mundo um novo single, e foi exatamente assim que ocorreu para o lançamento da música “O Egoísta”.

“O Egoísta” é o primeiro lançamento inédito da atual formação da Maieuttica que conta com os vocalistas Allan Sampaio e Frank ‘Lee’ Lima, o guitarrista  Lucas Lopez, o baixista Bruno ‘Matilas’ e o baterista Arthur Souza.

Para falar sobre a nova fase, a banda concedeu uma entrevista para o site Headbangers News e contou mais sobre o novo single, a nova formação e as inspirações e ideologias do Maieuttica.

Maieuttica já possui 10 anos de história e tem uma boa bagagem. Para começar, podem citar os grandes marcos da banda ao longo desses anos?

(Frank Lee) Bom, de fato, realmente já se passaram 10 anos e ocorreu muita coisa boa e algumas muito ruins também, claro. Vou tentar destacar algumas (mais ou menos em ordem cronológica) que nos marcaram bastante desde o início:
– Lançamos o primeiro EP “Conheça a Ti Mesmo”;
– Tocamos pela primeira vez em vários estados onde cativamos pessoas que nos acompanham até hoje;
– Criamos o evento “Brutal Alliance” onde trouxemos bandas de vários estados para o RJ;
– Lançamos o “Por Árduos Caminhos Até As Estrelas” com o Adair Daufembach em SP, com feat do Caio do Project46;
– Perdemos nosso fundador e guitarrista Caléo Lima;
– Tivemos mais de 25mil votos para tocar no Rock In Rio pelo concurso realizado pela Volkswagen e Rádio Mix de SP;
– Tocamos em grandes festivais do país em muitos palcos que amamos, e com grandes bandas que se tornaram amigos;
– Lançamos o “Hiatus: Ausência” e seus videoclipes, sendo nosso primeiro álbum conceitual;
– Lançamos a single “Engodo Mistificado” no início da pandemia, ao fechar a nova e atual formação;
– Voltamos a ativa ainda durante a pandemia e lançamos o novo single “O Egoísta”;
– Agora nos preparamos para comemorar os 10 anos com alguns lançamentos nas próximas semanas.

A banda enfrentou períodos bem turbulentos, incluindo o falecimento de um dos fundadores. Esses pontos tristes viraram inspiração e determinação para a banda?

(Frank Lee) Realmente levamos alguns bons socos da vida como banda durante esse tempo, mas sim, após o baque de algumas coisas ruins, conseguimos ser resilientes e, ao superar, transformar em inspiração para seguirmos em frente. Inclusive, muita força e energia positiva veio de fora da banda, das pessoas que nos acompanham e apoiam. Não posso afirmar com certeza se sem esse apoio dos fãs e amigos teríamos conseguido seguir em frente após algumas dessas porradas bem fortes que enfrentamos, mas como dizemos na música “A Grande Caverna”: “Além dessa prisão, além dessa ilusão, lavando toda dor encontro meu mundo, minha força!”

 

Maieuttica conquistou uma legião de fãs. Além do som moderno e o visual inusitado, o que vocês acham que ajudou a conquistar o público?

(Lucas Lopez) Acreditamos muito que a mensagem e a grande quantidade de shows que fizemos são alguns dos fatores majoritários. Desde as músicas do primeiro EP, o teor por trás das letras e como elas ressoavam com nossos ouvintes sempre foi algo que ajudou muita gente, era bem possível perceber isso nos shows em muitas das músicas na forma como os fãs cantavam a plenos pulmões aquilo que estava sendo dito. É uma cena muito bonita de se ver e mal podemos esperar pra ver isso tudo de novo.

 

A banda começou 2021 com nova formação e ideias renovadas. Podem contar sobre essas novidades? Quais os planos nessa nova fase?
(Lucas Lopez) Num geral a banda está com uma aproximação mais direta e objetiva tanto nas letras quanto nos sons, muito disso pela troca de formações e também por acreditarmos que uma mensagem mais clara tem também o potencial de tocar mais pessoas. Enquanto ainda estamos presos nessa realidade sem shows, esperamos alcançar mais pessoas pelos meios digitais e, assim que a volta dos shows for viabilizada, retornar à estrada para fazer o que mais gostamos e sabemos fazer.

Falando em novidades, a banda lançou o novo single e videoclipe, “O Egoísta”. Um som bem moderno e já acumulou muitos views. Como a banda sentiu a recepção do público com o novo trabalho?
(Bruno Matilas) Nós sentimos uma retorno bacana com relação ao vídeo e a música, principalmente do nosso público o qual só temos a agradecer por esse carinho. Algumas poucas pessoas que já curtiam nosso som antes não curtiram tanto essa renovação, porém era algo que já esperávamos e vamos tentar “compensar” isso com o que temos por vir. Com relação a insatisfação por parte dos Bolsominions nós já estávamos contando com eles também, e estamos curtindo que eles estejam incomodados, afinal se incomoda a eles é sinal que estamos no caminho certo.

 

Ainda sobre “O Egoísta”, como foi o processo de composição? Qual a mensagem que Maieuttica quer passar com a música?
(Lucas Lopez) O Egoísta foi a primeira música a nascer 100% dessa nova fase, foi composta totalmente online e produzida em etapas à distância também, então, apesar de todo o desafio, foi também a realização de que podemos sim continuar mesmo com toda a dificuldade imposta pela pandemia. A mensagem dessa música veio basicamente do senso de consciência ao olharmos para literalmente tudo que tem acontecido ao nosso redor. A banda sempre teve um viés questionador nas letras e estamos vivendo a maior crise da nossa geração. Além da pandemia do vírus, há também uma pandemia da falta de senso de coletividade. Mundo afora vemos, dia pós dia, vidas humanas, famílias, sonhos sendo levados por caprichos de quem se recusa a fazer o mínimo por razões incoerentes. Essa música vem como um grito por todo mundo que perdeu um ente querido por decorrência dessa doença terrível e pela falta de respeito pela vida do próximo.
 
A banda tem uma proposta voltada ao nu metal, post hardcore e metal moderno. Como vocês enxergam a cena atualmente para esses novos estilos? No exterior, bandas desses segmento estão em alta, mas e no Brasil?
(Bruno Matilas) Bem, ainda são propostas musicais com público bem restrito, mas particularmente achamos que há um espaço a ser preenchido por essa demanda. No Brasil não existe uma alta, devido a cultura e outros fatores, porém, existe uma tendência com relação a novos públicos se formando e os públicos já existentes, e achamos que o foco são justamente essas personas, além de nossa própria satisfação.

 

A banda já dividiu o palco com grandes nomes, como Escape The Fate (EUA), Angra, Krisiun e outras bandas. Como está a expectativa para o retorno aos shows? Já possuem datas marcadas?
(Bruno Matilas) Nós estamos com as melhores expectativas para quando os shows retornarem… são expectativas meio reprimidas por conta da pandemia, mas apesar disso essas expectativas existem (risos). Estamos com muita saudade dos palcos e da galera. Quanto aos shows… não possuímos datas fechadas e, no momento, não estamos preocupados com isso por conta das restrições e do nosso posicionamento com relação a pandemia, acreditamos que fechar datas no momento é encorajar o negacionismo de certa forma, dentre outras coisas que não estamos de acordo. Dito isso, seguimos aguardando uma possível reabertura com as melhores condições de segurança para todos.

 

Podem deixar uma mensagem para os leitores do Headbangers News?
(Frank Lee) Vacinem-se! Nos vemos na estrada quando for viável, mas até lá, estão convidados a nos conhecerem melhor em nossas redes sociais e nos discos já lançados, porém, como cada disco passou por processos de composição e formações diferentes, já vai na boa: Curte Metalcore oldschool na pegada dos primeiros do Killswitch Engage? Começa pelo ‘Por Árduos Caminhos Até As Estrelas’ de 2014!

Curte uma pegada mais alternativa e lúdica? Começa pelo de Hiatus de 2018! (Esse último é recomendável ouvir na sequência do disco por ser um álbum conceitual.)

Cuidem-se!