Entrevistas

Murdock: “Nesses tempos sombrios não devemos permanecer calados”

Guilherme Sezoski, vocalista e guitarrista

João Sgrott

Guilherme Sezoski, vocalista e guitarrista

A banda Murdock, oriunda de Tijucas/SC, começou como trio no ano de 2019 mais direcionada a um projeto de rock psicodélico, mas o lado pesado falou mais alto e então começaram a trabalhar com som mais pesado e cair de cabeça na sonoridade ligada ao  Stoner, Hard e Doom, que foi o tipo de pegada e timbre que caiu melhor à banda, referenciando bandas como Black Sabbath e Deep Purple, e também nomes mais contemporâneos como Kadavar.

Para falar mais sobre a banda, o vocalista e guitarrista Guilherme Sezoski concedeu uma entrevista ao site Headbangers News.

Murdock é uma banda nova no cenário. Como tudo começou?

A banda começou com um projeto diferente, estávamos com o foco em fazer um som psicodélico na pegada de Boogarins, Tame Impala. Nessa época eu já tinha algumas composições preparadas para esse estilo de som, mas acabou não dando certo esse projeto e acabamos mudando a formação e o estilo de som que gostaríamos de trabalhar.

A banda começou tocando um rock mais psicodélico, algo mais leve. O que levou o Murdock a pegar pesado e partir para o estilo mais Stoner e Doom?

Nesse tempo eu já estava descobrindo a cena do Stoner e Doom e ‘’pirando’’ nessa sonoridade mais pesada e solida, então cai de cabeça no estilo. Na mudança de membros da banda entrou a primeira formação da Murdock, a galera que entrou já vinha da escola do Grunge, Metal, Hardrock um estilo mais sólido, então foi tranquilo começar trabalhar com a sonoridade mais pesada.

O single “Porcos”, faz uma forte crítica social ao governo. Como foi a repercussão desse lançamento?

Lançamento de ‘Porcos’ foi no começo da pandemia, logo após as declarações horrendas do Presidente do Brasil, e com os aumentos exagerados de Fakenews, foi ótimo conseguir fazer o lançamento de Porcos, pois pensei que ficaríamos ausente nessa pandemia, parados sem novidades por um tempo, e esse single deu um gás a mais para banda continuar na ativa.

Nesses tempos sombrios não devemos permanecer calados, então foi ótimo termos lançado esse single, mostrar para o publico que não fechamos com genocida e fascista, não queremos apenas um público alvo, mas queremos os verdadeiros.

Ultimamente tem surgido muitos “críticos” sobre bandas misturarem música e política, principalmente no meio do rock e metal nacional. Qual a opinião da banda sobre esses tempos em que estamos vivendo em relação a cena do metal no Brasil?

Como eu disse, não devemos permanecer calados, ainda mais com tudo isso que vem acontecendo em nosso país.

Eu estou no underground faz 10 anos, as verdadeiras bandas estão no underground também, a galera que se diz ‘’critico’’ de alguma coisa geralmente são os tiozão que nunca entenderam nada sobre as bandas, letras e estilo que se diz gostar, a galera que ama mesmo o estilo a música está no Underground e não nos grupinho de Facebook dizendo que o Rock está morto.

O primeiro EP, intitulado “Entre Tigres e Lobos” será lançado no próximo mês. Como foi a produção deste trabalho?

Geralmente a gente se cobra muito dentro do estúdio, pois queremos dar nosso melhor e passar toda energia no som que iremos lançar, e nesse EP não vai ser diferente.

Como todos da banda temos compromisso na semana, a gente geralmente combina os horários certos para gravação, e comparecemos todos juntos nos dias das gravinas, então sempre estamos juntos para opinar e deixar o som do jeito que queremos.

A banda irá apresentar alguma música cantada em inglês? Porque seguir cantando em português um estilo pouco conhecido no Brasil?

Todas as musicas serão em português, a ideia da banda é de levar o som pesado cantado em nossa língua para o mundo. Vejo muito isso no nosso spotify por exemplo, tem muitos países que curtem nosso som, para mim isso já é um ponto positivo.

Eu sonho com o final da pandemia, queremos muito apresentar nosso material novo para todos, e quem saber fazer um tour pelo Brasil, America latina ou até quem sabe Europa.

O que “Entre Tigres e Lobos” irá trazer para a cena Stoner e Doom nacional?

Queremos reviver a sonoridade pesada dos anos 70, com letras cantadas em português.

Iremos trazer um som solido e versátil, com muitas vertentes dentro do estilo Stoner Rock.

Mostrar também a qualidade e produção de um estúdio independente, mostrar que se pode sim, fazer um som de qualidade sem fazer parte de uma produtora grande.

Quais os planos futuros da banda?

Depois de trabalhar esse EP iremos começar realmente a fase nova na banda, queremos experimentar muitas coisas dentro do projeto Murdock.

A banda já fez 2 anos de existência, temos muitas ideias para realizar ainda, dropar as guitarras e deixar tudo mais pesado, ideias de composições conceituais e quem sabe colocar ritmos brasileiros dentro do nosso estilo de som.

Podem deixar uma mensagem para o site Headbangers News?

Agradecemos a participação e o espaço que nos deram para falar um pouco sobre a Murdock, agradecer nossos parceiros que nos tem ajudado desde o início nessa caminhada, Bruxa Verde Produções/ Estúdio Sound Beat/ Abraxas Selo/ Void – Stoner Doom Worship e todas as bandas que estão se esforçando nesse momento de pandemia.

Mandar um forte abraços para nossos fãs, e para aqueles que irão nos conhecer no futuro, muito obrigado.