Entrevistas

Phil Pendergast (Khemmis): “As influências de black e death metal estão muito mais explícitas neste álbum, a atmosfera está muito mais sombria e depressiva do que tudo que já fizemos”

Jason Sinn/Nuclear Blast Records

Diretamente de Denver, Khemmis acaba de lançar mundialmente pela Nuclear Blast Records o seu quarto full álbum intitulado de “Deceiver”!

“Deceiver” marca uma fase mais obscura da banda, que se aventurou por misturar ao doom metal alguns elementos de black e death metal melódico, com letras pesadas e que convida o ouvinte a uma jornada para dentro de si mesmo, para dentro de sua própria escuridão!

Em uma entrevista para o Headbangers News, o guitarrista e vocalista Phil Pendergast explicou com mais detalhes o conceito do álbum e sobre o processo de criação do mesmo, confiram abaixo!

Bom Phil, em primeiro lugar parabéns pelo “Deciever”, é um trabalho realmente muito bom, eu adorei. Então vamos falar sobre o álbum, sobre a produção, quando tudo começou, como foi tudo?

Basicamente, começamos a trabalhar no álbum conceitualmente no final de 2019, apenas tocamos alguns riffs, tentando ter uma ideia de que tipo de direção queríamos ter com aquilo, e tocamos o primeiro riff de “Avernal Gate” nos violões e pensamos que seria legal se adicionássemos um tipo de direção musical mais agressiva e sombria para o álbum. Sabe, porque ficou muito parecido com um riff de death metal melódico sueco, e nunca fizemos nada explicitamente parecido com isso antes, então pensamos que seria uma ideia legal podermos mergulhar mais fundo em uma espécie de influências de death e black metal neste disco.

E é uma experiência diferente pra vocês também, né?!

Sim, quero dizer, todos nós somos grandes fãs de metal extremo e, tipo, mas nós realmente não ouvimos muito, não tanto quanto outras músicas que soam mais como nós, e parece muito honesto para nós fazermos isso, porque esse é o tipo de música que gostamos e pensamos que poderíamos colocar uma sonoridade mais pesada e continuar soando como Khemmis, e então em 2020 nós não podíamos estar juntos, mas estávamos todos trabalhando e enviando ideias uns aos outros, o que meio que ajudou muito nos ensaios iniciais que tínhamos de tocar juntos. E desta vez tivemos uma atitude diferente em relação a escrever o álbun, fomos mais metódicos e intelectuais sobre isso. Ao invés de apenas ver o que era divertido de tocar quando estávamos todos juntos, mas também o que nos dava uma espécie de liberdade para pensar um pouco diferente. E acho que ainda soa como nós e acho que entregamos um reflexo honesto de um momento muito sombrio em nossas vidas, todos nós estamos lidando com muita depressão, quando apenas reconhecendo o que estava acontecendo no mundo e parecia que a música tendo esse clima mais pesado, esse clima mais escuro complementou isso. Então acabou parecendo muito coeso com a produção do disco, queríamos acentuar essa fase nossa e ter um álbum mais dinâmico, ter guitarras mais limpas, mas também guitarras mais pesadas, bateria e sons de guitarra mais diferentes, maior gama de vocais, ser limpo e mais pesado às vezes. Então, estávamos apenas tentando nos esforçar para fazermos o máximo que podíamos e ainda mantendo nosso foco em escrever boas músicas, e acho que fizemos isso!

E vocês fizeram isso, com certeza!

Legal, obrigado por isso!

E a próxima pergunta é exatamente sobre o que as letras estão falando, eu li que elas falam sobre os aspectos psicológicos do ser humano, de como vocês estavam se sentindo no momento. Então me conte um pouco mais sobre as letras.

Sim, normalmente é necessário escrever pelo menos um conceito para cada música, e por exemplo, as primeiras letras geralmente determinam a direção de onde as histórias devem ir, e eu estava tendo muita dificuldade em descobrir o que eu ainda tinha a dizer com a música. Acho que porque estava em um estado de depressão profunda e era realmente difícil encontrar algum valor em minha própria experiência para inspirar-me. E realmente foi difícil, até que eu cheguei à conclusão de que ali era onde eu estava e que eu simplesmente tinha que ser honesto sobre isso, e as coisas começaram a fluir novamente. Então a música acabou sendo sobre as diferentes maneiras que vejo em minha própria vida que me limitam, fico infeliz com esses padrões ensinados que não são saudáveis, optando por me concentrar em sentir vergonha por algo do meu passado ou me preocupar em fazer algo que é imperfeito ou simplesmente deixar de me amar, então cada música meio que mergulha em uma história que eu estava descobrindo e que estava repetindo para mim mesmo ao longo daquele ano, e tentei ver que lição aprender com cada uma essas histórias. Acho que no final acabei me tornando uma pessoa mais consciente sobre como me relaciono comigo mesmo e como me relaciono com outras pessoas na minha vida. Não é realmente fácil ter esse tipo de olhar para si mesmo e não necessariamente faz você se sentir melhor, mas acho que acaba valendo a pena fazer de qualquer maneira. Você sabe, ainda há lições a aprender com as coisas de que temos mais medo. Então, isso é o que o álbum é para mim, e o truque com isso é como você escreve isso de uma forma que não precise ser alguém vivendo na minha pele para tirar algo disso. Eu acho que é o que mais me orgulho neste álbum, acho que é o nosso álbum de maior sucesso em termos de letras, tendo um aspecto que é profundamente pessoal para mim e que me deixou meio desconfortável em escrever essas coisas. Embora ainda as músicas tenham sido entregues de uma forma que me tire de cena, posso dizer do que tratam as músicas e acho que há algo enterrado, ainda há algo que as pessoas estão dispostas a me seguir nessa jornada e vão tentar fazer algo sair disso também. Estou muito feliz com esse aspecto do álbum!

E para você quais são as diferenças entre “Deceiver” e os outros álbuns?

Sim, é uma boa pergunta. E é engraçado porque tenho tentado não ler toda a imprensa sobre o novo álbum, apenas para não atrapalhar minha própria interpretação pessoal dele, mas uma coisa que tenho visto é que muitas pessoas não acham que estamos fazendo algo novo, e isso é uma coisa boa ou ruim (risos), mas eu discordo totalmente, este é nosso álbum mais abrangente, como eu disse antes, as influências de black e death metal estão muito mais explícitas neste álbum , a atmosfera neste álbum é muito mais sombria e depressiva do que tudo o mais que fizemos. E eu acho que a única coisa que me ocorreu é que somos uma banda mais confiante do que éramos no passado, sabe. Acho que temos a confiança para abraçar essas influências de uma outra forma, anteriormente pensávamos antes de fazer escrever coisas que não soavam como o Khemmis, mas agora estamos confiantes o suficiente como uma banda para saber o que soaria como Khemmis mesmo se estivermos fazendo algo totalmente diferente. E uma vez que você ouviu a música, você entende porque transformamos uma parte do death / doom em uma parte do black metal, você entende porque a música está consistentemente em uma velocidade, muito não monótona, e as vezes deliberada. E tudo é respondido na composição da música, como a jornada que estamos tentando levar em cada música, os tormentos que influenciam cada parte. Você sentirá que a música precisa ficar realmente mais pesada agora. E esse é o tipo de diferença principal da perspectiva de composição para mim no novo álbum, é que tudo isso parece mais orgânico, em termos de criação das músicas.

E quanto à arte da capa, ela tem muitos elementos e é muito interessante, muitas animações que parecem estar conectadas entre si. Fale-me sobre a capa.

Um dos meus aspectos favoritos da banda é que tivemos um artista talentoso, o Sam, acho que ele pegou o espírito de estar sentado e pegar a coleção de discos dos seus pais e olhar para uma capa de álbum muito legal ..

E ficar horas apenas admirando a capa!

Sim, exatamente, e fazer com que isso seja parte da jornada tanto quanto a música. Você fica imaginando se há uma história por trás disso, descobrindo o que esses personagens estão fazendo, então nós sempre tentamos fazer isso com as artes da capa dos nossos álbuns também. Eu trabalhei realmente muito próximo ao Samuel Turner, que faz a arte do álbum, ele é um amigo nosso e para a capa desse álbum eu tive o conceito dessa figura central que está relacionada a alguns dos personagens das capas dos meus álbuns anteriores, mais ou menos neste purgatório e rios com uma paisagem infernal, e ele está enfrentando seu próprio reflexo na água como se fosse literalmente o demônio que está dentro dele, e está o arrastando para baixo, mas não queríamos deixar como se ele estivesse com medo de que isso estivesse acontecendo, ou que parecesse particularmente desafiador necessariamente, ele parece como rescindido a esta fé e parece que o está convidando para algo degradante. Essa foi uma forma realmente importante de capturar a emoção por trás de todo esse álbum, escolhemos nos envolver com esse aspecto sombrio de nós mesmos, querendo ver o que vem deles e aprendendo a aceitá-los ao invés de lutarem contra eles. E então se encaixa para mim muito intimamente com esse álbum, letras e conceito, e também a pintura da imagem, como se este fosse nosso álbum mais escuro, a paleta de cores é realmente escura e turva. E acima de tudo, tem uma aparência foda e os personagens são legais, então mesmo que as pessoas não se envolvam tanto nisso, eu ainda acho que é uma obra de arte legal e atinge todas as marcas para mim para ser uma boa capa. Eu adoro quando deixo ele apenas ter a liberdade de desenhar todos os outros personagens e ver o que surge, então eu gosto da parte em que mando uma ideia para ele e recebemos algo de volta e eu fico tipo “uau, de onde estes caras estão vindo? Que história é essa? O que está acontecendo aqui? ”, Eu adoro isso, tenho muito orgulho disso, acho muito legal!

Sim, e um dos seus videoclipes foi um clipe animado, ‘House of Cadmus’, e eu achei muito parecido com a arte da capa e o conceito..

Sim, não é o mesmo artista, mas acho que ele entendeu o espírito do álbum, foi muito interessante trabalhar com ele porque com Sam, que faz a arte do álbum, eu estou muito envolvido com ele e conversamos sobre cada pequena decisão que está sendo feita e enviamos um ao outro os esboços e essas coisas, e eu estou realmente participando. Mas com o videoclipe, o cara que fez isso, Costin, ele não queria direção nenhuma, ele apenas disse “me mande a música, a letra, me diga o que você sente sobre ela” e ele fez isso. Ele acabou de entregar uma bela representação da música que incorporou seu próprio tipo de história nela e, honestamente, fiquei impressionado com o que ele nos mandou de volta, quero dizer … ele me fez chorar com isso. É tão legal ver algo que fizemos e inspirou alguém a ir tão fundo em sua própria experiência pessoal e inventar isso, foi tão gratificante, eu nunca iria imaginar isso. Então foi uma experiência muito profunda para mim, me deixou muito feliz por podermos criar algo que tenha esse efeito. Eu acho o vídeo incrível.

Eu amei também. E adorei essa música, para mim é a faixa mais intensa do álbum!

Sim, é muito dark, estávamos realmente comprometidos com aquela música, não tendo nenhum momento de alívio, tipo … acho que a banda geralmente visa entregar uma jornada em cada música onde haja alguns pontos altos, como um momento climático, e nós queríamos nos desafiar nessa música para entregar exatamente o oposto, tentando ter como consistentemente mais tenso e mais tenso, e depois mais triste e depois ter o “clímax” que é o momento mais triste de todo o álbum basicamente (risos), o que foi um desafio divertido e eu realmente gosto dessa faixa também porque é muito honesta sobre o que a música trata.

Se você pudesse descrever este álbum em uma frase, qual seria?

Uma jornada pesada e emocionalmente honesta!

Sim, é simples, mas é exatamente o que o álbum é! É perfeito.

Sim, porque eu sinto que esse é um dos aspectos importantes do álbum, que é uma jornada e tudo parece uma coisa coesa para mim, e eu tenho dificuldade em não sentir que é um álbum emocional, mas eu também acho que é nosso álbum mais pesado.

Quais são os planos da banda para o próximo ano? Alguma turnê em mente? Eu sei que vocês estão tendo muitos shows nos EUA ..

Por enquanto, essa é a única coisa com a qual podemos nos comprometer, logisticamente, é tão difícil dizer o que este ano será para qualquer um de nós, especialmente para as coisas internacionais, então estamos tentando fazer o que sabemos que podemos fazer agora, e ainda temos muitas datas nos EUA para este ano. Queríamos voltar para a Europa o mais rápido possível, e nunca estivemos na América do Sul, sei que todos nós queríamos sentir como seria um público brasileiro, seria um público muito bom para nós.

Sim, nós amamos doom metal aqui!

E quero dizer, a apreciação do metal dos brasileiros é muito maior do que quase todos no mundo, tipo, qualquer vídeo ao vivo que eu tenha visto, como Iron Maiden, Judas Priest ou Sepultura, é como uma coisa totalmente diferente, é como se todo mundo estivesse na igreja e se tornasse uma grande celebração e eu adoraria fazer parte disso em algum momento, não sei quando, mas adoraria que isso acontecesse.

É difícil dizer algo com certeza agora.

É, mas estou animado com a possibilidade.

Um dia no futuro venham ao Brasil, vocês serão bem-vindos aqui.

Sim, fale com alguém que você conhece que promove shows ou um booker que possa tentar nos ajudar com isso. É algo que adoraríamos fazer.

Estamos terminando aqui, você quer mandar uma mensagem para os fãs, ou dizer mais alguma coisa?

Então, eu acho que os fãs de metal brasileiros são incríveis, sua paixão pela música é incomparável. Eu tenho que agradecer a vocês pelo Sepultura, e não poderíamos estar mais animados em talvez irmos e tocar aí em breve, e espero ver vocês sendo totalmente maníacos quando chegarmos aí.