No dia 13 desse mês, o Bandcamp, plataforma online que funciona também como loja de discos e uma das maiores comunidades musicais globais de vários estilos, tomou uma atitude firme com relação ao uso de IA (Inteligência Artificial): não haverá tolerância para músicas feitas dessa forma ali.
Intitulado de “Keeping Bandcamp Human” (“Mantendo o Bandcamp Humano”), a plataforma fez a seguinte publicação (tradução livre, grifos do site):
“A missão do Bandcamp é ajudar a espalhar o poder curativo da música construindo uma comunidade onde os artistas prosperam com o apoio direto de seus fãs. Acreditamos que a conexão humana encontrada por meio da música é uma parte vital da nossa sociedade e cultura, e que a música é muito mais do que um produto a ser consumido. É o resultado de um diálogo cultural humano que remonta antes da palavra escrita.
Da mesma forma, músicos são mais do que meros produtores de som. Eles são membros vitais de nossas comunidades, da nossa cultura e do nosso tecido social. O Bandcamp foi criado para conectar diretamente artistas e seus fãs, e para facilitar que os fãs apoiem os artistas de forma justa, para que possam continuar fazendo música.
Hoje estamos fortalecendo nossa missão ao articular nossa política sobre IA generativa, para que os músicos possam continuar fazendo música, e para que os fãs tenham confiança de que a música que encontram no Bandcamp foi criada por humanos.
Nossas diretrizes para IA generativa em música e áudio são as seguintes:
– Músicas e áudios gerados total ou em grande parte por IA não são permitidos no Bandcamp.
– Qualquer uso de ferramentas de IA para se passar por outros artistas ou estilos é estritamente proibido, de acordo com nossas políticas vigentes que proíbem a personificação e a infração de propriedade intelectual.
Se você encontrar música ou áudio que pareça ser feito inteiramente ou com forte dependência de IA generativa, por favor, utilize nossas ferramentas de denúncia para sinalizar o conteúdo para revisão pela nossa equipe. Reservamos o direito de remover qualquer música sob suspeita de ser gerada por IA.
Com essa política, estamos colocando a criatividade humana em primeiro lugar e certamente comunicaremos quaisquer atualizações da política à medida que o espaço da IA generativa, que está em rápida mudança, se desenvolve. Obrigado.”
O uso de IA nas artes em geral tem gerado discussões: na música, alguns entendem como uma evolução, assim como quando da entrada da digitalização nos processos de gravação, composição e criação de artes dos discos, iniciado há quase mais de 40 anos atrás. Outros acham que os rumos que a IA tem tomado podem acabar justamente com o fator chave da música: as emoções humanas por detrás das músicas e artes dos discos, afinal, tudo seria feito de forma digital, através de prompts de comandos.
De acordo com o jornal The Guardian, já em 2024 um grupo de músicos influentes de diversos estilos assinou uma carta aberta pedindo proteção contra o uso “predatório de inteligência artificial que imite a semelhança, vozes e sons de artistas humanos”. Em 2025, Max Cavalera se posicionou sobre o assunto, especialmente sobre o uso da sua voz e de outros artistas na criação de músicas: “Ela (IA) vai criar uma cópia falsa, uma espécie de xerox, mas não é a mesma coisa. Eu não me importo com o que as pessoas dizem. Não é igual, cara, e nunca será. Minha esperança é que a gente consiga coexistir com isso; esse é o meu desejo. Porque eu acho que algumas coisas podem ser boas, se forem feitas da maneira certa. Acredito que vamos aprender a coexistir com essa tecnologia de inteligência artificial e ver para onde isso vai nos levar. Mas a alma da pessoa, isso é algo único. O seu coração, a sua paixão, isso é humano, cara.”