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Memory Remains: Cannibal Corpse -29 anos de “Tomb of the Mutilated”, um verdadeiro clássico do gore

Em 22 de setembro de 1992, o Cannibal Corpse lançava o seu terceiro álbum: e “Tomb of the Mutilated” mostrava que o quinteto de Buffalo, agora radicado em Tampa, estava se fincando como um dos pilares, senão o maior deles, do Death Metal. Hoje esse play maravilhoso é tema do nosso Memory Remains, Venha comigo, no caminho eu te conto.

Depois de dois álbuns simplesmente sensacionais e que lançaram a banda rumo ao status que ela possui nos dias atuais, a banda firmava sua sonoridade no Death Metal, deixando completamente de lado o Thrash do primeiro álbum, influenciado pelo “Beneath the Remains“, do Sepultura, como eles mesmos afirmaram no encarte do álbum “Eaten Back to Life“. E eles vinham com sede. De som pesado e de  letras sanguinárias, neste que se tornou um clássico do gore.

Era o terceiro álbum em um curto espaço de três anos, o que mostra que os caras estavam mesmo afim de mostrar a que vieram. É neste “Tomb of the Mutilated” que nasceu o maior clássico da banda, a poderosa “Hammer Smashed Face“, música que geralmente encerra as apresentações, coisa que antes da pandemia a gente sabia exatamente o que era, não é mesmo, caro leitor?

Considerado por alguns (exagerados) fãs troos como sendo o último álbum bom da banda, o que é uma enorme besteira, é claro, pois a banda tem se superado disco após disco, “Tomb of Mutilated” impressiona pela brutalidade, tanto sonora quanto lírica, além de apresentar a imagem mais grotesca dentre todas as capas do estilo: são dois zumbis, sendo que o “macho” está praticando sexo oral na parceira. Obviamente que essa capa foi censurada, como praticamente todas que a banda produziu, então quem quiser adquirir o play atualmente, terá que se contentar com a arte secundária, que para mim, não tem a menor graça.

A banda se reuniu no famoso “Morrisound Studios“, em Tampa, com o velho Scott Burns na produção. E de lá saíram com este petardo, de apenas 35 minutos, que fora lançado pela “Metal Blade“. Este seria o último álbum com o guitarrista Bob Rusay, que abandonaria a carreira de músico, automaticamente, foi o último álbum com a lineup original da banda. 29 anos depois, somente o baixista Alex Wenster e o baterista Paul Mazurkiewicz seguem como membros da banda. o guitarrista Rob Barrett, que substituiu Bob Rusay está na banda, mas ele saiu em 1996 para dar lugar a Pat O’Brien e retornou em 2004 quando outro membro original, Jack Owen saiu.

Vamos colocar a pequena bolacha para rolar e nos deliciar com o que tem registrado neste “Tomb of the Mutilated“: a abertura está com o hino da banda,  “Hammer Smashed Face” destrói tudo, mostrando um Death Metal convidativo a um mosh tão violento quanto a própria música, que ficou conhecida mundialmente após ser tocada no filme “Ace Ventura“, estrelado por Jim Carrey, assumidamente grande fã da banda. Abaixo, o leitor pode conferir o trecho do filme onde a banda aparece, e de quebra, dar umas boas risadas com a performance de Jim, na melhor fase de sua carreira.

Dando sequência ao play, temos “I Cum Blood“, que é outro clássico da banda, em que temos partes mais arrastadas nas estrofes intercalando com partes rápidas e brutais no refrão. Essa foi mais uma música que eu conheci no ao vivo “Live Cannibalism” e achei irada demais. Essa faixa está presente no jogo “GTA IV”.

Addicted to Vaginal Skin” é outro petardo em que notamos uma banda agressiva e crua fazendo um som absurdamente rápido e brutal, numa intro mais arrastada que logo se torna o caos total. Suspeita-se qiue a voz da introdução desta música seja atribuída ao serial killer Arthur Shawcross, quando ele teria confessado seus crimes e teria sido gravada em cassete.

Chega “Split Wide Open” e tome mais violência sonora, numa música pra lá de violenta e agressiva, como era o Cannibal Corpse old-school. Aqui também temos breves mudanças no andamento, mas logo as coisas voltam ao “normal”. “Necropedophile” mantém as coisas no topo, em outro som em que as mudanças repentinas de andamento acontecem. Começa rápida, tendo uma breve alteração e logo a velocidade volta com tudo.

The Cryptic Stench“, a faixa número três, traz ótimos riffs de guitarra, que são mais cadenciados em sua intro, por sua vez, é bem longa e logo ao entrar os vocais de Chris Barnes, o pau come na casa de Noca e riffs hipnotizantes juntamente com a bateria rápida e violenta de Paul Mazurkiewicz dão a tônica do que é esse sonzão, que assim como as demais, também sofre uma breve mudança no andamento, mas depois a brutalidade retorna com tudo. Um dos melhores deste play e é uma pena que a banda não toque ao vivo. “Entrails Ripped From a Virgin’s Cunt” começa com uma ótima virada de Paul Mazurkiewicz e a violência absurda toma conta dessa faixa, com breve mudança de andamento no meio dela.

Post Mortal Ejaculation” tem excelentes riffs na sua introdução, sendo esta a mais complexa composição do álbum, onde destaco as linhas de baixo de Alex Webster, a fera das cinco cordas. Aqui nem mesmo na parte em que há a já famosa mudança de andamento, a música fica menos rápida. É muita brutalidade para uma banda só.

Beyond the Cemetery” é marcada por quebradeira pura, sendo a composição mais complexa e pesada do disco, com muitas quebras no andamento, mas tudo terminando no mais pútrido e doentio Death Metal, encerrando de maneira sensacional um disco curto, porém, direto e reto. São pouco mais de 35 minutos de muito peso, brutalidade e letras horripilantes, porém, engraçadas. Verdadeiro clássico da carreira desta grandiosa banda.

A versão lançada no Brasil em 1999 pela Roadrunner Records, trazia como bônus track, o excelente cover para “The Exorcist“, do Possessed. A faixa, originalmente lançada no single “Hammer Smashed Face“, que tinha também uma versão para “Zero the Hero”, do Black Sabbath, ficou animal e vale a pena conferir. Mesmo que a sua versão não tenha essa música, procure por ela, pois é sensacional.

Temos assim um excelente álbum, que foi o primeiro de estúdio que eu ouvi, logo depois de conhecer a banda através do “Live Cannibalism“, isso há mais ou menos 20 anos atrás. “Tomb of the Mutilated” é respeitado na cena Death Metal e cultuado por muitos fãs da banda. Em 2005, ele foi incluído na posição 278 do livro “500 Maiores Álbuns de Rock e Metal”, editado pela revista Rock Hard.

E hoje é dia de celebrar esse disco lindo, e esperar que essa pandemia seja ao menos controlada, o que vai ser difícil ao menos nessas terras tupiniquins, uma vez que o dublê de presidente andou fazendo o Brasil passar ainda mais vergonha, durante sua passagem pelos Estados Unidos, em compromisso pela ONU, onde deu um show de ignorância ao desfilar por lá sem tomar vacina e se vangloriando por isso. A esperança é a última que morre, então a gente espera que tudo isso seja ao menos controlado para que possamos ver os reis do Death Metal em ação novamente. Longa vida ao Cannibal Corpse.

Tomb of the Mutilated – Cannibal Corpse

Data de lançamento – 22/09/1992

Gravadora – Metal Blade

Faixas:
01 – Hammer Smashed Face
02 – I Cum Blood
03 – Addicted to Vaginal Skin
04 – Split Wide Open
05 – Necropedophile
06 – The Cryptic Stench
07 – Entrails Ripped From a Virgin’s Cunt
08 – Post Mortal Ejaculation
09 – Beyond the Cemetery

Formação:
Chris Barnes – Vocal
Jack Owen – Guitarra
Bob Rusay – Guitarra
Alex Webster – Baixo
Paul Mazurkiewicz – Bateria