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Memory Remains: AC/DC – 37 anos de “Fly on the Wall”, a saída de Phil Rudd e pausa nas gravações para tocar no Rock in Rio

Em 28 de junho de 1984, o AC/DC lançava “Fly on theWall”,  o décimo álbum da vitoriosa carreira destes australianos que tanto amamos. Esse play é assunto do nosso Memory Remains desta terça-feira. Venha conosco.

A banda vinha do disco anterior, o não muito inspirado “Flick of the Switch” e com a saída de Phill Rudd, era hora de se reinventar. E se não veio um novo “Back in Black”, tanto na questão de vendas (o álbum vendeu “apenas” 2 milhões de cópias), quanto na questão da qualidade das  composições, ao menos tivemos aqui um álbum muito honesto.

Com Simon Wright assumindo as baquetas, todos adentraram ao “Mountain Studios”, em Montreux, Suíça, onde ficaram entre os meses de novembro de 1984 e fevereiro de 1985, com direito a uma breve pausa, quando a banda veio ao Rio de Janeiro para se apresentar em duas noites na icônica primeira edição do Rock in Rio, em janeiro de 1985. Os irmãos Malcolm e Angus Young se encarregaram mais uma vez da produção.

Colocando a bolacha para rolar e temos a faixa título abre o trabalho e ela é grudenta, com batidas firmes de Simon Wright e um belo solo. “Shake Your Foundations” dá sequência e mantém a pegada Hard da faixa anterior, não com o mesmo vigor, mas ainda assim é uma boa canção.

First Blood” é a típica música oitentista, mas sem deixar de ter a cara do AC/DC, enquanto que “Danger” é muito influenciada pelo Blues e tem passagens muito interessantes. E “Sink the Pink” traz os riffs inconfundíveis dos irmãos Young, aqueles que você escuta as primeiras notas e já sabe que se trata de AC/DC.

Playing With Girls” traz uma batida suingada, além de uma vibe mais Zeppeliana, com riffs psicodélicos, sendo essa eleita por este redator que vos escreve como a melhor faixa do play. Em “Stand Up”, temos uma canção bem Southern Rock, com elementos de música country em meio ao Rock and Roll que o quinteto australiano sempre praticou.

A veia bluesy retorna em “Hell or High Water”, que também tem seus bons momentos. “Back in Business” resgata novamente as influências country que a banda carrega consigo desde sempre e com um refrão que você se pega cantarolando sozinho, horas depois de terminada a audição. “Send for the Man” tem riffs que se repetem por toda a música e um Angus Young bastante inspirado nos solos, uma excelente performance, encerrando bem a bolacha.

Em 40 minutos de audição temos aqui um disco que se não chega a ser excelente, também não é desastroso. É um álbum relativamente curto, mas que nos proporciona uma agradável sensação. Mesmo que o AC/DC seja acusada de repetir à exaustão a mesma fórmula em todos os discos, é uma das poucas bandas que se copiam sem soar enjoativa.

O disco não foi bem recebido pela crítica, alcançou as posições de número 32 na “Billboard 200” e 7 nas paradas do Reino Unido. A banda saiu em turnê, mas esta foi ofuscada por um episódio onde um serial killer chamado Richard Ramirez foi preso e disse à polícia que cometia seus crimes inspirado pela letra de “Night Prowler”, do álbum “Highway to Hell”, de 1979. Ele usava uma camisa da banda e teria deixado um chapéu com o logotipo da banda na cena de um de seus crimes, A mídia não especializada, como sempre, usou o caso para mostrar o quão o Rock and Roll é ofensivo, subversivo e potencialmente perigoso para as pessoas, ainda que a banda nada tenha a ver com as loucuras que venham a cometer por ai. A banda foi acusada de satanismo, tendo inclusive o seu nome referenciado como se signficassem “Antichtist, Devil’s Child” (N. do R: “Anticristo, a criança do diabo”, em tradução livre). É claro que este tipo de correlação é risível, mas na época, estamos falando de 35 anos atrás, tudo isso soava como se fosse um absurdo. É óbvio que o AC/DC esteve longe de cantar sobre pastos celestiais ou sobre os anjinhos, mas ligar a banda a sociopatia é completamente fora de mão. No ano 2000, Angus Young deu uma resposta sarcástica quando foi perguntado sobre o episódio:

“Não consigo me lembrar da última missa negra que participei.”

Mas a banda superaria este revés e se manteria gigantesca, como é até os dias atuais. E hoje é dia de celebrarmos este álbum, que tem aquela pegada tradicional destes adoráveis australianos. E vamos desejar uma longa ao AC/DC, que sobreviveu a essa interminável Pandemia, trouxe de volta o carismático Brian Johnson e segue nos brindando com novos discos e turnês.

Fly on the Wall – AC/DC

Data de lançamento – 28/06/1985

Gravadora – Atlantic Records

 

Faixas:

01 – Fly on the Wall

02 – Shake Your Foundations

03 – First Blood

04 – Danger

05 – Sink the Pink

06 – Playing With Girls

07 – Stand Up

08 – Hell or High Water

09 – Back in Business

10 – Send for the Man

 

Formação:

Brian Johnson – Vocal

Angus Young – Guitarra

Malcolm Young – Guitarra

Cliff Williams – Baixo

Simon Wright – Bateria