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Memory Remains: AC/DC – 43 anos de Powerage, o disco cultuado por alguns dos mais consagrados rockstars

No dia 25 de maio, há exatos 43 anos atrás, o AC/DC lançava um dos seus mais icônicos álbuns: estamos falando de “Powerage”, o disco de número cinco na extensa, longeva e vitoriosa carreira da mais bem sucedida banda de Rock da Austrália. que influenciou muitos Rock Stars e é tema do nosso Memory Remains de hoje.

Esse álbum marca a estreia do baixista Cliff Williams, que entrou na vaga deixada por Mark Evans, que afirmou anos mais tarde que gravou muitas das linhas de baixo presentes no aniversariante do dia, ainda que ele não tenha sido creditado. Este também é o primeiro álbum da banda a não ter uma faixa homônima.

A banda havia gravado o disco “Let There be Rock” e fez doze apresentações abrindo os shows do Black Sabbath. Após essa tour, o baixista Mark Evans foi expulso da banda. O ex-empresário da banda, Michael Browning, deu a seguinte declaração à biografia da banda, “Maximum Rock & Roll”:

Eu recebi um telefonema de Malcolm e Angus. Estávamos em Londres, fui ao apartamento deles e me disseram que queriam se livrar de Mark. Ele e Angus não se viram. Eles costumavam ter um tipo de coisa maluca, mas nada que eu jamais pensaria que fosse ameaçador.”

Os irmãos Young consideraram chamar Colin Pattenden, que tocava no Manfred Mann e o então empresário considerava este velho demais para se juntar ao AC/DC e sugeriu o nome do britânico Cliff Williams, que foi aprovado na audição e se tornava membro da banda. O demitido Mark Evans insistia que havia contribuição sua neste álbum, um vez que o processo criativo deste álbum se iniciaram ainda durante as sessões do anterior, “Let There be Rock”. Em 2011, Evans deu uma entrevista à Music Radar e iremos reproduzir um trecho abaixo:

Com Angus e Malcolm, eles foram colocados nesta terra para formar o AC/DC. Eles estão comprometidos em grande tempo. E se eles sentem que seu compromisso é algo menor do que o deles, bem, isso é um problema. Angus foi intenso. Ele era do AC/DC 100%. Sua ética de trabalho era inacreditável. Quando eu estava com ele, ele esperava que todos fossem iguais a ele, o que é bem impossível … Na época, Malcolm disse algo sobre eles querendo um baixista que pudesse cantar, mas acho que era uma cortina de fumaça. Não sei se houve algum motivo. É só o jeito que desceu. Senti a distância crescente entre mim, Angus e Malcolm. Quando fui demitido, não foi uma surpresa, foi um choque. Havia muita tensão na banda na época. Nós tínhamos acabado de começar uma turnê do Black Sabbath, e isso foi certo quando uma viagem aos Estados Unidos foi cancelada porque a gravadora rejeitou o álbum Dirty Deeds Done Dirt Cheap. Então foi um período difícil.”

Resolvida a questão do novo baixista, a banda terminou o ano de 1977 fazendo shows nos Estados Unidos e no início de 1978 eles voaram para a Austrália e adentraram ao Albert Studios, na capital Sydney. Ficaram por lá entre janeiro e março de 1978, sob a batuta de Harry Wanda e George Young, que atuaram na produção. Há relatos de que algumas das canções começaram a ser gravadas ainda em 1977 e que nessas mesmas sessões, uma versão para a música que ficaria conhecida como “Touch Too Much” também foi gravada. Mas essa só entraria no álbum “Highway to Hell”, o último com Bon Scott no vocal. Vamos sem mais delongas comentar as nove faixas que compõem este “Powerage”.

Rock and Roll Damnation” abre o play e traz aquele clima de festa que habitam as músicas do AC/DC desde sempre. Riffs e batidas simples fazem a música ser perfeita do jeito que é. A curiosidade é que essa faixa foi composta e gravada depois que os executivos da Atlantic nos Estados Unidos reclamaram que o álbum não tinha nenhuma música que pudesse ser executada nas rádios. “Payment Blues” é um baita Hard Rock, com riffs que se repetem durante a sua extensão e hipnotizam, além de um belo solo, deixando a música ainda melhor. Excelente.

Gimme a Bullet” tem riffs primitivos e o destaque é a voz do inesquecível Bon Scott. A clássica “Riff Raff” chega e encerra o lado A, caso o caro leitor esteja no vinil, o que não é o caso deste redator que vos escreve, que está na versão em CD. A música tem um andamento um pouco mais acelerado que as demais e é uma faixa típica do AC/DC. Aquela que você nem precisa escutar o vocal entrar para reconhecer que são os australianos em ação. Os irmãos Young dão um show nas guitarras. Essa música é única.

Outra clássica chega abrindo o lado B e ela atende pelo nome de “Sin City”: as guitarras são as estrelas e elas brilham, tanto nos riffs quanto no solo. Uma performance impecável dos irmãos e isso é apenas uma demonstração do quão gigante e influenciadora a banda é. A seguir, a minha favorita do play: “What’s Next to the Moon”, onde volta a se destacar Bon Scott e seu vocal. As guitarras não ficam muito atrás e mostram que repetir a fórmula não faz mal nenhum, ao menos que você seja o AC/DC.

A bolacha vai se aproximando do seu final e temos “Gone Shootin” e seu clima bem bluesy, acalmando um pouco o disco, que estava um tanto quanto animado. “Up to my Neck in You” traz a energia da banda de volta em uma canção que combina com festas regadas à bastante cerveja, coisa impensável neste momento em que a melhor coisa a se fazer é evitar aglomerações e ficar em casa curtindo um bom som, de preferência, o aniversariante do dia.

O que é bom acaba logo e “Kicked in the Teeth” nos avisa deste final. E este aviso é da melhor forma, com a mais enérgica dentre todas as faixas deste álbum. Impossível permanecer inerte ao escutar esse petardo. As guitarras e o vocal de Bon Scott vão duelando e se destacando como as grandes preciosidades aqui. Assim o disco se encerra e a vontade de colocar a playlist para repetir é gigante. E como são apenas 39 minutos, fica fácil escutar o disco por várias vezes durante o dia.

Powerage” não é o mais badalado álbum do AC/DC, mas isso é derrubado por algumas das figuras mais emblemáticas do Rock em todos os tempos: nomes como Slash, Keith Richards, Ron Wood, Eddie Van Halen e Gene Simmons nunca negaram a sua devoção pelo álbum, que foi o responsável por torná-los fãs da banda. E de fato trata-se de um baita disco, direto e reto, despreocupado, porém, muito bem executado, dentro de sua proposta. O disco alcançou a posição de número 133 na categoria Pop da “Billboard”, além de ter conquistado o disco de Platina nos Estados Unidos. No ano de 2005, a revista Rock & Hard listou o álbum na 3ª posição na lista dos 500 melhores álbuns de Rock e Heavy Metal de todos os tempos; a revista Kerrang deu ao álbum a posição de número 26 na sua lista dos 100 melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos.

Um álbum que envelhece bem, quarentão com muito orgulho e o que nos enche de orgulho é que a banda está ainda na ativa, com Brian Johnson de volta, disco novo recém-lançado. Agora só falta aguardar a vacina chegar à todos, o controle da pandemia para que possamos ver novamente o AC/DC em ação. E para os fãs de Bon Scott como este redator, eu vos digo: eu escuto gente morta!

Powerage – AC/DC

Data de lançamento – 25/05/1978

Gravadora – Atlantic

Faixas:

01 – Rock and Roll Damnation

02 – Down Payment Blues

03 – Gimme a Bullet

04 – Riff Raff

05 – Sin City

06 – What’s Next to the Moon

07 – Gone Shootin

08 – Up to my Neck in You

09 – Kicked in the Teeth

Formação:

Bon Scott – vocal

Malcolm Young – guitarra

Angus Young – guitarra

Cliff Williams – baixo

Phil Rudd – bateria