Memory Remains

Memory Remains: Anthrax – 42 anos de “Fistful of Metal” e os conflitos criados por Neil Turbin

6 de janeiro de 2026


Há 42 anos, em 6 de janeiro de 1984, o Anthrax lançava “Fistful of Metal”, o álbum de estreia desta que é uma das maiores bandas de Thrash Metal de todos os tempos, e que é tema do nosso Memory Remains desta terça-feira.

A banda havia sido formada três anos antes, em 1981, por Dan Lilker e Scott Ian, que estudavam na mesma escola. Ambos eram guitarristas, mas Lilker passou para o baixo depois de não encontrar nenhum baixista. Neil Turbin, que também estudava no mesmo colégio, foi adicionado à banda, e Greg Walls ficou como segundo guitarrista entre 1982 e 1983, quando Dan Spitz entrou em seu lugar. Charlie Benante também entrou em 1983.

Em 1983, o Anthrax gravou uma demo com cinco faixas, das quais quatro entraram em nosso homenageado: “Panic“, “Anthrax“, “Across the River” e “Howling Furies“. Essa demo chamou atenção da Megaforce que ofereceu um contrato à banda. No mesmo ano, eles lançaram o single “Soldiers of Metal“, que a música título também está no aniversariante do dia, e este single vendeu mais de três mil cópias em duas semanas, o que era um sucesso, tendo em vista que era uma banda ainda sem a relevância atual.

A banda se juntou ao produtor Carl Canedy, que é baterista e vocalista do The Rods, que é um pouco mais veterana do que o Anthrax. Eles se reuniram no Pyramid Sound Recording, em Nova Iorque, no final de 1983, onde as faixas foram gravadas. A mixagem e masterização ocorreram em New Jersey, no Sterling Sound. O saudoso Jon Zazula atuou na produção executiva, assim como já tinha feito em “Kill ‘em All“, o álbum de estreia do Metallica, lançado menos de um ano antes.

Bolacha rolando e o Anthrax nos oferece um belo álbum onde o Thrash Metal ainda era visto com muita timidez, em meio ao Crossover/ Speed Metal. O play tem 35 minutos e dez faixas, com destaques para “Deathrider“, “Metal Thrashing Mad“, “Panic“, todas estas, ganharam versões ainda melhores no ano de 2004 quando a banda regravou diversas canções no álbum “The Greater of Two Evils“, na voz de John Bush, que é bem melhor do que a voz estridente de Neil Turbin. Outro destaque também é para o cover de “I’m Eighteen“, gravada originalmente por Alice Cooper.

A receptividade foi bem mista, tanto por parte da crítica especializada quanto do público. Algumas críticas foram bem duras, como a AllMusic, que chamou o Anthrax de banda cover do Judas Priest. Em 2019, a revista Decibel colocou o álbum em seu Hall da Fama, citando-o como um dos melhores álbuns do início do Thrash Metal. Mas a banda pouco toca ao vivo as músicas deste play. O último show da banda realizado em 7 de dezembro, em Jacarta, Indonésia, apenas “Metal Thrashing Mad” foi lembrada.

Após o lançamento do álbum, Neil Turbin tomou a iniciativa de demitir o baixista Dan Lilker sem que o restante da banda tivesse conhecimento prévio, deixando a entender que sua demissão foi consentida pelos demais membros. O baixista falou certa vez sobre o ocorrido, aspas para ele:

“Depois que fui expulso, os caras disseram injustamente: ‘Bem, ele precisou de 30 tentativas para gravar a faixa de baixo de ‘I’m Eighteen”, e se você ouvir a faixa de baixo, se não souber a história toda, você dirá: ‘Bem, isso é estranho, não é?’ São apenas, tipo, cinco notas.”

Mas Dan Lilker parece ter resolvido isso bem com Scott Ian, tanto que eles se juntaram um ano depois, montaram o S.O.D., que lançou dois petardos, o excelente “Speak English or Die“, falamos dele AQUI no ano passado, e em 1998, lançaram “Bigger Than the Devil“. Lilker montou o Nuclear Assault, que também desempenhou um papel de extrema importância na cena Thrash Metal. O sobrinho de Charlie Benante, Frank Bello assumiu o baixo no lugar de Lilker.

Depois de tomar a frente e demitir Dan Lilker, Neil Turbin não teve vida longa no Anthrax. Ele foi demitido em 1984, semanas depois do show que a banda fez com o Metallica no Roseland Balroom. A razão para a demissão, foi que Scott Ian e Charlie Benante queriam ter maior controle na composição das músicas. Neil Turbin chegou a trabalhar em três canções do sucessor de nosso aniversariante, “Spreading the Disease“, o álbum que colocou definitivamente o Anthrax como uma banda em ascensão. Matt Fallon ocupou o seu lugar por um breve período, que depois foi ocupado por Joey Belladonna, que está na segunda passagem pelo Anthrax. Em 2014, Turbin acusou Scott Ian de produzir mentiras para a sua saída, na intenção de chamar atenção para a biografia que o guitarrista estava lançando naquele período.

O álbum também deixou um ar de rancor, principalmente por parte de Greg Walls, o primeiro guitarrista do Anthrax, que alega ter sido plagiado pela própria banda, e também acusou o Anthrax de não lhe dar o devido crédito nas composições de “Panic“, “Metal Thrashing Mad“, além de contribuições em outras músicas. O ex-vocalista deu uma entrevista ao site Metal Voice no ano de 2016, onde ele fez as acusações. A banda não respondeu ao ex-guitarrista.

Era o pontapé inicial da banda que se tornaria uma das integrantes do chamado The Big 4. Hoje é dia de celebrar esse álbum. Felizmente o Anthrax está em plena atividade, e para alegria dos fãs, deve lançar seu novo e aguardado álbum ainda esse ano. Já está na hora, afinal, são dez anos desde “For All Kings“, que os fãs não vêem um disco de inéditas da banda. Longa vida ao Anthrax.

Fistful of Metal – Anthrax

Data de lançamento – 06/01/1984

Gravadora – Megaforce

 

Faixas:

01 – Deathrider

02 – Metal Thrashing Mad

03 – I’m Eighteen

04 – Panic

05 – Subjugator

06 – Soldiers of Metal

07 – Death from Above

08 – Anthrax

09 – Across the River

10 – Howling Furies

 

Formação:

  • Neil Turbin – vocal
  • Scott Ian – guitarra
  • Dan Spitz – guitarra
  • Dan Lilker – baixo
  • Charlie Benante – bateria