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Memory Remains: Arch Enemy – 21 anos de “Wages of Sin” e a estreia arrebatadora de Angela Gossow

O ano de 2001 foi marcado pelos atentados terroristas praticados pela organização Al-Qaeda contra os Estados Unidos em 11 de setembro, que atingiram sobretudo as torres gêmeas, a honra dos estadunidenses e provocaram medo e tensão em todo o globo. Mas cinco meses antes, em 25 de abril, o Arch Enemy causava um caos sonoro com o lançamento de “Wages of Sin“. Este petardo é o tema do nosso Memory Remains desta segunda-feira pós-Carnaval fora de época.

Importante frisar que a data refere-se ao lançamento no Japão, onde o play foi lançado no ano de 2001, via Toy’s Factory, selo japonês que distribuiu o álbum por lá. No resto do mundo, o foi lançado em 18 de março de 2022, via Century Media Records. Então, estamos respeitando a primeira data de lançamento.

Wages of Sin” é um marco histórico na carreira da banda, pois é a partir deste álbum que o Arch Enemy se tornou grande. E tudo por uma razão fundamental: no ano de 2000,, o vocalista Johan Liiva foi demitido por Michael Amott, o líder da banda, pois este entendia que a banda precisava de um vocalista com mais dinamismo. E para o seu lugar, ele acabou recrutando uma jornalista alemã que havia o entrevistado e lhe entregue uma fita demo, anos antes. Uma loira charmosa e com um talento vocal impressionante. Assim o mundo conheceu Angela Nathalie Gossow.

A própria Angela conta em entrevista que entregou a fita para Amott sem muitas esperanças e que quando ele a convidou para fazer o teste, ela nem sequer pensou duas vezes. Aprovada com êxito, o Arch Enemy ia na contramão das bandas daquele período que apostavam em mulheres com vocais líricos e sonoridade mais melódica. Aqui, a moça iria explorar seu gutural potente, aliada ao som técnico, pesado e por vezes melódico. Deu tão certo que a banda segue como referência do estilo até os dias atuais.

Angela durante apresentação no Via Funchal em São Paulo

Alexandre Cardoso/Creative Commons

Angela durante apresentação no Via Funchal em São Paulo

Com nova frontwoman, a banda retornou ao Studio Fredman, em Gotemburgo, Suécia, no ano 2000, novamente na companhia do produtor Fredrik Nordstörm. Desta vez, o responsável pela mixagem e masterização foi o mago Andy Sneap, o que fez uma completa diferença no produto final. Ele realizou este trampo no Backstage Studios, em Londres, no mês de janeiro de 2001. Uma curiosidade acerca do aniversariante do dia é que ele foi o primeiro que a dupla de guitarristas, Michael e Cristopher Amott usou a afinação baixa, dois tons abaixo, tocando em Dó. Vamos passear pelas doze faixas que estão presentes aqui.

Enemy Within” traz uma bela introdução no teclado nos leva a pensar que estamos ouvindo um disco de música clássica e não de Heavy Metal, mas logo a bateria de Daniel Erlandsson entra e inicia um duelo com as guitarras dos irmãos Amott. A expectativa é imensa pela entrada da diva Angela Gossow, que escreveu a música e não decepciona com seu vocal raivoso. Música pesada e melódica ao mesmo tempo. Furiosa e melódica.

Burning Angel” é a faixa número dois e tem um clima atmosférico, onde as guitarras vão intercalando riffs mortais com solos repletos de melodias, enquanto a protagonista Angels bota pra quebrar com seu vocal. “Heart of Darkness“, por sua vez, traz alguns dos melhores riffs de sempre do Arch Enemy, em uma música pesada e mais arrastada nas estrofes, ganhando um pouco de melodia no refrão.

Ravenous” é de longe, a melhor faixa do play, um baita Metalzão, onde brilha o baterista Daniel Erlandsson com seu bumbo duplo e no refrão, os duetos de guitarra nos remetem a um certo Iron Maiden, só que muito mais pesado e brutal. Essa foi a primeira faixa da banda que eu escutei e fez com que eu voltasse minhas atenções para essa banda que mistura melodia com Death Metal e que tem uma mina no vocal. E não é qualquer vocal, é a poderosa Angela Gissow arrebentando com tudo.

Savage Messiah” é outro destaque do play, uma música densa, pesada e sombria, coisa que o Arch Enemy nos tempos de Angela sabia fazer e muito bem. “Dead Bury Their Dead” é mais puxada para o Thrash Metal e tem um peso absurdo. Uma virada de bateria espetacular anuncia a chegada de “Web of Lies“, que abre a metade final da obra. Ela é uma espécie de Hard Rock só que com muito peso e um vocal gutural. Entra no Top 3 deste álbum fácil fácil.

“The First Deadly Sin” é brutal ao extremo tanto na parte rápida, onde eles esquecem as melodias e concentram-se apenas no Death Metal, quanto nas partes mais arrastadas. Uma verdadeira pedrada. A trinca final é formada pela ultra pesada e melancólica “Beyond the Smile“, a curta instrumental “Snow Bound“, além da pesada e melódica “Shadows and Dust“. A versão da Century Media lançada no restante do planeta ainda conta com a poderosa “Lament of Mortal Soul“, que entrou como bônus track. Uma música furiosa e onde os músicos exibem técnica acima da média, encerrando um álbum que é praticamente perfeito do início ao fim.

Após 48 minutos a sensação é de que fomos atropelados por um comboio de caminhões, tamanho o estado bruto do material apresentado pela banda, que ganharia mais relevância, se tornando junto com o Nevermore, os tesouros da Century Media e também como as bandas mais notáveis daquele momento. Era o início de uma era dourada para a banda e também para o Heavy Metal moderno, que trazia novas bandas a tona.

A primeira prensagem do álbum veio com um CD bônus, intitulado “Collection of Rare & Unreleased Songs from the Arch Enemy Vault“, que traz versões covers para músicas do Judas Priest (“Starbreaker“), Iron Maiden (“Aces High“), Europe (“Sxream of Anger“), além de versões ao vivo, todas as músicas na voz do antigo vocalista Johan Liiva.

A fase com Angela nos vocais foi dourada, e “Wages of Sin” era apenas o ponto de partida. Anos mais tarde, ela daria lugar para Alissa-Whiye Gluz e trocou os palcos pela gerência da banda. Faz muita falta. Vamos celebrar este baita disco que vai envelhecendo melhor a cada ano que passa. Para nossa felicidade e alívio, a banda passou por essa pandemia interminável e já tem data para o lançamento do novo álbum, “Deceivers“: 29/07.  Hoje é dia de escutar esse “Wages of Sin” no talo e desejar longa vida ao Arch Enemy.

Wages of Sin – Arch Enemy

Data de lançamento – 25/04/2001

Gravadora – Century Media

 

Faixas:

01 – Enemy Within

02 – Burning Angel

03 – Heart of Darkness

04 – Ravenous

05 – Savage Messiah

06 – Dead Bury Their Dead

07 – Web of Lies

08 – The First Deadly Sin

09 – Behind the Smile

10 – Snow Bound

11 – Shadows and Dust 

12 – Lament of Mortal Soul (bônus track)

Formação:

Angela Gossow – vocal

Michael Amott – guitarra

Cristopher Amott – guitarra

Sharlee D’Angelo – baixo

Daniel Erlandsson – bateria

 

Participação especial:

Per Wiberg – teclado/ piano/ mellotron