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Memory Remains: Black Sabbath – 42 anos de “Heaven and Hell” e a brilhante estreia de Ronnie James Dio

O 21 de abril, no Brasil temos o feriado dedicado a um personagem importante da história do nosso país: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi morto e esquartejado pela Coroa Portuguesa, em resposta à conjuração mineira, um movimento de cunho separatista. Nós, headbangers, celebramos nesta mesma data, os 42 anos de “Heaven and Hell“, o 9° álbum de um novo Black Sabbath. O aniversariante do dia era carregado de incertezas, pois Ozzy Osbourne havia saído de vez da banda, após ficar afastado durante o ano de 1977. Vamos tratar deste clássico no Memory Remains desta quinta-feira.

Vamos voltar alguns anos antes na história: em 1977, Ozzy saiu, sendo substituído por um sujeito chamado Dave Walker, que não durou muito. O Madman voltou, mas o clima não era mais o mesmo e o frontman, que acabou demitido por (ab)uso de drogas, partiu para a carreira solo que perdura até os dias de hoje. E agora? O que fazer? Conseguirá sobreviver o Black Sabbath sem seu vocalista original? Como será a performance da banda, agora sem um de seus membros fundadores?

A sacada de gênio de Tony Iommi foi buscar um certo baixinho de voz potente e idolatrado por onze a cada dez fãs de Heavy Metal: Ronnie James Dio, que havia recém gravado um clássico com o Rainbow, o disco “Long Live Rock’N’Roll“. Assim sendo, o primeiro disco sem Ozzy nos vocais seria lançado e a curiosidade do público era imensa, mas o baixinho foi tão bem, que muitos o consideram como sendo o melhor vocalista que passou pela maior banda de Heavy Metal da história.

As coisas estavam meio confusas no Black Sabbath, pois além da demissão de Ozzy, o baixista Geezer Buttler também havia saído. Tony Iommi recrutou para o seu lugar, o baixista Geoff Nicholls e ele trabalhou em algumas composições, sendo inclusive, creditado por escrever sozinho, suas linhas de baixo na música que daria o título ao álbum, “Heaven and Hell”. Buttler trabalhou apenas na música “Non Knights”, a última a ser gravada.

Denis O'Regan

Outra mudança ocorrida neste álbum foi que Dio passou a assumir a responsabilidade na composição das letras, que outrora era primordialmente escrita por Buttler. E aqui o baixinho colocou os temas sobre dragões, castelos, mágica e misticismo, que foram suas marcas registradas ao longo de sua gloriosa carreira, fazendo o Black Sabbath soar bem diferente, em termos líricos, lá do início da carreira.

Desta feita a banda não era um quarteto, e sim um quinteto, pois havia um tecladista na banda, ainda que não creditado propriamente como músico: era Geoff Nicholls. A história curiosa é que Geoff fora recrutado incialmente para ser o baixista, como dito mais acima, mas Buttler retornou à banda, então ele foi deslocado para a função de tecladista.

Então o quinteto se reuniu em dois estúdios, separados pelo Oceano Atlântico: o “Criteria Recording Studios”, em Miami e também no “Studio Ferber”, em Paris, com produção de Martin Birch e o resultado foi esse discão que iremos destrinchar faixa a faixa a partir do próximo parágrafo.

Neon Knights”, um sonzão, abre a obra e aqui a gente vê um Black Sabbath bem diferente daquele de uma década atrás, que primava por aliar o Blues com o peso do recém-criado Heavy Metal. Aqui temos o Metal puro e cristalino em uma música muito boa, com ótimos solos de Iommi e o vocal do deus Dio. “Children of the Sea” começa uma ótima melodia de violão nos dando a entender que será uma balada, mas não. Logo a música se desenvolve numa pegada que fica algo entre o Hard e o Blues, muito bem feita e muito bem estruturada, com Geezer Buttler, ops, Geoff Nicholls dando com o seu baixo o peso que a música precisa.

Lady Evil” traz a banda executando um Hard Rock pra lá de interessante, onde mais uma vez o baixo se fazendo bem presente e preciso, além de um Tony Iommi como sempre inspirado (falar da inspiração do homem que criou o Heavy Metal é definitivamente chover no molhado, mas necessário). “Heaven and Hell”, a faixa título, é uma das mais conhecidas da fase Dio no Black Sabbath. Ela é uma que se assemelha um pouco com o que a banda fez no passado com Ozzy. Ela tem riffs bem Stoner em sua intro, se desenvolve de maneira arrastada e na parte final ela cresce, com os caras aumentando seu andamento. Perfeita.

Wishing Well” tem uma estrutura bem interessante: Iommi faz as bases bem retas, enquanto a quebradeira fica com as linhas de baixo, que mais uma vez ficaram excelentes. Mas o pai do Heavy Metal rata de elaborar um solo muito bom aqui. A música é calcada no Rock setentista. “Die Young” é enérgica e traz de volta o Heavy Metal para ser o centro das atenções. Ela só tem uma parte no meio que ficou meio sem sentido, uma parada brusca com inclusão dos teclados, que viria a ser a tendência daqueles anos 1970, mas logo as coisas se ajeitam e a música termina forte como começou.

Walk Away” tem mesclas de elementos Hard e também de Progressivo e ela se desenvolve em um andamento médio, mas parece que se esqueceram de avisar isso para Bill Ward. O cara espanca seu kit de bateria sem dó e muitas vezes com viradas sensacionais. “Lonely is the Word” fecha muito bem o play com seu clima bem bluesy e ficou impressionante o timbre que Iommi achou nesta música, além do solo viajante que encerra a música. Muito boa.

Em exatos 40 minutos temos um disco muito bom, que envelhece muito bem, obrigado e mostra que o Black Sabbath estava conseguindo se reinventar muito bem depois da saída de seu vocalista original. Sem querer acirrar a rivalidade entre os dois, mas Dio realmente deu um up e os dois têm o seus valores.

O álbum foi um sucesso comercial. Foi certificado com Disco de Ouro no Canadá e no Reino Unido e Platina nos Estados Unidos. Nos charts mundo afora, chegou em 9º lugar nas paradas britânica, 22º na Noruega, 23º no Canadá, 25º na Suécia,  28º posto na “Billboard 200”, 39º na Finlândia, 37º na Alemanha, 44º na Nova Zelândia, 47º na Polônia e 1º lugar em nossos corações.

considerado por muitos fãs como um dos melhores discos da carreira do Black Sabbath e eu não serei herege ao discordar: é realmente um discaço, O disco foi eleito o 37º melhor álbum de Metal de todos os tempos pela revista “Rolling Stone” no ano de 2017 e a faixa título foi eleita a 81ª posição na lista das “100 Maiores Canções de Hard Rock”, do canal VH1. São mais conquistas mais do que merecidas por quem criou toda essa bagaça que hoje nós amamos e levamos como estilo de vida.

Então hoje é dia de exaltar esse discaço da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. Uma sugestão para audição nesta data tão importante no estilo que optamos em abraçar e levar como estilo de vida. Fique em casa se puder, proteja a sí e aos seus. Muito em breve isso tudo vai passar e se não temos mais o Black Sabbath na ativa, ao menos temos todas as outras bandas, que, direta ou indiretamente, sofreram algum tipo de influência dos cavaleiros de Birmingham. Não fosse por eles, nada do que nós escutamos hoje em dia existiria.

Heaven and Hell – Black Sabbath

Data de lançamento: 21/04/1980

Gravadora: Warner Bros

Faixas:

01 – Neon Knights

02 – Children of the Sea

03 – Lady Evil

04 – Heaven and Hell

05 – Wishing Well

06 – Die Young

07 – Walk Away

08 – Lonely is the Word

Formação:

Tony Iommi – Guitarra/Violão

Ronnie James Dio – Vocal

Geezer Buttler – Baixo

Bill Ward – bateria

Participação especial:

Geoff Nichols – teclado

OBS: como explicado no texto, embora Geoff Nicholls seja creditado como tecladista, ele gravou o baixo de todas as faixas, exceto em “Neon Knights”.